As soluções que queremos não estão no futuro

Na maior parte das vezes, nós acreditamos que o futuro trará as respostas e as soluções para nossos temores, ansiedades e frustrações.

Por não saber como modificar a situação que nos incomoda ou aflige, creditamos ao tempo o poder de solucionar as questões de ordem pessoal com as quais não queremos ou não sabemos como lidar.

Entretanto, isso se torna apenas uma outra decepção quando constatamos que nada está mudando, que nossa insatisfação ou aflição continua presente, embora o futuro já tenha chegado.

No livro O Poder do Agora, Eckhart Tolle fala da ineficácia desse tipo de comportamento: “O futuro, geralmente, é uma réplica do passado. É possível haver mudanças superficiais, mas as transformações reais são raras e dependem da possibilidade de estarmos presentes para dissolver o passado. Se a nossa mente carrega um grande fardo do passado, vamos sentir isso.”

Se alguém guarda ressentimentos ou mágoas e acredita que ser bem sucedido fará com que se sinta melhor, ainda que alcance poder ou prestígio continuará a manifestar os mesmos sentimentos, os seus registros históricos constantemente resgatados e revividos.

Quem busca num relacionamento a valorização que não tem por si próprio, acabará num relacionamento desgastado, que se tornará vazio e inútil por não conseguir preencher a lacuna existente. Ninguém é capaz de transferir a outra pessoa o sentimento de ser habilidoso, talentoso, capaz, completo.

Quando procuramos uma forma de nos sentir melhor, quando queremos mais qualidade em nossa vida, a melhor forma é, a partir do momento atual, empreendermos ações que nos ajudem a nos libertarmos dos pesos do passado que continuamos arrastando. A paciência é uma virtude, mas a inércia na espera do futuro não pode trazer nenhum resultado.

Você não pode se libertar no futuro

Tolle observa que “a qualidade da nossa percepção neste momento é que determina o futuro. Toda a negatividade é causada pelo acúmulo de tempo psicológico e pela negação do presente. O desconforto, a ansiedade, a tensão, o estresse, a preocupação, todas essas formas de medo são causadas por excesso de futuro e pouca presença. A culpa, o arrependimento, o ressentimento, a injustiça, a tristeza, a amargura, todas as formas de incapacidade de perdão são causadas por excesso do passado e pouca presença.”

É interessante notar essa divisão que Tolle faz entre os sentimentos percebidos e o tempo a que eles se ligam. Vemos que eles foram agrupados em duas categoria básicas: os sentimentos relacionados ao medo e aqueles ligados ao perdão.

Os primeiros – o desconforto, a ansiedade, a tensão, o estresse, a preocupação relacionados ao medo do futuro, geram todo tipo de expectativa e ansiedade quando tentamos lidar com fatores sobre os quais não vemos possibilidade de direcionamento ou controle, ficando no aguardo de que resultados favoráveis se concretizem.


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Por outro lado, os sentimentos agrupados como sendo acionados pela falta de perdão – a culpa, o arrependimento, o ressentimento, a injustiça, a tristeza, a amargura – têm o seu vínculo com o passado, por sentimentos decorrentes de ações que nos feriram e de cuja dor não conseguimos nos libertar.

Medo e falta de perdão podem denotar um desequilíbrio na autoestima, que por sua vez, ocorre pela falta de confiança decorrente de um distanciamento de nosso eu superior, de nossa essência. Uma das maneiras de conseguirmos essa aproximação e fortalecermos nossa autoestima é vivendo integralmente no momento presente, libertos das amarras do passado e do futuro.

O único lugar onde pode ocorrer uma mudança verdadeira e onde o passado pode se dissolver é neste momento, aqui e agora.” – Eckhart  Tolle

Isso pode exigir de nós certo emprenho e dedicação, como Tolle também esclarece: “Talvez seja difícil reconhecer que o tempo é a causa do nosso sofrimento ou de nossos problemas. Acreditamos que eles são causados por situações específicas em nossas vidas, e, de um ponto de vista convencional, isso é uma verdade. Mas enquanto não lidarmos com a disfunção básica da mente – o apego ao passado e ao futuro e a negação do presente – os problemas apenas mudam de figura.”

Nós vivemos entre dois tempos: um tempo passado sobre o qual não temos nenhuma possibilidade de ação, e um tempo futuro para o qual apenas construímos expectativas.

Enquanto deixarmos que nossos dias vagueiem entre esses dois espaços de tempo distantes da nossa realidade será muito difícil que consigamos alcançar uma realização externa que também nos traga sentimentos de satisfação, alegria e paz.

 

Noemi C. Carvalho 

 


LêAqui: a resposta certa na hora certa


 

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