A vida nas cidades aumenta ansiedade e depressão.

Casos de ansiedade e depressão crescem no mundo.

A depressão, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), afeta pessoas de todas as idades e estilos de vida, causa angústia e interfere na capacidade de o paciente fazer até mesmo as tarefas mais simples do dia a dia e, “no pior dos casos, a depressão pode levar ao suicídio, segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos”.

A estimativa da OMS indica que, atualmente, mais de 300 milhões de pessoas de todas as idades sofram com a doença em todo o mundo, sendo a principal causa de incapacidade laboral no planeta. Cerca de 5,8% da população brasileira sofre de depressão – um total de 11,5 milhões de casos. Os dados também mostram que quase 800 mil pessoas morrem anualmente em razão de suicídio.

Leia aqui: Utilidade Pública: Setembro Amarelo – uma campanha para prevenção do suicídio

Menos da metade das pessoas afetadas pela depressão recebem ajuda médica.

A depressão é diferente de flutuações habituais de humor e respostas emocionais de curta duração aos desafios da vida cotidiana. Especialmente quando de longa duração e com intensidade moderada ou severa, ela pode se tornar um sério problema de saúde”, esclarece a OMS.

A organização também alertou que, apesar da existência de tratamentos efetivos para a depressão, menos da metade das pessoas afetadas no mundo – e, em alguns países, menos de 10% dos casos – recebe ajuda médica. As barreiras incluem falta de recursos, falta de profissionais capacitados e o estigma social associado a transtornos mentais, além de falhas no diagnóstico.

O fardo da depressão e de outras condições envolvendo a saúde mental está em ascensão em todo o mundo”, concluiu a OMS, ao cobrar uma resposta compreensiva e coordenada para as desordens mentais por parte de todos os países-membros.

Leia aqui: Às vezes sinto-me doente de mim mesmo

A crescente urbanização está associada ao aumento de casos de depressão.

Um estudo publicado em 2015revela um caminho pelo qual a experiência na natureza pode melhorar o bem-estar mental e sugere que áreas naturais acessíveis em contextos urbanos podem ser um recurso crítico para a saúde mental em nosso mundo em rápida urbanização.”

Segundo o estudo, mais de 50% das pessoas agora vivem em áreas urbanas, e até 2050 essa proporção será de 70%, e a urbanização está associada ao aumento dos níveis de doença mental, incluindo a depressão, mas ainda não está claro o porquê.

Vários estudos científicos ao redor do mundo vêm comprovando o benefício de passeios e atividades em ambientes naturais para auxiliar tratamentos diversos como redução de pressão arterial, doenças cardíacas, diabetes, estresse, ansiedade, entre outros.

Leia aqui: Você também anda sofrendo de ansiedade?

Como 90 minutos de passeio junto à natureza beneficiam a saúde.

Através de um experimento controlado, foi investigado se a experiência na natureza influenciaria a ruminação (pensamento repetitivo focado em aspectos negativos do eu), um fator de risco conhecido para doenças mentais.

Os participantes que fizeram uma caminhada de 90 minutos em um ambiente natural relataram níveis mais baixos de ruminação e mostraram atividade neural reduzida em uma área do cérebro ligada ao risco de doença mental, em comparação com aqueles que passearam por um ambiente urbano.

Os resultados do estudo sugerem que áreas naturais acessíveis podem ser vitais para a saúde mental em nosso mundo em rápida urbanização.

Médicos na Escócia já prescrevem passeios na natureza.

Os médicos na Escócia foram autorizados a prescrever a natureza a seus pacientes, como complemento de tratamentos de saúde. Caminhadas, observação e atividades junto à natureza estão sendo prescritas por médicos a pacientes nas Ilhas Shetland, na Escócia.

O projeto chamado “Nature Prescriptions” foi implementado em Outubro de 2018 pelo National Health Service (NHS), o sistema público de saúde do Reino Unido. São sugeridos roteiros e atividades diárias ou semanais, ou pequenas viagens que podem ser em locais arborizados ou em praias, promovendo uma reconexão com a natureza.

Como parte do projeto, a a Sociedade Real de Aves da Escócia (RSPB Escócia) elaborou um calendário e um folheto com uma lista de passeios e atividades, para que os médicos distribuam aos pacientes. “Por meio do projeto, médicos e enfermeiros podem explicar e promover os muitos benefícios que a vida ao ar livre pode ter no bem-estar físico e mental”, disse Lauren Peterson, do NHS Shetland.

Leia aqui: Minimalismo: um jeito despojado de viver

O calendário do bem-estar da Escócia.

O calendário, disponível online, incentiva os pacientes a praticar atividades em ambientes naturais com sugestões para cada mês do ano. Grande parte delas orienta para fazer as observações dedicando atenção e concentração a cada movimento, como:

  • perceba cada diferente sensação do clima, seja sol, vento ou chuva, isentando-se de críticas por preferência
  • sinta as diferentes texturas das árvores, compare formatos de troncos, de copas, de folhas
  • observe os desenhos formados pelas nuvens, como eles se dissipam e se transformam
  • identifique diferentes pássaros e preste atenção aos seus cantos
  • cuide de jardins ou vasos de planta
  • passe um tempo com um cachorro, mesmo que seja de um amigo ou em abrigos onde permitam o contato
  • sente num gramado e procure folhas ou pedras para fazer uma pequena escultura
  • sinta as diferenças de aroma das folhas de plantas diferentes
  • se estiver próximo ao mar ou a um rio, veja o movimento e ouça o som das águas
  • faça um piquenique com a família ou com amigos, num parque ou no quintal de casa
  • ponha alimentos e água para pássaros e observe-os comendo e se banhando

Enfim, muitas são atividades simples que não dependem de muito tempo, como ter que se deslocar até um parque, nem um investimento financeiro, como para uma viagem. Podemos praticar até mesmo do quintal de casa ou da janela do apartamento, alguns minutos ao dia. Essa atitude vai melhorar nossa atenção, acalmar a mente – que “aprende” a se concentrar no aqui e agora, trazendo muito benefícios para a saúde e o bem-estar.

Estados Unidos também comprovam o benefício de áreas verdes para controle da depressão e saúde em geral.

Pesquisadores da Harvard TH Chan School of Public Health e do Brigham and Women’s Hospital examinaram mais de 108.000 mulheres inscritas no Nurse’s Health Study – uma investigação nacional sobre fatores de risco para doenças crônicas graves em mulheres, no período compreendido entre 2000 a 2008.

Peter James, autor do estudo e pesquisador associado do Departamento de Epidemiologia da Harvard Chan School, informa  que a pesquisa mostrou que a exposição à natureza pode combater a depressão, diminuir os níveis de estresse, melhorar a pressão sanguínea, além de aumentar as habilidades criativas e cognitivas. Apesar de ter sido realizada apenas com um público feminino, a equipe acredita que as descobertas seriam semelhantes se os homens fossem incluídos no estudo.

O estudo sugere que vários fatores, entre os quais menor exposição à poluição e maior sociabilidade e atividade física, podem ter um papel importante na redução da taxa de mortalidade, incluindo a melhoria da saúde mental, medida através dos níveis de depressão. James declarou que “ficamos surpresos com a magnitude do caminho da saúde mental.”

Leia aqui: Usar bem o tempo faz sua vida melhor

Design urbano pode ajudar a planejar áreas residenciais saudáveis

O estudo conduzido por Peter James é primeiro a considerar a ligação entre o ambiente natural e a saúde por um período tão longo. Segundo ele, a grande maioria da pessoas que participaram do estudo (84%) vivem em áreas urbanas. Mas os resultados obtidos podem direcionar projetos de planejamento urbano a privilegiar manutenção e criação de áreas verdes “para criar lugares mais saudáveis ​​e sustentáveis. Este estudo é outro passo para aumentar a evidência de que a natureza pode estar relacionada a uma saúde melhor.”, disse James.

Muitos dos problemas de saúde estão sendo causados ​​por rotinas estressantes, maus hábitos e o caos da vida em cidades muito urbanizadas. Trânsito, congestionamento, transporte públicos lotados, filas em bancos, em supermercados, em restaurantes e cinemas, em shows e eventos, fazem que não só os dias de trabalho, mas também os momentos dedicados ao lazer, se tornem causadores de estresse.

Leia aqui: Como evitar o esgotamento energético

Sempre que você puder, procure ficar em contato com ambientes naturais. Observe a natureza que ainda resta no entorno – nas praças, nos canteiros centrais – mesmo numa cidade muito urbanizada. Olhe para cima, veja os pássaros, acompanhe as nuvens. São pequenos momentos que vão lhe trazer grandes benefícios.

 

Noemi C. Carvalho

 

com informações CNN (out’18), CNN (Abr’17), HSC-Manguinhos, Nation PNAS

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