Nós e as cebolas

As cebolas fora da culinária

Quando nossos filhos eram pequenos – nessas épocas em que a temperatura  parece que resolveu andar de montanha russa tamanha a variação num mesmo dia – lembro-me de uma pediatra que dizia para vesti-los como cebolas: em camadas. Aí vai tirando uma camada, duas, três, conforme vai esquentando. Depois, vai pondo de novo.

Mas não é só em relação ao clima que podemos fazer reflexões acerca desse pequeno, útil, saboroso e, às vezes… tão cruel vegetal. Deus, porque fizestes as cebolas tão ardidas aos nossos olhos? Mas se Deus não faz nada por acaso, pensei, o que Ele quer nos mostrar com as cebolas?

Então transpus essas características ao ser humano – pelo menos a grande maioria de nós – que também tem os momentos em que é uma simpatia de pessoa, se preocupa com outros e em como pode ajudar, mostra respeito, compreensão, amabilidade, mas às vezes também tem os momentos em que decepciona, fere, faz chorar. Isto, inclusive, se aplica não só em relação aos outros, mas em relação a si próprio.

Se recordarmos um dos mandamentos divinos, ele fala em “amar ao próximo como a ti mesmo”. Uma pessoa que não se valoriza não consegue valorizar o outro; ela pode ter inveja, ciúme, se recalcar ainda mais pela comparação. Como vai poder valorizar qualidades alheias se nunca sentiu o que é a valorização? Da mesma forma, quem busca ansiosamente a valorização dos outros, quem tem extrema necessidade de ser admirado e reconhecido pelos outros, é porque não consegue se ver como quer que os outros o vejam.

Precisamos tirar as camadas que nos impedem de reconhecer nossas qualidades

Cada pessoa é diferente de todas as outras, estamos cansados de ouvir falar isso. Entretanto, pode ser difícil de compreender e aceitar integralmente essa afirmação. Recorre-se sempre a comparações, mas – já que estamos falando de vegetais – como podemos comparar, por exemplo, nossa conhecida cebola e, digamos, uma melancia? São diferentes em sua forma, tamanho, na textura, nas cores que apresentam, em seu sabor, na utilidade que possuem. E não é o mesmo com todos nós? Cada um tem diferenças físicas, emocionais, de personalidade, talentos e aptidões, qualidades, capacidades e habilidades. Que seria do mundo se fôssemos todos exatamente iguais?

Às vezes ficamos confusos, indignados ou com raiva por não conseguirmos ser o que vimos no outro. Daí sobrevêm o remorso, a culpa, a vergonha. Isso pode nos levar a viver como se mantivéssemos nossas qualidades numa bolha, sem perceber como essa nossa visão voltada apenas para o exterior acaba sendo prejudicial para nós. Acabamos nos enfraquecendo e reforçando crenças e ideias preconcebidas que nos desvalorizam. Assumimos uma imagem distorcida de quem devemos ser e não vemos as alternativas e possibilidades de quem podemos ser.


Você pode complementar este assunto com as seguintes leituras:


Todo sofrimento, para ser útil, deve se transformar num caminho de aprendizado, que nos leve a ter outra visão sobre nós e sobre o mundo. Ninguém é insignificante, incapaz, indefeso. Mas todos precisam assumir a responsabilidade pelas mudanças que desejam.

Criar mudanças pessoais é uma atividade pessoal, ela não acontece por ação de outros. Ninguém pode ver e fazer emergir as qualidades que tentamos manter escondidas.

Marianne Williamson, em seu livro Um retorno ao amor“, descreve esses sentimentos da seguinte forma:

“Nosso maior medo não é sermos inadequados. Nosso maior medo é não saber que nós somos poderosos, além do que podemos imaginar.
É a nossa luz, não nossa escuridão, que mais nos assusta. Nós nos perguntamos: “Quem sou eu para ser brilhante, lindo, talentoso, fabuloso?”.
Na verdade, quem é você para não ser? Você é um filho de Deus.
Você, pensando pequeno, não ajuda o mundo. Não há nenhuma bondade em você se diminuir, recuar para que os outros não se sintam inseguros ao seu redor.
Todos nós fomos feitos para brilhar, como as crianças brilham. Nós nascemos para manifestar a glória de Deus dentro de nós. Isso não ocorre somente em alguns de nós; mas em todos.
Enquanto permitimos que nossa luz brilhe, nós, inconscientemente, damos permissão a outros para fazerem o mesmo.
Quando nós nos libertamos do nosso próprio medo, nossa presença automaticamente libertará outros.”

Vamos parar de chorar ardidas lágrimas pelo que consideramos como insucessos, e comecemos a tirar todas as camadas que nos impedem de reconhecer nossos verdadeiros valores.

 

Noemi C. de Carvalho

 


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