A moral relativa destrói as nossas relações

A complexidade das relações na atualidade.

Nas conturbadas relações que são mantidas na atualidade, cada vez mais nos damos conta de um tipo de comportamento que mostra a complexidade das pessoas, e a relutância em admitir seus atos e se responsabilizar por eles quando estes contrariam normas, costumes e valores morais.

Comumente observamos que muitas dessas pessoas desenvolvem mecanismos de defesa para camuflar ou mesmo uma forma para abrandar a infração cometida.

O professor de psicologia social da Universidade de Stanford,, produziu inúmeros estudos que trouxeram valiosas contribuições na área da psicoterapia, psicologia social, cognitiva, e pedagogia.

Bandura é um dos psicólogos vivos mais citados do mundo, considerado o pai da “Teoria da Aprendizagem Social”, hoje  conhecida por “Teoria Social Cognitiva”.

A prática do comportamento contraditório é cada vez mais comum.

Uma das pesquisas de Bandura aborda a “Desobrigação Moral Seletiva”, também conhecida como desengajamento ou, ainda, desvinculação moral seletiva.

Este estudo procura entender os mecanismos que levam as pessoas a terem condutas que contrariam as crenças, princípios, moral e comportamentos que acreditam e defendem.

Quantas pessoas não conhecemos que pregam o respeito, a paz e a honestidade, mas vivem humilhando, atacando e cultivando mentiras e enganando os demais?

São tantos os exemplos hoje em dia que não fica muito difícil entender o que é a “Desobrigação Moral Seletiva”: eles estão corriqueiramente sendo mostrados nos noticiosos, além de testemunharmos constantemente em nossa vida.

Temos hoje uma imensa massa que luta contra a corrupção, mas vive em meio a pequenos “subornos” no dia a dia, como a facilitação de um serviço público qualquer ou conseguir preferências através de gentilezas e favores. Temos também aqueles que defendem a prática de conceitos humanitários e não os praticam com seus funcionários e auxiliares. Enfim, os exemplos são muitos e estão ocorrendo a todos os momentos à nossa volta.

Como se processam a construção e as concessões dos princípios morais.

Repletos de contradições e incoerências, esses comportamentos irão se reproduzindo de geração para geração, perpetuando-se.

Temos inúmeras teorias que procuram entender como é que os princípios e valores éticos que nos regem são construídos. Segundo Bandura, nós incorporamos inconscientemente ao longo da vida esses preceitos, através de diversos estímulos de recompensas e punições.

De acordo com a proposição da teoria, existem situações que podem eventualmente provocar concessões ao cumprimento das normas e valores. Esse abrandamento pode ocorrer por motivação de alguma urgência, conveniências ou mesmo por imposições sociais.

Percebemos que, corriqueiramente, o ser humano pode se comportar de forma contrária aos princípios que lhe foram passados. E percebemos que quando isso ocorre, as pessoas sentem intensa perturbação e aflição, além de uma combinação de angústia, remorso e culpa.

Em meio a essas condições, a pessoa que trai os seus princípios morais sente uma extrema necessidade de acabar com essa aflição. Esse incômodo deveria ser resolvido através da reparação do mal causado porém, o que geralmente ocorre, é o desenvolvimento de mecanismos que construam uma justificação.

Um desses mecanismos é o desengajamento moral, onde se verifica a construção de uma narrativa que lance uma nova interpretação sobre o que ocorreu, fornecendo assim um lenitivo que seja capaz de afastar as sensações desagradáveis.

Como vemos, o desengajamento se dá através de uma remodelação cognitiva que converte uma conduta tida como errada em um ato aceitável.

Como funcionam os mecanismos da Desobrigação Moral Seletiva.

Albert Badura explica que a desobrigação moral  pode acontecer por causa de um dos sete processos psicológicos abaixo listados:

  • Justificação moralista: Princípios religiosos, imperativos nacionalistas e ideologias são usadas desde a pré-história para justificar violência e condutas destrutivas. Ex: Matar, torturar ou agredir para defender a moral religiosa, os interesses do país ou a tradição e bons costumes.
  • Linguagem saneantes: Eufemismos são usados para sentir menos culpa. Ex: Chamar inocentes mortos por mísseis de “efeitos colaterais” e soldados da sua equipe mortos na batalha de “baixas” ou “perdas”.
  • Comparação social exoneratória: Comparar um comportamento errado com outra possibilidade pior para minimizá-la ignorando a incerteza do futuro. Ex: Defender que a guerra fria foi importante para evitar a escravidão e miséria no país que o avanço comunista causaria.
  • Difusão da responsabilidade: Quanto mais pessoas em um grupo com potencial de ajudar, menor a responsabilidade de cada uma delas por não ajudar. Assim a culpa é diluída entre todos os responsáveis. Ex: Acreditar que se outras empresas também poluem, a responsabilidade do nível atual de poluição não é da própria empresa. As outras empresas usam a mesma lógica e ninguém se sente responsável.
  • Deslocamento da responsabilidade: Responsabilizar outro pelas suas ações, principalmente autoridades superiores, divinas, instintos ou efeito de drogas. Ex: Quando soldados ou policiais sentem que apenas cumprem ordens ou leis; quando religiosos defendem suas agressões como ordens de seu livro sagrado, profeta ou deus; quando consideram seguir a “lei da selva” ou “lei do mais forte”; quando justificam bater na esposa como culpa do álcool.
  • Ignorar ou minimizar os efeitos prejudiciais de suas ações: Quanto menos visível é a consequência prejudicial de um ato, mais fácil é executá-lo. Pelo contrário, ver as consequências de seus atos torna mais difícil a agressão. Ex: Lançar um míssil teleguiado para destruir um edifício incomoda menos que entrar no edifício com uma metralhadora e ver pessoas morrerem mesmo quando o número de mortos é o mesmo. De forme similar, explorar funcionários é mais fácil em empresas grandes, em que os grandes empresários não vêem os funcionários.
  • Desumanização das vítimas: Ao desumanizar, a vítima não é vista como uma pessoa digna de sentimentos, pena e preocupações. Envolve não reconhecer nessas vítimas suas similaridades, direitos humanos e legitimidade de suas causas. Ex: Considerar que chineses/árabes/indianos/latinos/africanos são como ratos/insetos/pragas ao migrarem para outro país em busca de melhores condições de vida. Culpar o governo, a quantidade de pessoas ou a religião desses lugares por sua suposta inferioridade e miséria.

Como evitar a completa desestruturação de nossa sociedade.

Como podemos observar essas estruturas se apresentam cotidianamente à nossa volta. Percebemos cada vez mais o relativismo moral se desenvolvendo e afetando as nossas relações em vários níveis.

Esse tipo de comportamento, a longo prazo, tem o poder de desestruturar completamente a nossa sociedade. Precisamos de forma urgente praticar a velha e sábia lição de fazer aos outros o que queremos que nos façam.

Nós estamos acostumados a agir conforme a compreensão que fazemos do meio onde vivemos, a nossa percepção é que irá fomentar os nossos mecanismos psíquicos responsáveis pela interação social. Dessa forma, ao sermos arrastados pelo mau proceder dos outros, devemos ter consciência que agir do mesmo modo apenas dará mais energia para esses comportamentos nocivos se perpetuarem.

Para não nos deixarmos apanhar nessa malha energética tóxica temos que praticar a aceitação, para não deixar os nossos instintos virem à tona revidar. Aceitar sem reclamar e ter a certeza que todo e qualquer prejuízo ou mau que possamos sofrer logo serão sanados, pois ao agir levando em conta a regra de ouro estaremos nos comportando como gostaríamos de ser tratados.

Renove o olhar sobre sua vida.

Outro aspecto que temos de ressaltar é que essas situações são excelentes mestres, trazendo as lições necessárias para que percebamos os momentos em nossa vida que pedem por renovação.

Como sabemos, nada no universo ocorre gratuitamente. As consequências nos dizem como pensamos e agimos no passado. Quando essas consequências não são o que esperávamos, é sinal que precisamos corrigir nossas ações através da reformulação de nossos pensamentos. Assim, quando somos envolvidos em situações desagradáveis, antes de mais nada é necessário ver se não estamos precisando fazer mudanças em nossas vidas.

A reformulação dos pensamentos e a consequente mudança do comportamento promoverão mudanças em nossos caminhos e assim poderemos atrair pessoas e situações melhores do que as que estávamos vivenciando.

Precisamos ter em mente que a nossa vida não é um mundo de competições, não precisamos vencer ninguém e nunca seremos derrotados. A disputa é resquício de um longínquo estado do ser que vivia imerso em um ambiente hostil.

Você pode me dizer que o mundo força que sejamos guerreiros e agressivos.

Eu lhe digo: é assim porque acreditamos que tem que ser assim.

Parafraseando um grande poeta:” Você pode dizer que eu sou um sonhador”. Mas, como disse, precisamos mudar as nossas percepções e entender que o outro e você são iguais, todos temos a mesma origem. Somos uma única e imensa família, todos nós ligados uns com os outros. Dessa forma, se ferimos alguém, estaremos nos ferindo também; se curarmos alguém, no fundo estaremos também nos curando.

Precisamos renovar o nosso olhar e trabalhar para uma autoconscientização profunda que, no final, revela a nossa santidade. E ao percebemos a nossa santidade passaremos a ver também a santidade dos outros.

 

José Batista de Carvalho

 


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