Porque o plástico está se tornando uma ameaça aos oceanos e à vida na Terra

Os oceanos são responsáveis pela maior parte da produção do oxigênio necessário à manutenção da vida na Terra, e estão sendo colocados em risco pelo uso de plástico.

Os oceanos cobrem mais de 70% da superfície terrestre e abrigam os organismos vivos que produzem mais da metade do oxigênio presente na atmosfera. São também agentes reguladores do clima, fornecem alimento e suportam atividades econômicas em escala mundial em setores como o turismo, a pesca e o transporte internacional.

O uso crescente de produtos feitos à base de material plástico, o descarte indevido, a falta de programas adequados de reciclagem estão levando a um índice de contaminação do ambiente marinho que pode atingir proporções catastróficas para a vida no planeta, se medidas não forem tomadas urgentemente.

Quem produz o oxigênio que respiramos

As árvores produzem oxigênio durante o processo de fotossíntese, mas elas também o consomem durante o processo conhecido como respiração celular que ocorre durante a noite, quando não há sol para a fotossíntese. A equipe de pesquisa de Nadvinder Malhi, do Instituto de Mudança Ambiental da Universidade Oxford, calcula que as árvores inalam quase metade do oxigênio que produzem dessa forma.

Por causa desse equilíbrio entre produção e consumo de oxigênio, os ecossistemas modernos quase não alteram os níveis de oxigênio na atmosfera. Na verdade, o oxigênio que respiramos é o legado do fitoplâncton nos oceanos que há bilhões de anos acumula constantemente o oxigênio que tornou a atmosfera respirável, explica Scott Denning, cientista atmosférico da Colorado State University.

As algas marinhas são responsáveis pela produção de 54% do oxigênio do mundo. O oceano produz oxigênio através do fitoplâncton – conjunto dos organismos aquáticos microscópicos que flutuam na superfície marinha, produzindo oxigênio pela fotossíntese. Um tipo de fitoplâncton, o Prochlorococcus, libera inúmeras toneladas de oxigênio na atmosfera. É tão pequeno que milhões podem caber em uma gota de água e talvez o organismo fotossintético mais abundante do planeta.

A importância dos oceanos não se restringe à produção de oxigênio

Os mares atuam como reguladores do clima no planeta. Segundo o Instituto Brasileiro de Florestas (IBF), sem os serviços prestados pelo oceano, a temperatura poderia ultrapassar 100°C e inviabilizar a vida na Terra.

O grande volume de água dos oceanos mantém as temperaturas mais amenas no planeta, devido a características físico-químicas da água, que favorecem a absorção e a liberação lenta de calor. Como consequência, ela evita que as temperaturas subam muito durante o dia ou baixem demais à noite, fato que é apontado por pesquisadores como um dos fatores que permitiu o surgimento e a permanência da vida na Terra.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), peixes e frutos do mar são a principal fonte de proteína para uma em cada quatro pessoas no mundo. Os oceanos garantem proteína animal para mais de 1 bilhão de pessoas no mundo, sendo a principal fonte de alimentação para pessoas que vivem em condições de pobreza, mas moram próximas ao mar.

Cerca de 80% da água evaporada no mundo para a formação de chuvas é proveniente dos oceanos. Ela é transportada pelos ventos aos continentes e, dessa maneira, estimula o aumento da quantidade de chuva em certas regiões costeiras, responsável pela manutenção de ecossistemas como as florestas tropicais úmidas.

Os oceanos são também grande receptores do gás carbônico (CO₂) que é liberado pela queima de combustíveis como carvão, gasolina e diesel, responsáveis por elevações de temperatura ao ficar retido na atmosfera. Parte desse CO₂ é absorvido pelos mares, mas o excesso torna as águas mais ácidas prejudicando a vida marinha.

O que está acontecendo com os oceanos e a vida marinha

Apesar da sua extrema importância, os oceanos estão ameaçados gravemente pela ação humana. Estima-se que anualmente 8 milhões de toneladas de resíduos plásticos chegam aos oceanos e que mais de metade das águas residuais do mundo são despejadas nos mares sem tratamento. A poluição por nutrientes de descargas de esgotos e da agricultura cria as chamadas “zonas mortas” nos oceanos, associadas aos “florescimentos” de algas que consomem o oxigênio da água.

Muitos dos produtos que usamos na higiene e limpeza têm microesferas que poluem o oceano, e a poluição através do plástico é o maior problema ambiental da atualidade, colocando em risco mais de 600 espécies marinhas.

Os resíduos de plástico estão poluindo cada vez mais os mares e, de acordo com uma estimativa, até 2050 os oceanos poderão conter, por peso, mais plástico do que peixes.

Entre a perda de equipamento de pesca e os dez artigos de plástico descartáveis ​​mais encontrados nas costas europeias, juntos, esses dois grupos correspondem a 70% do lixo marinho. Os artigos descartáveis de plástico são o maior grupo único de resíduos encontrados nas margens do mar, representando quase metade de todo o lixo marinho, entre os quais se encontram:

  • talheres
  • garrafas
  • copos
  • tampas
  • canudos
  • sacolas
  • cotonetes
  • embalagens de doces e salgados

Além de sujar as margens costeiras, o plástico provoca ferimentos nos animais marinhos que se entrelaçam nas peças maiores e confundem os pedaços menores que são ingeridos como comida, podendo levar ao desenvolvimento de reações tóxicas ao organismo e à morte. Os seres humanos comem plástico através da cadeia alimentar, e a forma como isso afeta a sua saúde é ainda desconhecida.

Atualmente existem mais de 150 milhões de toneladas de plástico nos oceanos. Uma estimativa aponta que entre 5 a 12 milhões de toneladas, aproximadamente, chega aos oceanos anualmente.

Ainda é tempo de preservar

O evento “Conexão Oceano”, realizado no Rio de Janeiro, teve a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) entre os organizadores, e foi o primeiro no Brasil a se voltar para comunicadores, influenciadores e pesquisadores com o objetivo de estruturar diretrizes para engajar a sociedade sobre a importância do oceano.

A maneira mais eficaz de resolver o problema é evitar que mais plástico chegue aos oceanos. Pesquisadores de todo o mundo estão empenhados em buscar soluções inovadoras, a partir de matérias primas renováveis e sustentáveis.

É preciso mudar hábitos de consumo e práticas de produção para preservar os oceanos, e consequentemente, a vida no planeta.

 

com informações de:

 


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