Como é bom ficar em silêncio quando alguém espera que fiquemos com raiva

O desgaste e o nervosismo podem originar a raiva.

Na agitação em que vivemos nestes modernos tempos, quando a tecnologia nos proporciona cada vez mais estarmos conectados, interagindo massivamente com muitas pessoas, não é de admirar que cada vez mais atritos e incompreensões se materializem, gerando ansiedade e estresse.

Hoje temos em mãos sofisticados instrumentos que nos colocam em contato com uma gama gigantesca de informações que agilizam e facilitam nossas atividades com um simples clique. Mas é nas comunicações interpessoais que a maior revolução está se processando.

Contamos com inúmeras redes sociais, cada uma dela moldada a gostos e preferências variadas, além dos aplicativos de comunicação que fizeram o mundo se transformar em uma verdadeira e grande aldeia global, conforme profetizado por Marshall McLuhan, ilustre filósofo, intelectual e teórico da comunicação, célebre por prever a Internet trinta anos antes de ser criada.

Essa proximidade instantânea e constante cria para nós ambientes comportamentais de intensa inter-relação 24 horas por dia. É muito comum ocorrerem situações em que estamos trabalhando e somos interrompidos por algum familiar ou amigo nos tirando a atenção de nossas tarefas. O oposto também ocorre corriqueiramente quando fora do trabalho, em nosso descanso, alguma urgência profissional nos chega e acaba com o fim de semana.

É como se estivéssemos constantemente em um grande ambiente, lotado de pessoas onde a todo instante alguém vem com perguntas, dúvidas, confissões, reclamações, solicitações, piadas, vídeos engraçados e outros repugnantes, e mais uma infinidade de interrupções.

Em meio a tudo isso, não é raro alguma dessas interrupções gerarem atritos que causam um grande desagrado, trazendo o nervosismo, a perda de controle, podendo por fim se instalar a raiva.

A raiva sentida não é do outro, é de si mesmo.

A raiva é uma vibração energética que se apropria de um sofrimento que já existe.

Quando a raiva se instala, esse sofrimento vem à tona. Querendo transferir a responsabilidade desse desagradável sentimento a quem despertou o sofrimento, aumenta-se a carga dessa energia emocional.

O resultado disso é que se elege um “culpado” como o grande vilão do momento. Dessa forma, a mente se fixa nessa carga de sofrimento e ocupa-se entre condenações pelo pretenso mal sofrido e pela forma de vingar esse sofrimento.

Assim, o sofrimento toma a pessoa, que se transforma não na pessoa que sofre, mas no próprio sofrimento.

O sofrimento oculto por trás da raiva.

Precisamos entender que o surgimento da raiva revela a existência de um sofrimento oculto.

A raiva é uma de nossas emoções básicas. As emoções básicas – alegria, tristeza, surpresa, nojo, medo e raiva – são importantes pois contribuem para coordenar nossas ações quando precisamos atuar com rapidez.

Nossas emoções básicas surgem durante nosso desenvolvimento, comumente ligadas a processos de adaptação e evolução, que se consolidaram em nosso sistema neurocerebral a partir do desenvolvimento de nossos instintos, até se consolidarem aos estados afetivos que conhecemos como emoções.

A raiva, fisiologicamente, se apresenta com uma intensificação dos estímulos de preparação para a ação: elevação da atividade cardíaca, respiratória e do tônus muscular e na circulação da adrenalina no sangue, o que provoca uma maior tensão e atenção.

Fruto do desenvolvimento evolutivo, ela aparece quando somos submetidos a situações de frustração extrema, quando somos ameaçados e colocados em risco. Seu papel é gerar condições fisiológicas para enfrentar os desafios.

Que modalidades a raiva pode assumir.

A raiva pode ser neutra, positiva ou negativa. Ela possui funções que favorecem a manutenção de nossa vida. O problema que ela pode causar é quando não a controlamos adequadamente e há um aumento em sua intensidade que pode, então, assumir o controle de nosso comportamento.

Uma forma para conseguirmos entender e lidar com essa emoção ao invés de sermos dominados por ela, é termos ciência que em condições normais, sem que haja uma ameaça ou perigo real à integridade da vida, ela apenas surge em nossos sentidos porque existe algum sofrimento oculto que é deflagrado por uma situação que gera frustração ou alguma ameaça imaginária.

Assim, como uma criança, nosso pequeno “eu” amedrontado vem nos afrontar fazendo birra, pois necessita de proteção e amor que apenas nós mesmos podemos dar.

É muito difícil alguma outra pessoa perceber o sofrimento que está escondido por trás da nossa raiva. Cabe a nós mesmos serenar nossas reações. Se por ventura escolhermos satisfazer os impulsos que a raiva impõe, estaremos nos sabotando, uma vez que assim nos distanciamos do amor que tanto precisamos para curar o sofrimento oculto.

Como serenar o sentimento tóxico da raiva.

Como descrevemos anteriormente, no nosso dia a dia o convite para usarmos a raiva na tentativa de resolver os problemas que surgem é muito tentador. Por isso devemos insistir em procurar outras formas para cuidar de nossas emoções.

Particularmente faço uso de uma mentalização, na verdade uma prece desenvolvida por Marianne Williamson em seu livro “Um retorno ao amor“, baseado em seus estudos de “Um Curso Em Milagres”.

Ela nos orienta que se durante nossos dias formos tentados à raiva, devemos orar por um milagre que nos liberte. Afirmarmos que estamos comprometidos com o amor como forma de curar o que quer que seja que está nos tirando do caminho, e pedir:

“Querido Deus,
Por favor, afaste minha raiva,
Pois essa não é uma expressão do meu eu verdadeiro.
Mostre-me o amor
Que está além dela,
E me ajude a mostrá-lo para os outros.
Amém.”

Assim, conscientemente estaremos dissolvendo os rancores que fornecem a energia que deflagra o potencial destrutivo da raiva em nossas vidas.

Ao mesmo tempo que cultivamos e fortalecemos o amor, apaziguamos nossos sentidos, equilibrando as emoções e harmonizando nossos pensamentos.

Sabemos que  tudo o que o mundo precisa é de amor, e esse é o sentimento que nos trará paz. Com isso estaremos fazendo a nossa parte, estaremos sendo a mudança que queremos no mundo, evitando conflitos e desarmando provocações.

 

José Batista de Carvalho

 

 


LêAqui: a mensagem certa na hora certa.

Também nas redes sociais: Facebook – Instagram – PinterestTwitter


 

 



Categorias:Emoções

Tags:, , , , , ,

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: