Você sabe o que é uma embalagem inteligente?

Cientistas brasileiras desenvolvem embalagens biodegradáveis ativas e inteligentes.

As embalagens ativas possuem substâncias capazes de interagir com o alimento para prolongar sua vida de prateleira.

Já as embalagens inteligentes têm mecanismos que possibilitam detectar processos de deterioração, oscilações de temperatura sofridas no armazenamento ou até indicar, pela mudança da cor, se uma fruta está madura para o consumo.

Há mais de uma década pesquisadoras do LEA – Laboratório de Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo (USP) – vêm estudando diversas fórmulas de polímeros com o objetivo de encontrar matérias-primas biodegradáveis que possibilitem substituir o plástico de origem fóssil na produção de embalagens e filmes.

Matérias-primas de origem vegetal e resíduos agroindustriais geram alternativas ao plástico e incluem outras utilidades para as embalagens, como conservar os alimentos.

Nos últimos anos, as pesquisas tornaram-se ainda mais ambiciosas e passaram a buscar também materiais com atributos diferenciais: as chamadas embalagens “ativas” e “inteligentes”.

Como funciona a embalagem inteligente

As embalagens inteligentes possuem substâncias como antioxidantes e antimicrobianos que dão a elas novas utilidades. Numa das pesquisas, por exemplo, a adição de uma substância da casca da uva – antocianina a um filme maleável à base de amido de mandioca pode indicar se a carne vermelha ou o peixe já estão em deterioração e não podem mais ser consumidos.

Ao ser usado para embalar carnes e peixes esse filme muda de cor, do roxo para o azul, quando o alimento se deteriora. “No processo de deterioração, esses alimentos liberam amônia e o pH do meio fica mais básico. Ao reagir à mudança de pH, a antocianina muda de cor”, explica a aluna de mestrado e engenheira de Alimentos Thaís Dale Vedove.

“Um dos nossos principais desafios era desenvolver um filme biodegradável resistente e maleável para embalagens, que pudesse ser produzido em larga escala e por um preço competitivo em comparação ao plástico derivado do petróleo”, diz a professora da Poli, Carmen Cecilia Tadini, coordenadora do LEA e diretora de Transferência de Tecnologia do Centro de Pesquisa em Alimentos (Food Research Center – FoRC), que colabora com os estudos. “Ao mesmo tempo, são pesquisadas substâncias com atributos diferenciais, como antioxidantes ou antimicrobianos”, acrescenta.

Em busca de uma embalagem sustentável, biodegradável e comercialmente viável

Segundo a coordenadora do LEA, esta pesquisa já superou o principal desafio para tornar o produto viável industrialmente, que é impedir que a matéria-prima se degrade ao entrar em contato com as altas temperaturas que ocorrem no processo de extrusão nas fábricas.

Trata-se de uma inovação disruptiva, pois ainda não existem tecnologias que resultem em um filme maleável, 100% biodegradável, e comercialmente viável”, afirma Tadini.

Outra rota testada pelas cientistas foi criar um material híbrido, composto de biopolímero e polímeros tradicionais, que teria menor impacto ambiental ao ser descartado. A fórmula testada mistura o amido de babaçu e o polipropileno, deixando esse material parcialmente biodegradável.

O material  já mostrou que tem condições de competir com o plástico convencional”, destaca a química Bianca Chieregato Maniglia, pesquisadora do FoRC e da Poli – Escola Politécnica (USP) – responsável pela pesquisa.

Muitas embalagens foram desenvolvidas a partir de materiais renováveis ou biodegradáveis, mas até o momento nenhuma delas conseguiu reunir as condições ideais.

Aquelas produzidas a partir de materiais renováveis, como amido (PLA) ou cana-de-açúcar (polímero verde) não são biodegradáveis ou precisam de condições específicas para que ocorra a degradação.

Outras, como as oxibiodegradáveis, estão causando mais problemas ao meio ambiente. Elas não são biodegradáveis, apenas as partículas se rompem ao longo do tempo, penetrando no solo, na água, nos micro-organismos.

 

Com informações do Jornal da USP

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