O silêncio traz muitas respostas

Os sons do ambiente moderno encobrem os sons interiores.

Quem vive em cidades grandes e tumultuadas está acostumado aos selvagens sons da selva urbana: o trânsito rastejando vagarosamente; ônibus, caminhões, metrôs e trens rugindo ferozmente; sirenes e buzinas com gritos altos e estridentes cortando o espaço; os pássaros metálicos trovejando pelos ares; pessoas, músicas, megafones, todos falando alto, invadindo casas, escritórios, ouvidos alheios.

Quem vive assim, até estranha o silêncio. Quando tudo se cala, dá uma sensação de vazio, de solidão, uma estranheza que até parece tédio ou temor. Por que será que temos esta sensação?

Talvez porque quando param os rumores externos, quando param as distrações do ambiente, somos levados a ouvir nossos “barulhos internos”: pensamentos e emoções que tentamos manter longe de nossa percepção vêm à tona, exigem atenção, querem se impor e dominar nosso ambiente pessoal.

O explorador que considera que o silêncio está em extinção.

Vivemos na era do barulho. O silêncio está quase extinto“, diz Erling Kagge, explorador e autor que nasceu em Oslo, Noruega, em 1963, e foi a primeira pessoa a alcançar os “três polos” do planeta: o Polo Sul, o Polo Norte, e o pico do Monte Everest.

Uma de suas expedições, realizada em 1990 com um amigo, levou-o ao ponto mais ao norte do planeta. Em 1992, desta vez sozinho, foi ao outro extremo, chegando ao Polo Sul. Essa caminhada solitária levou-o a “apreciar o silêncio, a ver a importância do silêncio de uma forma mais ampla.

Erling contou à jornalista Rita Cipriano, do Observador, que no Ártico “esteve sempre rodeado de ruído – o ruído do gelo que se move com a força do vento e das correntes, as enormes massas que ribombam enquanto lutam com os elementos da natureza, o gelo fino que balança e estala quando caminhamos sobre ele”. Na Antártida era tudo mais silencioso. “A Antártida é o lugar mais quieto em que eu já estive. Ali, estava cada vez mais atento ao mundo do qual faço parte.“, diz ele.

Da mesma forma, quem vive rodeado do frenético barulho dos centros urbanos fica cada vez mais distante de si. O vozerio exterior encobre o interior. Muitas vezes acabamos nos acostumando com isso e nos afastamos cada vez mais de nós mesmos.

Afinal, parece bem mais sossegado deixar quietas as coisas que nos incomodam, calar nossas dúvidas, silenciar nossos temores. Podemos, até, considerar isso uma boa alternativa. Será mesmo?

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O silêncio interior não depende do silêncio exterior.

O explorador fala da diferença entre o silêncio que pode haver em lugares silenciosos, sem barulho, e o silêncio interior, que leva a nos conhecermos mais profundamente, explorando a nós próprios.

Este tipo de silêncio pode ser experienciado em qualquer ambiente: em casa, no trabalho, num parque, na rua, basta olhar para si próprio, sentir-se como parte integrante do que se vê, ver tudo ao redor como um simples observador. Ele fala de sua experiência com o silêncio como uma sensação de sentir-se “mais presente em sua própria vida“.

Eventualmente começamos a sentir que a vida passa muito depressa, que não acontece nada. É por isso que é importante parar por um momento e olhar à nossa volta”. Erling afirma que desta maneira “começamos a encarar-nos a nós próprios e a vida torna-se mais rica, com mais significado. O silêncio tem a ver com afastarmo-nos do mundo — e não virar as costas —e criar uma ligação com nós próprios.


Você pode ler aqui: 


O silêncio pode trazer aquele “estalo” que ficamos procurando.

Para Erling, o silêncio é também “uma chave para desbloquear novas formas de pensar.” Essa afirmação, mais do que uma suposição ou uma opinião pessoal, é corroborada por estudos realizados nas últimas décadas.

Neurocientistas comprovam que o cérebro “em repouso” continua em atividade, constantemente absorvendo, processando e avaliando informações, o que às vezes nos traz aquela resposta que aparece “do nada, quando nem estamos pensando no assunto.

Quem já assistiu a série de TV “House” viu esse mecanismo em ação, quando o médico nada convencional do personagem sempre tem insights para resolver seus diagnósticos em momentos como quando está conversando com seu amigo Dr. Wilson, jogando a bola de tênis na parede de sua sala, etc.

Dessa forma, momentos de silêncio e descanso podem servir como uma incubadora para a obtenção de soluções e respostas criativas.

O silêncio evita desgastes nos relacionamentos.

E não só no campo das ideias e soluções o silêncio pode ser importante. Nos relacionamentos diários com as pessoas, quando uma conversa acalorada ou uma ideia controversa surge em cena, o silêncio pode ser a melhor resposta.

Aguardar os ânimos se apaziguarem e posteriormente retomar o diálogo com outra disposição, com uma energia pacificada que vai evitar maiores desentendimentos, o que acaba sendo um peso e um empecilho no nosso futuro.


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Essa ligação com nós mesmos reflete na nossa ligação com o mundo, nos relacionamentos que mantemos com as pessoas que nos rodeiam, no envolvimento com nossas atividades sejam as necessárias ou as que realizamos por nos trazerem satisfação.

Temos que ter em mente que a qualidade desses relacionamentos exteriores está diretamente ligada à qualidade de nosso relacionamento interior. Quanto mais nos conhecemos, quanto mais nos aceitamos, quanto mais nos valorizamos, quanto mais atribuímos qualidade ao nosso “intra-relacionamento”, melhor será o nosso convívio com as pessoas, em qualquer ambiente ou situação.

O silêncio nos prepara melhor para a vida.

O silêncio interior é um momento necessário de recolhimento e de introspecção. “Chamar” os pensamentos conflituosos para esse “diálogo silencioso”, encontrar os argumentos que possam calá-los definitivamente e apaziguar as emoções inquietas.


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Por mais desconfortável ou assustador que possa parecer, aceitar o confronto direto é a forma de restabelecer a serenidade. Deixar dúvidas e ansiedades por conta própria só as faz crescer.

Usar alguns minutos do dia para sair da rotina e da correira, conectar-se com a paz podem ser muito valiosos. Não deixe para depois. Comece ainda hoje.

 

Noemi C. Carvalho

 

com informações de Observador e BBC

 


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