Burnout: o que você precisa saber

Conheça a Síndrome de Burnout, agora classificada pela OMS.

Burnout, na expressão popular inglesa (“burn out”) , se refere ao que deixou de funcionar por absoluta falta de energia. É caracterizada pela exaustão física e mental do colaborador, devido à grande e constante exposição ao stress.

O esgotamento profissional foi cunhado com o termo “Burnout”, nos anos 80, por Herbert J. Freudenberger (1926 – 1999), psicólogo estadunidense nascido em Frankfurt, na Alemanha. Foi um dos primeiros a descobrir os sintomas de esgotamento profissional e levar a cabo um amplo estudo sobre a Síndrome de Burnout, após constatá-la em si mesmo, no início dos anos 1970.

O termo Burnout era em geral usado para expressar uma exaustão emocional gradual, um cinismo e uma ausência de comprometimento experimentado em função das altas demandas de trabalho e baixo reconhecimento dos serviços prestados, vivendo, portanto uma sensação de fracasso profissional, levando a questionar sua competência.

Foi definido por Freudenberger como “(…) um estado de esgotamento físico e mental cuja causa está intimamente ligada à vida profissional.”

A nova Classificação Internacional de Doenças (CID) feita pela Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu a Síndrome de Burnout como um fenômeno ocupacional, diferente da depressão ou da ansiedade. A nova categorização entra em vigor apenas em 2022, mas serve como um alerta para a relação entre saúde mental e trabalho.

Não é classificada como uma condição de saúde. É descrita no capítulo “Fatores que influenciam o estado de saúde ou o contato com os serviços de saúde”, que inclui razões pelas quais as pessoas entram em contato com serviços de saúde, mas que não são classificadas como doenças ou condições de saúde.

O que é Síndrome de Burnout?

Síndrome de Burnout ou Síndrome do Esgotamento Profissional é um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico resultante de situações de trabalho desgastante, que demandam muita competitividade ou responsabilidade.

A definição de Burnout na CID-11 (OMS) é: “Burnout é uma síndrome conceituada como resultante do estresse crônico no local de trabalho que não foi gerenciado com sucesso. É caracterizada por três dimensões:

• sentimentos de exaustão ou esgotamento de energia;
• aumento do distanciamento mental do próprio trabalho, ou sentimentos de negativismo ou cinismo relacionados ao próprio trabalho; e
• redução da eficácia profissional.

O portador de Burnout mede a autoestima pela capacidade de realização e sucesso. O que tem início com satisfação e prazer termina quando esse desempenho não é reconhecido. É o desejo constante de ser o melhor e sempre demonstrar alto grau de desempenho.

Nesse estágio, a necessidade de se afirmar e o desejo de realização se transformam em obstinação e compulsão; o paciente nesta busca sofre, além de problemas de ordem psicológica, forte desgaste físico, gerando fadiga e exaustão.

A principal causa da doença é o excesso de trabalho. Esta síndrome é comum em profissionais que atuam diariamente sob pressão e com responsabilidades constantes.

Quais as áreas de atividade mais propensas a causar Burnout.

As atividades com altos níveis de estresse podem ser mais propensas a causar Burnout do que trabalhos em níveis normais de estresse ou esforço. Entre estas, podem se citadas:

  • profissionais de TI
  • gerentes de projetos
  • pilotos
  • controladores de tráfego aéreo
  • taxistas
  • membros da área de segurança pública
  • membros da área de saúde
  • membros da área de educação
  • membros do setor bancário
  • engenheiros
  • cientistas
  • jornalistas
  • advogados
  • músicos
  • artistas

Até mesmo voluntários, parecem ter mais tendência ao Burnout do que outros profissionais. Os estudantes são também propensos a apresentar essa síndrome nos anos finais da escolarização básica (ensino médio) e do ensino superior; curiosamente, este não é um tipo de Burnout relacionado com o trabalho, mas com o estudo intenso continuado com privação do lazer e de atividades lúdicas.

Burnout atinge principalmente indivíduos com tendência a dominar e controlar todas as situações, e mulheres que possuem dupla jornada, tendo que conciliar a vida profissional e familiar, principalmente as que não possuem parceiro conjugal estável. Pessoas que possuam um índice de idealismo muito forte e uma sobrecarga no trabalho também podem ser vítimas dessa síndrome.

Essa síndrome pode resultar em estado de depressão profunda e por isso é essencial procurar apoio profissional no surgimento dos primeiros sintomas.

Quais são os principais sintomas da Síndrome de Burnout?

O professor de Psicologia do comportamento Manfred Schedlowski, do Instituto Superior de Tecnologia de Zurique (ETH), registra o crescimento de ocorrência de Burnout em ambientes profissionais, apesar da dificuldade de diferenciar a síndrome de outros males, pois ela se manifesta de forma muito variada, sendo que já foram descritos mais de 130 sintomas do esgotamento profissional.

Alguns dos principais sintomas incluem:

  • Cansaço excessivo, físico e mental
  • Dificuldade de concentração
  • Oscilações de humor
  • Dor de cabeça frequente
  • Tonturas
  • Tremores
  • Muita falta de ar
  • Alterações no apetite
  • Insônia
  • Dificuldades de concentração
  • Sentimentos de fracasso e insegurança
  • Negatividade constante
  • Sentimentos de derrota e desesperança
  • Sentimentos de incompetência
  • Alterações repentinas de humor
  • Isolamento
  • Fadiga
  • Pressão alta
  • Dores musculares
  • Problemas gastrointestinais
  • Alteração nos batimentos cardíacos

Normalmente esses sintomas surgem de forma leve, mas tendem a piorar com o passar dos dias. Por essa razão, muitas pessoas acham que pode ser algo passageiro.

Para evitar problemas mais sérios e complicações da doença, é fundamental buscar apoio profissional assim que notar qualquer sinal. Pode ser algo passageiro, como pode ser o início da Síndrome de Burnout.

Como é o diagnóstico da Síndrome de Burnout?

O diagnóstico da Síndrome de Burnout é feito por psiquiatraspsicólogos. São os profissionais de saúde indicados para identificar o problema e orientar a melhor forma do tratamento, conforme cada caso.

Muitas pessoas não buscam ajuda médica por não saberem ou não conseguirem identificar todos os sintomas, por isso muitas vezes acabam negligenciando a situação sem saber que algo mais sério pode estar acontecendo.

Amigos próximos e familiares podem ser bons pilares no início, ajudando a pessoa a reconhecer sinais de que precisa de ajuda.

No âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) está apta a oferecer, de forma integral e gratuita, todo tratamento, desde o diagnóstico até o tratamento medicamentoso.

Os Centros de Atenção Psicossocial, um dos serviços que compõe a RAPS, são os locais mais indicados.

Qual é a melhor forma para tratar e prevenir a Síndrome de Burnout?

O tratamento da Síndrome de Burnout é feito basicamente com psicoterapia, e pode envolver medicamentos, sempre com recomendação e acompanhamento médico especializado.

Além disso, recomenda-se mudanças nas condições de trabalho e, principalmente, mudanças nos hábitos e estilos de vida para aliviar o estresse, o que também deve ser seguido para prevenção da síndrome. Condutas saudáveis evitam o desenvolvimento da doença, assim como ajudam a tratar sinais e sintomas logo no início:

  • Atividades físicas regulares – academia, caminhada, corrida, bicicleta, natação, etc.
  • Exercícios de relaxamento rotineiros
  • Meditação
  • Orações
  • Leituras edificantes
  • Exercícios respiratórios para relaxamento
  • Defina pequenos objetivos na vida profissional e pessoal
  • Participe de atividades de lazer com amigos e familiares
  • Evite o contato com pessoas negativas, especialmente aquelas que reclamam do trabalho e dos outros
  • Converse com alguém de confiança sobre o que se está sentindo
  • Evite consumo de bebidas alcoólicas, tabaco ou outras drogas, pois pioram a confusão mental
  • Não se automedique nem tome remédios sem prescrição médica
  • Descanse adequadamente, com boa noite de sono (são recomendadas 8hs diárias)

É fundamental manter o equilíbrio entre o trabalho, lazer, família, vida social e atividades físicas

Um breve histórico do ambiente laboral.

Em uma sociedade líquida pós-moderna, segundo Zygmunt Bauman, na qual alguns valores sociais e éticos encontram-se banalizados pela grande maioria, o papel do ser humano resume-se ao trabalho e desenvolvimento de sua carreira profissional.

O conhecimento e a experiência tornam-se descartáveis da noite para o dia, gerando assim uma maior pressão para as pessoas buscarem, incessantemente, a qualificação necessária. Esse tipo de cenário pode gerar o contexto fundamental para o desenvolvimento de Burnout nos mais diversos profissionais.

Ao longo do tempo, a cobrança desmedida pelo desempenho efetivo e eficiente dentro do ambiente profissional, com foco na produtividade, visando o lucro e o acúmulo de capital, ao invés de proporcionar às pessoas a capacidade de ganhar a vida e realizar conquistas significativas, fez com que elas cada vez mais se sacrificassem em prol da empresa, sem haver praticamente nenhum reconhecimento em troca.

Essa conceituação foi sendo substituída pela ideia do Homo Social, em oposição ao Homo Economicus, acreditando-se que as empresas deveriam ter seus funcionários motivados, não apenas como simples recursos, mas sim como pessoas detentoras de necessidades fisiológicas, de segurança, sociais, dentre outras.

Muito se sabe da importância da motivação e descanso dos colaboradores dentro de uma organização. Sua  necessidade dá-se, não apenas para um desenvolvimento sadio do corpo e mente, possibilitando vida social, como também para evitar certos transtornos, muitas vezes causados pelo esgotamento físico e mental, como depressão, insônia, ataques e síndromes como a do pânico e de burnout.

Seguiram-se estudos para a qualidade de vida no trabalho (QVT) com a abordagem biopsicossocial, e atualmente muitas empresas adotam práticas diferenciadas como o trabalho a partir de casa (home office), semana de quatro dias de trabalho, áreas de lazer e descanso, atividades integrativas, abertura para levar animais de estimação (pet friendly).

As consequências do Burnout.

Não se pode dizer que o estresse é apenas maligno, pois dá estímulo ao ser humano a cada vez buscar maior desenvolvimento e superação pessoal. A vida sem estresse seria chata, monótona e sem graça, não haveria desenvolvimento pessoal ou científico. Nada se tornaria atraente ou excitante.

Porém existe um nível em que o estresse deixa de ser saudável e começa a prejudicar o corpo e a mente de uma pessoa, de tal forma, que pode tornar-se irreversível.

As principais consequências do Burnout incluem:

  • diminuição na qualidade do serviço prestado em função do sofrimento psíquico
  • predisposição a acidentes causados por distúrbios da percepção, atenção e concentração
  • apatia, abandono do emprego ou profissão, gerando perdas pessoais, sociais e familiares
  • comprometimento da qualidade de vida do funcionário
  • isolamento no meio familiar e social levando a maiores riscos de divórcio e suicídio

Os estágios do Burnout.

Em relação à compreensão da real essência de Burnout é necessário compreender o significado das dimensões dos estágios que o compreendem, sendo exaustão emocional, despersonalização e perda de realização pessoal.

A exaustão emocional é caracterizada pelo fato da pessoa se encontrar exaurida, esgotada, sem forças para enfrentar nenhum tipo de projeto. Nestes casos o sujeito se encontra em seu limite, sem expectativa de melhora. A pessoa perde seu sentido existencial e social do trabalho.

No processo de despersonalização, a pessoa passa a adotar atitudes de descrença, distanciamento, frieza em relação aos colegas de trabalho e até mesmo à família, perde sua historicidade individual.

Quando se encontra no estágio de perda de realização pessoal, a pessoa passa a enxerga-se como ineficiente, incapaz e certa de que seu trabalho não faz a menor diferença. Não se trata de uma simples desmotivação, insatisfação ou baixa estima ligada ao trabalho, mas uma profunda descontinuidade que desestabiliza o
conjunto da existência singular.

Cuide sempre da sua saúde.

Quando se fala em Burnout é possível, portanto, perceber que não se trata apenas do estresse, e sim um excesso de estresse que o organismo e a mente não podem aguentar, levando a uma exaustão crônica.

O Burnout tornou-se mais presente com a atual política organizacional, que é voltada para o capital, e não para os colaboradores, e por isso é tão importante sua compreensão.

Uma empresa que desencadeia em seus colaboradores um alto índice de Burnout, não estará perdendo apenas um talento, como também, exaurindo a esperança e possibilidade de aprimorar e reconhecer talentos existentes, ou que já existiram dentro de sua organização.

 

Lembre-se: a Síndrome de Burnout tem tratamento. Se você acreditar que pode ter Burnout, busque ajuda.

 

com informações de WikipediaUnisantos, Ministério da Saúde, Organização Pan-Americana de Saúde

 

 


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1 resposta

  1. Belo, elucidativo e pontual este texto. Muito obrigado por ajudar pessoas como eu…!

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