Você tem a sensação de que o tempo está voando?

Às vezes temos a estranha sensação de que o tempo não passa de um jeito igual, linear.

Quem já não sentiu o tempo passar despercebido, engolfar horas, anos, sonhos, vida?

O tempo é o grande inimigo das realizações, é o sorvedouro por onde escoam as melhores ideias, os mais ambiciosos projetos, os mais singelos desejos.

Mas falando em termos práticos: você já teve aquela sensação do dia ter acabado e parece que você não fez nada? Então começa a reprisar tudo o que você fez, que horas começou, quanto tempo levou, porque parece que o tempo simplesmente sumiu, o relógio pulou alguns números e o tempo avançou sem te dar tempo de fazer mais.

Em compensação, às vezes você faz um monte de coisas, olha para o relógio e, para sua surpresa, ainda é bem menos do que você achou que seria. Bem, já dizia Eisntein que o tempo é relativo, e mesmo a relatividade é relativa. Quero dizer que a noção da passagem do tempo não é a mesma para pessoas diferentes e nem para nós mesmos.

Cada vez mais se fala da sensação de que o tempo está passando mais rápido.

Mas parece haver um consenso sobre a aceleração do tempo, uma sensação quase unânime de que o tempo está passando mais depressa, ontem era Natal e amanhã já é Natal de novo. Ou qualquer coisa parecida.

De acordo com Steve Taylor, professor de Psicologia da Leeds Beckett Universityquando somos crianças a vida é uma despreocupada diversão: amigos, brincadeiras, férias, até períodos de aulas passam alegremente.

O cenário da vida adulta, os compromissos, as responsabilidades e as obrigações parece que aceleram o passar do tempo num ritmo cada vez mais alucinante, com Natais e aniversários chegando antes de completar os doze meses. Ou, pelo menos, essa é a sensação.

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O que origina as diferentes percepções sobre a passagem do tempo?

Segundo Taylor, nossa experiência do tempo é flexível, acelerando em algumas situações e desacelerando em outras. Então, talvez, ao entender os processos psicológicos por trás de nossas diferentes experiências de tempo, possamos desacelerar um pouco as coisas.”

De acordo com suas observações, existem dois fatores relevantes nessa mensuração de tempo na vida adulta: uma delas é a sensação que o tempo acelera à medida que nos tornamos mais velhos; outra é que a passagem do tempo parece diminuir quando estamos em ambientes novos ou tendo experiências inéditas.

Isto acontece pois quanto mais informações são coletadas por nossa mente, incluindo percepções, sensações e pensamentos, mais devagar parece a passagem do tempo. Para as crianças, idade em que todas as experiências são novas, existe o deslumbramento das descobertas, a novidade das sensações vividas, o mundo é um lugar fascinante a ser desvendado.

À medida que crescemos, a novidade dá lugar à rotina, as descobertas são cada vez mais escassas, tudo à nossa volta é conhecido e entendiante. Desta forma, nossas experiências são eventos repetitivos, temos menos informações a processar, e o tempo parece acelerar.

Como “estender” o tempo à nossa frente?

Para Taylor, existem formas de expandir a nossa experiência com relação à passagem do tempo. Quando estamos em ambientes novos e desconhecidos, por exemplo, nossas mentes precisam processar uma quantidade de informações muito maior do que o normal.

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Um passeio ou uma viagem a um lugar novo, onde tudo é desconhecido, aguça nossa curiosidade e prestamos muito mais atenção em tudo, aumentando consideravelmente a quantidade de informações recebidas e que precisam ser processadas.

Aprender novas atividades, participar de cursos e treinamentos, sobretudo em grupos de pessoas desconhecidas, também estimula a observação e a atenção, dando a sensação que passou um período de tempo maior do que se estivéssemos desenvolvendo uma atividade rotineira em casa ou no trabalho.

Para desacelerar o tempo, uma vez que a familiaridade faz que tenhamos a sensação de que o tempo passa mais rápido, o ideal é tentar praticar tantas novas atividades quanto possível: passeios para lugares novos, conhecer pessoas diferentes, estimular a mente com cursos e informações. Aumentar a carga de informações a serem processadas pela mente faz com que se amplie a experiência de passagem do tempo, ou seja, vai diminuir nossa sensação de que ele passa voando.

Mudando sua atitude, você muda sua percepção do tempo.

Além disso, de acordo com Taylor, a maneira mais eficiente para alterar a sensação da passagem do tempo é “fazendo um esforço consciente para estar mais ‘atentos’ a nossas experiências. Atenção plena significa dar toda a nossa atenção a uma experiência – ao que estamos vendo, sentindo, provando, cheirando ou ouvindo – e não aos nossos pensamentos.

Significa viver através de nossos sentidos e de nossa experiência, e não através de nossas mentes. 

É uma abordagem diferente para evitar a familiaridade – e acontece não buscando novas experiências, mas mudando nossa atitude diante de nossas experiências.

Quando você estiver tomando banho de manhã, por exemplo – em vez de deixar sua mente tagarelar sobre as coisas que você tem que fazer hoje ou as que você fez ontem à noite, tente chamar sua atenção para o aqui e agora, realmente estar ciente da sensação da água espirrando e escorrendo pelo seu corpo e da sensação de calor e limpeza que você sente.

Ou a caminho de casa, saindo do trabalho, no ônibus ou no trem – em vez de refletir sobre todos os problemas com os quais teve de lidar no trabalho, concentre sua atenção fora de si. Olhe para o céu, para as casas e os edifícios por onde passa e esteja consciente de si mesmo aqui, viajando entre eles.”

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Valorize seu tempo, valorizando suas atividades.

Direcione sempre a sua atenção para aquilo que você está fazendo no momento. Preste atenção aos objetos e ao ambiente ao seu redor, concentre-se naquilo que você está fazendo, ainda que seja uma atividade rotineira.

Veja o que está à sua frente, sinta as sensações: se você vai tomar um café, observe a xícara, o líquido, a fumaça, o aroma, suas mãos, seus dedos. Se vai passar manteiga numa fatia de pão, sinta a textura, deslize a espátula, veja a cobertura se estendendo no ritmo de seus movimentos.

Ao contrário do que pode parecer, você não vai ficar uma eternidade para tomar um café, ou comer um pãozinho. Talvez você demore alguns segundos a mais, mas isso vai tornar qualquer atividade ou tarefa mais agradável, tirando o sentimento de pressa, de falta de tempo, de que o tempo que corre e não percebemos ele passar.

Faça do tempo seu amigo e aliado.

Taylor conclui dizendo que “deste ponto de vista, não precisamos pensar no tempo como um inimigo. Até certo ponto, podemos entender e controlar nossa experiência de passagem do tempo.”

O tic-tac tem o mesmo ritmo em qualquer hora do dia ou da noite, da semana ou do mês, na cidade, na praia ou no campo. A sensação que temos é que é diferente. E mesmo que não tenhamos controle sobre o andamento do tic-tac, temos a possibilidade de perceber o ambiente à nossa volta de um outro jeito.

Podemos direcionar nossos pensamentos, não permitindo que ele se percam em túneis do tempo, levando-nos em cansativas e improdutivas viagens para qualquer lugar distante do presente, do aqui e agora.

Vale a pena se esforçar um pouco, colocar algumas dessas dicas em prática, criar um novo e salutar hábito.

Afinal, todos queremos ter a sensação de paz e serenidade que surge quando paramos de brigar com o tempo e com o relógio, não é mesmo?

 

Noemi C. Carvalho

 

com informações de The Conversation 

 

 


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