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A receita de Sócrates para calar a fofoca

Calar ou falar, eis a questão.

Palavras saem com incrível velocidade dos domínios da mente, essa poderosa usina geradora de pensamentos. Mas precisamos estar atentos para calar a fofoca e não cairmos em sua teias.

Não em menor velocidade, inquietos pensamentos adquirem a forma de palavras, que se agrupam em frases, que tecem conceitos ou se perdem nos labirintos das suposições.

Esse vasto campo hipotético se estende, em grande parte, pelos devaneios ou apreensões com o nosso próprio futuro. O que, diga-se de passagem, não é proveitoso por desviar a atenção dos fatos e atitudes aos quais podemos nos dedicar no momento presente.

Outras vezes, de forma ainda mais prejudicial, a rede tecida com suposições é lançada sobre a vida dos outros: surgindo a tão conhecida fofoca.

Quem fala, consente.

Falar dos outros sem base nem fundamento é uma atitude que deve ser evitada, porque pode acarretar grandes transtornos à pessoa de quem se fala. Os cuidados devem ser redobrados na Era da Internet, quando comentários não só se espalham rapidamente, mas podem retornar à tona de tempos em tempos.

Seja numa conversa pessoal ou por meios eletrônicos, evite ser a fonte de agruras para as outras pessoas. Quem fala, replica ou comenta algo que ficou sabendo está, automaticamente, consentindo e aceitando o fato, mesmo não tendo certeza dele ou não imaginando a extensão das consequências que aquelas poucas palavras podem acarretar.

Muitos “famosos” da era digital acabam deteriorando sua imagem por comentários inapropriados que acreditavam que poderiam lhe render mais alguns milhares de “likes“; muitos “anônimos” têm suas vidas arrasadas, como é o caso da garota Débora.

Alguns cuidados bem simples podem ser observados, e mesmo que estejamos falando da era cibernética, eles datam da Antiguidade e continuam bem atuais, donde podemos ver que os hábitos não mudaram muito desde então.

São orientações do filósofo grego Sócrates. O que ele recomendou? Vamos acompanhar:


Os Três Crivos

… Certa feita, um homem esbaforido achegou-se a Sócrates e sussurrou-lhe aos ouvidos:

— Escuta, na condição de teu amigo, tenho alguma coisa muito grave para dizer-te, em particular…

 — Espera!… ajuntou o sábio prudente. Já passaste o que me vais dizer pelos três crivos?

— Três crivos?! – perguntou o visitante, espantado.

—  Sim, meu caro amigo, três crivos. Observemos se tua confidência passou por eles. O primeiro é o crivo da verdade. Guardas absoluta certeza, quanto àquilo que pretendes comunicar?

—  Bem, ponderou o interlocutor, assegurar mesmo, não posso… Mas ouvi dizer e… então…

  — Exato. Decerto peneiraste o assunto pelo segundo crivo, o da bondade. Ainda que não seja real o que julgas saber, será pelo menos bom o que me queres contar?

Hesitando, o homem replicou:

—  Isso não!… Muito pelo contrário…

 — Ah! – tornou o sábio – então recorramos ao terceiro crivo: o da utilidade, e notemos o proveito do que tanto te aflige.

— Útil?!… – aduziu o visitante ainda agitado.

— Útil não é…

 — Bem – rematou o filósofo num sorriso —,  se o que tens a confiar não é verdadeiro, nem bom e nem útil, esqueçamos o problema e não te preocupes com ele, já que nada valem casos sem edificações para nós…

 Aí está, meu amigo, a lição de Sócrates, em questões de maledicência…

Irmão X (Espírito Humberto de Campos), psicografado por Chico Xavier


Como calar a fofoca: verdade, bondade, utilidade.

Não é tão difícil, calar a fofoca, não é mesmo? Podemos até fazer um acrônimo para o caso de esquecermos quais eram os três filtros para analisar se convém repassar uma informação ou não.

Podemos relacionar o dom da fala, o dom da palavra, com a palavra “verbo – palavra que indica ação, que exprime um fato, localizando-o no tempo.” Então teríamos um elemento de fácil memorização: “verbu: verdade, bondade, utilidade”.

Mas acredito que o mais difícil não é lembrar das três regras, mas modificar o hábito desse tipo de fala.

Já que estamos passeando pela Grécia Antiga, vamos também dar a palavra a Platão, que disse: “Pessoas comuns falam sobre coisas, pessoas inteligentes falam sobre ideias, pessoas; mesquinhas falam sobre pessoas.”

Vale sempre um esforço, ficar atento e aplicar a dica antes que as palavras saiam da boca:

1 – é verdade? – tenho a absoluta certeza de que não existe nenhum tipo de suposição ou interpretação do fato?

2 – é bom? – o que vai ser falado tem alguma coisa de bom, de solidariedade, de compaixão?

3 – é útil? – traz algum proveito para alguém?

A não ser que as três respostas possam ser respondidas com “sim”, é melhor evitar que os pensamentos se tornem palavras e a situação se torne um desmerecimento em nosso caminho evolutivo.

Se ainda assim vontade de falar persistir, um bom remédio é tomar um gole do copo da Água da Paz.

Noemi C. Carvalho


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