Por que sentimentos antigos amarram a nossa vida

A infância e as dores que ficam escondidas

Muitas podem ser as causas que nos levam a ter sentimentos de preocupação, ansiedade, incerteza, desânimo, insegurança, medo e outras tantas emoções negativas que, costumamos dizer, nos deixam para baixo.

Isso pode acontecer devido a algo pontual, um motivo conhecido e específico, uma situação que reconhecemos que nos tirou do eixo e que em pouco tempo acabamos superando: o fato motivador vai se distanciando no tempo, levando com ele as emoções que nos incomodavam, e tudo vai se dissolvendo como uma neblina que se desfaz quando o sol aparece.

Outra possibilidade é que esses sentimentos sejam recorrentes. Por vezes nem percebemos claramente sua existência, mas o certo é que eles se tornam responsáveis por nossa incapacidade de realização em alguma área – profissional, financeira, amorosa, de bons relacionamentos familiares ou sociais, saúde, dentre outras – ou em várias delas fazendo, inclusive, que ocorra aquilo que chamamos de “situações que se repetem”.

Neste segundo caso, uma das possíveis causas geradoras desses conflitos são fatos ocorridos no passado, geralmente na infância, que não foram emocionalmente resolvidos. Você pode, até mesmo, nem lembrar claramente daquela situação, mas isso não quer dizer que ela está morta e enterrada. Ao contrário, ela está viva, forte e atuante, influenciando sua vida sem seu conhecimento ou consentimento.

É como se você ainda estivesse retido naquele lugar, sem se dar conta. Está preso a esse fato passado, com um elo energético de ligação entre o ontem e o hoje, como se houvesse um túnel canalizando a energia emocional daquele momento para o presente.

Isso faz com que você reviva, repetidamente, as mesmas sensações desagradáveis e sofridas da época, embora revestidas por outras roupagens e novos personagens em situações diversas. Note que essas situações podem não ter nada a ver com a situação do passado, e parece que elas não trazem nenhum vínculo ou associação. O que se mantém igual é o sentimento doloroso, a dor emocional.

Reconheça e livre-se dos antigos sentimentos que te apequenam

Quando você se propõe a fazer um trabalho de introspecção, é possível que comecem a surgir em sua mente algumas cenas de sua infância. Esse é o momento de traduzir em palavras o que você sentiu na época e tentar perceber se essa energia está ainda hoje atuando na sua vida.

É muito comum, por exemplo, alguém ter passado por uma situação de vexame na escola. Isso faz aflorar o sentimento de vergonha. O que passa na cabeça? “Estou sozinho e desamparado, ninguém me apoia ou protege, me sinto humilhado, não consigo reagir, sou um fraco, estou com medo.” Ou uma situação com os pais: uns tapas muito doídos ou palavras ainda mais dolorosas. Ao que se segue algo como: “Ninguém me entende, ninguém gosta de mim. Não devia ter feito aquilo, não sei fazer nada direito.”E não importa quanto anos se passaram, isto está lá, gravado.

Se você conseguir identificar e rever em sua mente um momento semelhante, fale para você mesmo: “Isto aconteceu comigo, isto não sou eu. Isto aconteceu, é um fato real. Aconteceu e me feriu. Mas aconteceu lá atrás, hoje é outro dia, eu sou outro, cresci, amadureci. Sei que vou continuar me lembrando desse episódio, mas vou tirar sua importância. Vou lembrá-lo, mas ele não vai me afetar. Vou rir dele e sorrir da minha ingenuidade por ter deixado que ele ficasse me azucrinando tanto tempo.”

Além dessa atitude firme e positiva, para se libertar desses sentimento antigos e profundos você pode fazer outra coisa: perdoar. Perdoar sobretudo a você mesmo, por ter se deixado influenciar por essa situação; também perdoar aos outros envolvidos, mentalmente, como uma forma de você se libertar desse vínculo.

Numa célebre frase do Dr. Carl Gustav Jung, ele diz que “tudo o que não enfrentamos aparece à nossa frente como destino para ser resolvido”. A vida nos chama para a resolução de conflitos, para que mais um passo seja dado no nosso caminho evolutivo. Nada que acontece em nossa vida é por acaso.

Ainda assim, se você tem a impressão que não consegue se desfazer desses vínculos criados, insista, persista, dê-se o tempo necessário, para que aos poucos a sua compreensão dissolva esses laços desnecessários e inconvenientes.

O medo, a vergonha, a humilhação, são emoções difíceis de lidar e dissolver. São como lanças fincadas no coração, que deixam marcas profundas. Através da compreensão e do perdão essas duras lâminas vão sendo dissolvidas. A ação do amor divino vai tornando o aço inflexível cada vez mais maleável, até transformá-lo em gentis lírios brancos depositados no altar de seu coração.

 

Noemi C. Carvalho

 


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Categorias:Emoções

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3 respostas

  1. E eu que o diga! Se entendo este texto!!!

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  2. Belo texto! Um convite à reflexão…

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  3. Parabéns! Belíssimo e bem explicado

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