E se você ficar “preso a canções e entregue a paixões que nunca tiveram fim”?

A escalada dos divórcios no Brasil

A questão “relacionamento” é um dos assuntos mais abordados nos consultórios psicoterapêuticos.

Uma das grandes causas de violência contra a mulher tem origem em relacionamentos difíceis e violentos, muitas vezes mantidos por pessoas que não entendem como “aguentam” um relacionamento conturbado, ou muitas vezes mantidos por questões de fachada ou interesses materiais.

De acordo com dados de pesquisas realizadas, observamos que a cada três casamentos um termina em divórcio no Brasil, sendo que a duração média do período em que os divorciados ficaram casados caiu para 14 anos. Há que se considerar também que grande parte destas separações tiveram consequências traumáticas para os cônjuges e, principalmente, para os filhos.

Relacionamentos por uma abordagem espiritual: uma breve introdução

Segundo a doutrina espírita, a verdadeira vida acontece na dimensão que se abre quando da morte do físico e libertação do espírito, o verdadeiro ser.

Muito se especula e se imagina sobre o que ocorre após o desenlace dos cordões fluídicos, despedindo-se da matéria para se estruturar em uma nova forma, imaterial e fluídica.

Quem mais contribuiu para revelar e esclarecer esse admirável novo mundo foi o grande Chico Xavier em suas memoráveis psicografias que, praticamente, formaram a base do entendimento sobre a vida espiritual. Se Alan Kardec decodificou os sinais que revelavam uma fonte inteligente por trás de fenômenos sem explicação material, elevadas entidades espirituais, através do humilde Chico, expuseram detalhes do mundo espiritual e como se desenvolve a vida depois da vida.

Analisando os vários relatos, principalmente nos livros da série “Nosso Lar”, temos revelados a rotina das esferas espirituais e a jornada evolutiva dos desencarnados nas diversas regiões do plano espiritual.

Verificamos que após a mudança de dimensão a vida continua, e que cada ser que lá chega leva consigo tudo o que era, tudo que pensava e acreditava. Ou seja, liberto da vestimenta material, e dependendo de seu estágio de consciência, o espírito pode até não perceber que mudou de dimensão, acreditando ainda estar “vivo” e muitas vezes, por não perceber essa mudança, pode desenvolver uma série de perturbações, tão bem descritas nas obras da referida série.

Neste processo, auxiliados por mentores, cada ser vai repassando todos os detalhes do que foi vivenciado, analisam-se as escolhas feitas e avaliam-se os resultados causados por essas escolhas. Dessa forma, o ser vai aprendendo de forma prática o poder do livre arbítrio e os mecanismos de funcionamento da lei de causa e efeito. Pode, então, perceber que o campo dos relacionamentos é o mais propício ao aprendizado, assim como o maior causador de problemas. No relacionamento com outra pessoa aflora o embate do autoconhecimento, pois as diferenças existentes  podem gerar tanto complementaridade como adversidade, atraindo ou repelindo, criando aconchego e harmonia ou desconforto e discórdia. É no relacionamento que surge a melhor forma para a evolução.

Os relacionamentos que atravessam o tempo e o espaço

Aqui iremos nos restringir a fazer uma exposição acerca da área dos relacionamentos afetivos que, em geral, parecem concentrar uma atenção muito elevada na preocupação das pessoas.

Amar e gostar não é possuir.

Quando está no plano espiritual, a pessoa leva consigo as suas memórias, que irão acalentar ou perturbar o ser de acordo com as escolhas feitas quando encarnado. E são exatamente estas lembrança que podem causar as piores experiências, em função da energia emocional que estiver ligada a cada lembrança. Ressentimentos, mágoas remorsos, tristezas, serão sentidas de forma muito intensa, muitas vezes levando a fortes distúrbios. Por isso é de suma importância aprender a arte do desapego, para que não se fique dependente de nada e de ninguém. Amar e gostar não é possuir, portanto, quando o ser que é amado não está próximo, sua ausência não é sentida com tristeza, pois o amor que se tem preenche todos os recantos do ser, trazendo aconchego e paz.

Encontramos muitas vezes histórias de amor e sofrimento

que só podem ser entendidas recorrendo-se à explicação espiritual.

Como se pode observar nos casos descritos ao longo dos livros, se ao partir para o plano espiritual a pessoa “deixou” algum afeto profundo para trás, é possível que a sensação de perda possa ser sentida, e a perspectiva de viver sem o ser amado pode gerar intranquilidade ou desespero. E a recíproca se faz verdadeira para quem fica, pois aos olhos da matéria, aquela afeição se foi e será consumida pelo tempo, sem esperança de reencontro. Esse quadro se faz prejudicial a todos, mas principalmente ao ente que foi para o plano espiritual, uma vez que, livre do corpo material, a sensibilidade é maior e as emoções repercutem mais fortemente.

Encontramos muitas vezes histórias de amor e sofrimento que só podem ser entendidas recorrendo-se à explicação espiritual.  Pouco se conhece dos motivos que levam uma pessoa a  se afinizar e apaixonar-se por outra. As razões quase sempre estão atreladas às ocorrências vividas anteriormente neste intercâmbio entre o plano material e o espiritual.

Uma pessoa que foi muito prejudicada por outra em determinado momento pode, em função desse evento, sentir uma animosidade tão grande que gere em si um ódio muito violento, possível precursor de desejos de vingança. Com o passar do tempo, essa má energia fica presa e só aumenta pois nunca foi devidamente trabalhada. Na ocasião do desencarne desta pessoa, todas as energias negativas que foram se criando através do ódio e do ressentimento, deixam este ser tão perturbado que ele será refratário a qualquer apelo de transformação e assim, percebendo-se sem a matéria, se sentirá livre para submeter o seu antigo algoz em vítima. Via de regra, isso se repetirá por muito tempo.

Esse é um dos mecanismos que dão origem à maioria de nossos relacionamentos, principalmente  os de caráter sentimental, pois os embates avolumam-se de tal maneira que chegam a pontos muito críticos, gerando a necessidade de correções profundas e intensas que só os relacionamentos íntimos podem proporcionar.

Relacionar-se é evoluir

Nada escapa da lei de causa e efeito. Tudo no universo tende ao equilíbrio, num processo dinâmico de interação que evolui envolvendo a todos pelos laços do relacionamento num verdadeiro romance energético, colocando cada um no melhor lugar para alcançar sua evolução.

E, de par em par, vai se purificando pouco a pouco cada ser, através dos caminhos da eternidade, encontrando-se e desencontrando-se nas paixões que nunca tiveram fim.

 

José Batista de Carvalho

 

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