Que tal dar uma chacoalhada na sua vida e sair da mesmice?

A mesmice nossa de cada dia é uma sombra que chega devagar.

A mesmice tem uma característica: suave e lenta, sem avisos, nem um sinalzinho sequer e ela chega, estaciona, como uma árvore agarra a terra, entranha raízes, finca silenciosa presença, transfigura-se em ilusória percepção de estabilidade e calma.

Observa-se essa sombra ano após ano estendendo um manto de conforto e normalidade sob todos os que não mais se dispõe ao calor e luz do sol e comodamente usam essa capa peregrinando, assim, pela vida sem atingir todo o seu potencial.

Essa normalidade serve para que ideais sejam mansamente acomodados e reprimidos, impedindo que o impulso para a realização de aptidões tenha vazão, pois a qualidade dessas forças que brotam da essência do ser causam temor por, na maioria das vezes, não encontrarem referenciais estabelecidos.

O novo desconhecido que tanto medo nos traz, oculta a certeira ruptura de paradigmas que o novo vem apresentar. Entre a aventura da realização do ser e o seguro estabelecimento de um confortável e conhecido roteiro muitas vezes já percorrido, fecham-se os olhos como se isso afastasse o perigo.

Não seja um número das estatísticas

Na estatística, se não estiver enganado, a Curva de Gauss demonstra que grande parte de alguns eventos que observamos ficam em torno de um valor médio, com uma certa variabilidade. Essa curva também é conhecida como curva normal, onde observamos a maior incidência de determinado comportamento.

Ser normal também pode ser entendido como seguir as normas, as regras ou o considerado usual em determinado grupo de pessoas. Podemos também avaliar como o mesmo comportamento da maioria: a mesmice, a padronização, a formação, o colocar em formas.

Essa mesmice chega com um comportamento estimulado por um conjunto de pensamentos, crenças, padrões, normas, hábitos, seguidos por uma maioria em  determinado agrupamento gregário de pessoas, que podem causar o afastamento das qualidades e virtudes individuais das pessoas, o que pode provocar desequilíbrios, enfermidades, infelicidade e perda de sentido na vida.


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A escolha pela falsa segurança do “sempre o mesmo”, que o sistema impõe por ser mais cômodo responder a um conjunto pré-estabelecido de comandos e respostas, impede o indivíduo de ser quem em verdade é.

A aceitação conformada por esse senso comum impede a vazão dos impulsos de vida que brotam na forma de dons, virtudes e aptidões, interrompendo o avanço do desejo interior.

É preciso empreender a marcha ao encontro da essência do ser

Esse verdadeiro transtorno de apequenamento, ou como bem demonstrou Marianne Williamson: “Nosso maior medo não é o de sermos incapazes. Nosso maior medo é descobrir que somos muito mais poderosos do que pensamos. É nossa luz e não nossas trevas, aquilo que mais nos assusta. Vivemos nos perguntando: quem sou eu, que me julgo tão insignificante, para aceitar o desafio de ser brilhante, sedutora, talentosa, fabulosa? Na verdade, por que não?
Procurar ser medíocre não vai ajudar em nada o mundo ou os nossos filhos.
Não existe nenhum mérito em diminuir nossos talentos, apenas para que os outros não se sintam inseguros ao nosso lado. Nascemos para manifestar a glória de Deus – que está em todos, e não apenas em alguns eleitos. Quando tentamos mostrar esta glória, inconscientemente damos permissão para que nossos amigos possam também manifestá-la.
Quanto mais livres formos, mais livres tornamos aqueles que nos cercam.”


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Não é suficiente ser apenas um ego. É preciso empreender a marcha ao encontro da essência do ser, aquilo que em verdade somos, a nossa marca distinta e viva de onde nascem os impulsos da vida. Ir além do simples eu, atingir o self, transcender o mundano e reencontrar nossa origem.

Essa viagem síntese é acompanhada pelo temor do se perder, do enlouquecer que traz a percepção da dissolução do ego – a identidade construída através das experiências familiares, da sociedade, em seus ambientes e relações.

Porém, enfrentando esse temor, percebe-se que o que se desmancha são as ilusões, as imagens construídas a partir de consensos, costumes e normas, as personas alimentadas pela energia do ego que ganham vida substituindo o ser em seus afazeres.

Essa verdadeira chacoalhada, essa revolução, inicia dentro de cada um. No olhar para dentro de si mesmo. No encontro com a dádiva de ser, a realidade impossível de ser perdida.

 

José Batista de Carvalho



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