As máscaras que escondem os sentimentos

Costumamos desviar a atenção para qualquer coisa que nos impeça de olhar para dentro de nós.

Há quem evite o contato com as ondas emocionais navegando sem rumo e sem destino na internet; o falatório televiso de alguns programas de amenidades também são ótimos para quem não quer dar ouvidos ao chamamento interior; os sons musicais podem manter em silêncio sentimentos que não devem se manisfestar.

Atividades de lazer e diversão são coisas boas, refazem as energias e trazem alegria. O problema é quando elas são usadas como uma distração para não nos aproximarmos de sentimentos que não queremos lembrar que existem, e muitas vezes até esquecemos mesmo que eles existem.

Essa atitude só vai nos manter aprisionados e reféns de nós mesmos, enquanto achamos que aprisionamos a emoções que não queremos confrontar.

Por mais que tentemos ignorá-las e recalcá-las, mesmo lá no fundo das sombras e do isolamento, essas emoções não se acanham e não se intimidam. Enquanto baixamos a guarda pensando que são inofensivas, elas articulam artimanhas que nos tornam frágeis, irritáveis, instáveis.

Tudo começa a incomodar: o parceiro, o vizinho, o trabalho. Quando começa a ficar complicado demais, tentamos recomeçar: vida nova! Outra casa noutro lugar, novo trabalho para animar, nova companhia para compartilhar.

Acreditamos que podemos começar tudo do zero, tudo novo. Mas aos poucos, percebemos que tudo começa de novo.

Mudar de casa, de trabalho, de companheiro, não muda as emoções sofridas que guardamos

No livro Renovando Atitudes” (psicografado por Francisco do Espírito Santo Neto), Hammed fala sobre essa fuga que empreendemos para evitar os desconfortáveis confrontos emocionais:

Aceitar nossa porção amarga é o primeiro passo para a transformação, sem fugirmos para novo local, emprego ou novos afetos, porque isso não nos curará do sabor indesejável, mas somente nos transportará a um novo quadro exterior. Os nossos conflitos não conhecem as divisas da geografia e, se não encarados de frente e resolvidos, eles permanecerão conosco onde quer que estejamos na Terra.”

Com o tempo, as mesmas insatisfações voltam, voltam as mesmas fragilidades, irritabilidades e instabilidades. Percebemos, então que nossos problemas nos acompanham para qualquer lugar em que vamos, não importa a distância nem o ambiente, não importa a atividade nem as pessoas da coletividade. Tudo volta ao que era.

As máscaras sociais nos mantêm a salvo da exposição

Além das tentativas frustradas de encobrir ou fugir do encontro indesejado com nossos sentimentos, existe o problema do convívio social, seja por prazer, diversão ou obrigação. Como se apresentar perante as pessoas sem demonstrar as dores, as amargura e as fraquezas? Hammed mostra como fazemos isso:

Fugimos constantemente de nossos sentimentos interiores por não confiarmos em nosso poder pessoal de transformação e, dessa forma, forjamos um “disfarce” para sermos apresentados perante os outros. Anulamos qualquer emoção que julgamos ser inconveniente dizendo para nós mesmos: ‘‘eu nunca sinto raiva”, “nunca guardo mágoa de ninguém”, vestindo assim uma aparência de falsa humildade e compreensão.

Máscaras fazem parte de nossa existência, porque todos nós não somos totalmente bons ou totalmente maus e não podemos fugir de nossas lutas internas. Temos que confrontá-las, porque somente assim é que desbloquearemos nossos conflitos, que são as causas que nos mantêm prisioneiros diante da vida. Devemos nos analisar como realmente somos.”

Assumir a transformação interior é assumir a responsabilidade pela própria vida

Ninguém pode efetuar por nós a transformação interior necessária que nos traz a compreensão e aceitação de nossas emoções. De acordo com Hammed:

“Nossos problemas íntimos, se resolvidos com maturidade, responsabilidade e aceitação, são ferramentas facilitadoras para construirmos alicerces mais vigorosos e adquirirmos um maior nível de lucidez e crescimento. Não devemos nunca mantê-los escondidos de nós próprios, como se fossem coisas hediondas, e sim aceitar essas emoções que emergem do nosso lado escuro, para que possamos nos ver como somos realmente.

Por não admitirmos que evoluir é experimentar choques existenciais e promover um constante estado de transformação interior é que, às vezes, deixamos que os outros decidam quem realmente somos nós, colocando-nos, então, num estado de enorme impotência perante nossas vidas.”

Assumir nossa verdadeira aparência emocional traz a liberdade de viver

Viver nos escondendo de nós mesmos acaba sendo cansativo e frustrante. Mas nós não podemos transformar aquilo que não podemos perceber. Por isso precisamos entender o que se passa dentro de nós e encontrar a forma de reverter as emoções tóxicas.

Muitas influências externas ficaram acumuladas em nosso ser, estruturaram a nossa personalidade, nos moldamos às aceitações ou imposições de terceiros. Tanto que isso acabou ficando como uma visão de nós para nós mesmos. Mas lá no fundo, aquela insatisfação constante tenta nos alertar num chamado sem palavras, que as palavras que ouvimos e gravamos não eram nossas, em verdade.

Nós não somos nossos sentimentos. Nós temos a plena capacidade de conduzir nossos sentimentos e pensamentos para um padrão mais positivo e construtivo.

Como trocar os sentimentos

Hammed continua: “Deixemos de falsas aparências e analisemos nossas emoções e sentimentos, aprimorando-os. Canalizadas nossas energias, faremos delas uma catarse dos fluxos negativos, transmutando-as a fim de integrá-las adequadamente.”

Ele orienta para realizarmos trabalhos de observação e análise de nossa vida interior, aceitando plenamente o conjunto de nossos sentimentos, sem culpa ou julgamento, de modo a nos tornarmos “conscientes de como funciona nosso mundo emocional” e sendo, assim pessoas “resolvidas interiormente”.

A transformação das emoções de negatividade é mais bem sucedida quando nos baseamos em sentimentos genuínos para fazer essa troca. Esses sentimentos são o conjunto dos valores e virtudes orientados pela consciência, pela alma.

Reafirme suas qualidades, seus pontos fortes, faça conexões profundas e sinceras com você mesmo, valorize-se.

A única maneira de ficar bem em qualquer lugar e com qualquer pessoa é quando você está bem com a sua própria companhia.

 

Noemi C. Carvalho

 

Lembre-se: sempre que achar necessário, procure orientação profissional para solucionar seus conflitos internos.

 

 


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