Os caminhos da espiritualidade rumo ao Eu Sou

O primeiro contato com a espiritualidade no mundo ocidental.

Conta a história do mundo ocidental que houve um tempo em que surgiram profetas que falavam de um Ser Divino, cuja existencialidade ultrapassava e perpassava todas as fronteiras terrenas.

Ele vivia no céu, do céu tudo podia ver, tudo podia controlar. Seu poder era incomensurável, sua sabedoria inigualável. Ditou regras a serem obedecidas, para que não despejasse sua ira eterna sobre seus tutelados.

O temor a Deus, que vivia distante e isolado, foi a primeira forma para difundir conceitos de espiritualidade.

Esta foi a era o Deus soberano e punitivo.

A primeira transformação no conceito da espiritualidade.

Sucessivas e incontáveis vivências e experiências trouxeram à humanidade a possibilidade de passar por uma transformação conceitual concernente à espiritualidade.

Tomava-se conhecimento de uma face diversa de Deus. Mostrava-se, agora, um Deus que era como um pai amoroso, compassivo.

Este Deus não vivia isolado em seu reino, reinando sobre a humanidade como um soberano poderoso, irado, punitivo.

Sua morada não era apenas no céu, mas ele também vivia e transitava entre seus filhos nas planícies e nos percalços terrenos. Vivia entre sua prole, protegendo os passos, orientando a vida.

Esta foi a era do Deus amoroso e presente.

A segunda transformação no conceito da espiritualidade.

Sucederam-se os séculos, a mente se aguçou, o conhecimento se expandiu, a consciência ansiou por novos horizontes. Aproximava-se o momento de uma nova transformação. A humanidade se preparava para ter contato com um novo conceito.

O crescimento populacional, a expansão da mente inquisitiva, a célere difusão dos fatos trouxeram um novo cenário: a necessidade e a possibilidade de uma transformação difundida não por um profeta, um mestre e alguns poucos seguidores, mas as palavras dos antecessores agora revisitadas por uma multiplicidade de mestres da espiritualidade, apontando, de várias partes do globo terrestre, para um novo entendimento de Deus.

Afirmava-se que Deus não estava restrito a sua morada celestial, nem tampouco nos templos erigidos em seu nome, ou mesmo entre nós. A humanidade estava pronta a conhecer e compreender que Deus estava dentro de cada um.

Cada ser era a morada onde residia a centelha doadora de vida, fagulha da Luz Divina e Criadora, que gerou o Universo e tudo que nele habita.

Foi falado que Deus não existia à nossa semelhança no aspecto físico de um pai terreno. Nós é que, como filhos espirituais, herdamos suas características e potencialidades criadoras e amorosas.

Esta foi a era do Deus interior e integrado.

Somos protagonistas da terceira transformação no conceito da espiritualidade.

O transcurso dos milênios testemunhou, assim, três diferentes interpretações da espiritualidade, de acordo com a possibilidade de entendimento em cada estágio da evolução espiritual do homem: o Deus poderoso e punitivo; o Deus amoroso e presente; o Deus pulsante e integrado a nós.

Atualmente, protagonizamos um novo episódio na história. Novos conceitos das últimas décadas respondem ao eternos questionamentos de “quem é Deus?”, “onde está Deus?” da seguinte forma: “Eu Sou Deus”. Simplesmente.

Eu sou Deus, podendo expressar a mesma capacidade criativa, o mesmo amor integral. Não uma parte separada, não uma folha da árvore, mas a própria seiva que nutre a vida, parte integrante e indissolúvel da essência divina.

O Sopro Divino é o primeiro sopro de vida quando nascemos e o último suspiro quando a vida se esvai e a morte nos acolhe em seus braços num recomeço do ciclo da eternidade. Entre esses dois momentos, o Espírito de Deus se manifesta no sopro criativo, a inspiração que inspira a ação conduzindo à realização, se expressa finalmente num suspiro de satisfação; é o ar que nos nutre, oxigena as células, acalma e tranquiliza.

O homem pode sobreviver semanas sem alimento, dias sem água, mas apenas alguns poucos minutos sem oxigênio. A vida não subsiste sem o espírito que a vivifica, o sopro divino que a percorre, a alma da vida, a essência da existência, o tudo e o nada, pois o nada é a possibilidade do tudo, é o vazio onde tudo é possível.

Nós nos dividimos criando nossa personalidade, nos integraremos reconhecendo nosso Eu Sou.

Deus é essencialmente amor, e o amor não se divide; ele se multiplica infinitamente. Eu Sou Deus significa não que somos uma parte Dele, mas a totalidade desse amor que, por multiplicado e não dividido, nos mantém ligados e unidos com a totalidade da criação.

Somos esse amor forte, vasto, indivisível, indissolúvel. Mas não nos lembramos disso.

Sendo Deus vivendo esta experiência terrena, precisávamos de uma forma física.

E nesta experiência de individuação desenvolvemos nossa personalidade, para nos tornarmos cada vez mais distintos e independentes, para nos diferenciarmos em nossos aspectos únicos e singulares.

A energia pura e poderosa espera o momento em que a nossa expressão individuada de Deus se reconheça através de todas as experiências vividas, lembrando então que somos apenas o verso do Uno no Universo integral.

Somos yin e yang, masculino e feminino, força e sensibilidade, tristeza e alegria, sombra e luz; pelos opostos nos conhecemos, pela integração nos tornamos o ser único, o Eu Sou.

Doce é sentir que Eu Sou.

Buscamos respostas para nossos sofrimentos, procuramos caminhos que nos conduzam à felicidade, queremos atalhos que encurtem a caminhada ou trampolins que nos lancem de um salto às esferas da paz profunda.

Mas mesmo com a passagem dos milênios a resposta continua vindo da Antiga Grécia, na inscrição à entrada do Templo de Apolo: “Conhece-te a ti mesmo”.

Conhecer a si próprio, reconhecer e integrar todos os matizes da personalidade dividida, é o caminho do autoconhecimento.

Nesse percurso é que um dia encontraremos a resposta para todas as angústias e questionamentos, e que o tempo todo esteve tão perto de nós.

Dentro de nós sentiremos a energia divina pulsando, se expandindo e integrando nossos vários eus.

Como disse São Francisco, “Doce é sentir.”

 

Noemi C. Carvalho

 

 


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