Como funciona a química da felicidade

As várias tentativas para definir a felicidade

Todos, sem distinção, buscam em suas vidas a realização, buscam atingir algo, algum objetivo que, ao ser concretizado, desperte a sensação de felicidade. Não importa se esse objetivo é algo material, social, emocional ou espiritual, a busca e a chegada ao objetivo despertam essa sensação que faz a vida valer a pena.

O Dr. Freud afirmava que a busca pela felicidade é o que move o indivíduo. Mas essa busca, segundo ele,  seria uma procura ilusória, pois não seria possível atingi-la no mundo real, uma vez que as constantes mal sucedidas experiências trazem frustração e tristeza, e assim, a felicidade seria apenas uma experiência parcialmente vivida.

Os antigos gregos afirmavam que a felicidade é um instante de vida que vale por ele mesmo, ou seja, a fugaz e intensa experimentação das sensações associadas à felicidade por si só trazem tamanha satisfação que, por mais efêmero que seja, consegue materializar o estado de felicidade.

Para os budistas, a felicidade ocorre por meio da liberação dos sofrimentos e pela superação dos desejos que produzem os sofrimentos, enfim,  seria possível atingi-la através do treinamento e desenvolvimento mental. O próprio Dalai Lama diz que, acreditando ou não em religião, todos buscam algo melhor na vida, e assim a busca da felicidade seria o objetivo da vida.

Como vemos, é difícil definir algo que geralmente é mais idealizado do que experimentado, pois assim como a tristeza, aparece em ondas, manifestando-se em ciclos que vêm e vão, cada vez apresentando-se com graus diferentes e por motivos diversos.


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Nosso organismo tem um “quarteto da felicidade”

Apesar do caráter individual que esse conjunto de sensações e emoções apresenta, o processo biológico que desencadeia essas percepções físicas é basicamente composto por quatro substâncias químicas naturais presentes no organismo que poderíamos designar como  o “quarteto da felicidade”: endorfina, serotonina, dopamina e oxitocina.

Em seu livro “Hábitos de um cérebro feliz“, a professora Loretta Breuning descreve como a felicidade se materializa quando o cérebro lança essas substâncias no organismo.

Cada uma das substâncias tem um papel característico, entra em ação deflagrando a reação e logo depois se extingue. Isso explica, segundo a professora, o porque das sensações desaparecerem e não permanecerem por um tempo prolongado.

Vamos agora ver como é e funciona cada uma dessas substâncias, de acordo com reportagem publicada pela BBC News, e alguns modos de ativá-las.

Endorfina

Descoberta há 40 anos, as endorfinas são uma espécie de analgésico natural. Loretta Breuning descreve sua ação como “uma breve euforia que mascara a dor física“.

A ingestão de alimentos apimentados é uma das maneiras de liberar esses opiáceos naturais, o que induz uma sensação de felicidade. Mas essa não é a única maneira de obter uma “dose” de endorfina.

De acordo com estudo publicado no ano passado por pesquisadores da Universidade de Oxford (Inglaterra), assistir a filmes tristes também eleva os níveis da substância. Segundo Robin Dunbar, professor de Psicologia Evolutiva e autor do estudo, “aqueles que tiveram maior resposta emocional também registraram maior aumento na resistência a dores e sentimento de unidade em grupo”.

Dançar, cantar e trabalhar em equipe também são atividades que melhoram, por meio de um aumento nas endorfinas, a união social e tolerância à dor, afirma Dunbar.

Serotonina

Como a serotonina flui quando você se sente importante, o sentimento de solidão e até mesmo a depressão são respostas químicas à sua ausência.

Nas últimas quatro décadas, a questão de como manipular o sistema serotoninérgico com drogas tem sido uma importante área de pesquisa em biologia psiquiátrica e esses estudos têm levado a avanços no tratamento da depressão“, escreveu em 2007 Simon Young, editor-chefe na revista Psiquiatria e Neurociência.

Dez anos mais tarde, a depressão se situa como a principal causa principal de invalidez em todo o mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Trata-se de transtorno mental que afeta mais de 300 milhões de pessoas.

A estratégia mais simples para elevar o nível de serotonina é recordar momentos felizes, diz Alex Korb, neurocientista do site Psicologia Hoje.

Um sintoma da depressão é esquecer situações felizes. Por isso, acrescenta Korb, olhar fotos antigas ou conversar com um amigo pode ajudar a refrescar a memória.

O neurocientista descreve três outras maneiras: tomar sol, receber massagens e praticar exercícios aeróbicos, como corrida e ciclismo.

Dopamina

A dopamina  costuma ser descrita como responsável por sentimentos como amor e luxúria, mas também já foi tachada de ser viciante. Daí sua descrição como “mediadora do prazer”.

Baixos níveis de dopamina fazem que pessoas e outros animais sejam menos propensos a trabalhar para um propósito”, afirmou John Salamone, professor de Psicologia na Universidade de Connecticut (EUA), em estudo sobre efeitos da dopamina no cérebro publicado em 2012, na revista Neuron.

Por isso, acrescentou o pesquisador, a dopamina “tem mais a ver com motivação e relação custo-benefício do que com o próprio prazer.”

O certo é que essa substância química é acionada quando se dá o primeiro passo rumo a um objetivo e também quando a meta é cumprida.

Além disso, pode ser gerada por um fato da vida cotidiana (por exemplo, encontrar uma vaga livre para estacionar o carro) ou algo mais excepcional (como receber uma promoção no trabalho).

A melhor maneira de elevar a dopamina, portanto, é definir metas de curto prazo ou dividir objetivos de longo prazo em metas mais rápidas. E celebrar quando atingi-las.

Oxitocina

Por ser relacionada com o desenvolvimento de comportamentos e vícios maternos, a oxitocina é muitas vezes apelidada de “hormônio dos vínculos emocionais” e “hormônio do abraço”.

Segundo estudo publicado em 2011 pelo ginecologista e obstetra indiano Navneet Magon, “a ligação social é essencial para a sobrevivência da espécie (humanos e alguns animais), uma vez que favorece a reprodução, proteção contra predadores e mudanças ambientais, além de promover o desenvolvimento do cérebro.”

“A exclusão do grupo produz transtornos físicos e mentais no indivíduo, e, eventualmente, leva à morte”, acrescenta.

Por isso, o obstetra considera que a oxitocina tem uma “posição de liderança” nesse “quarteto da felicidade”: “É um composto cerebral importante na construção da confiança, que é necessária para desenvolver relacionamentos emocionais.”

Abraçar é uma forma simples de se conseguir um aumento da oxitocina. Dar ou receber um presente é um outro exemplo.

Breuning, da Universidade da Califórnia, também aconselha construir relações de confiança, dando “pequenos passos” e “negociando expectativas” para que ambas as partes possam concretizar o vínculo emocional.

Como observamos, a máxima de que não precisamos sair em busca da felicidade pois ela já está em nós, além de verdadeira, é fisicamente comprovada. A questão é que ainda não sabemos bem controlar os pensamentos e, assim, muitas das nossas escolhas não são as melhores, o que cria uma espécie de círculo vicioso de frustração, que gera insatisfação e sensação de baixa estima, inibindo assim nosso cérebro de formular a química da felicidade.

 

José Batista de Carvalho

 

com informações de BBC News

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Categorias:Emoções

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1 resposta

  1. Maravilhoso! Gratidão profunda.

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