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A vida de Bezerra de Menezes, Médico do Pobres

Bezerra de Menezes Médico do Pobres

O brilho do Dr. Bezerra de Menezes se manifestava desde os primeiros ciclos de estudo.

Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti, o Médico dos Pobres, foi um benfeitor incansável, sempre pronto a minorar a dor e a angústia dos menos favorecidos. Ele nasceu em 29 de agosto de 1831 na fazenda Santa Bárbara, no lugar chamado Riacho das Pedras, município cearense de Riacho do Sangue, hoje Jaguaretama, estado do Ceará. Ele foi médico, militar, escritor, jornalista, político, filantropo e expoente da Doutrina Espírita.

Aos 6 anos de idade, em 1838, começou os seus estudos e, em apenas 10 meses, conseguia já retransmitir os conhecimentos do professor que o conduzira na primeira fase de sua educação.

No ano de 1842 a família mudou-se para a Serra dos Martins, no Rio Grande do Norte, por motivo de perseguições políticas. Ali começou o curso de Humanidades e, aos 13 anos, conhecia tão bem o latim que substituía o professor da classe quando necessário.

Em seguida, no ano de 1846, já de volta ao Ceará, continuando seus estudos no Liceu do Ceará, destacou-se como um dos primeiros alunos de sua turma.

Em 6 de novembro de 1858, casou-se com a Sra. Maria Cândida de Lacerda, que desencarnou no início de 1863, deixando-lhe um casal de filhos.

Em 21 de janeiro de 1865, casou-se, em segundas núpcias, com a Sra. Cândida Augusta de Lacerda Machado, irmã materna de sua primeira esposa, com quem teve sete filhos.

Com muito empenho, realizou o desejo de cursar Medicina.

Bezerra de Menezes tinha aspiração de seguir o curso de Medicina, mas o pai, que enfrentava dificuldades financeiras, não podia custear-lhe os estudos.

Antônio Bezerra de Menezes, seu pai, capitão das antigas milícias e tenente-coronel da Guarda Nacional, era um homem severo, de honestidade a toda prova e de ilibado caráter, relativamente abastado. Porém, por causa de seu bom coração, comprometeu a fortuna, dando abonos em favor de parentes e amigos que o procuravam, explorando os seus sentimentos de caridade.

Procurou os credores e lhes propôs entregar suas fazendas de criação e tudo o mais que fosse suficiente para integralizar a dívida. Eles não aceitaram o gesto oferecido, mas Antônio Menezes resolveu, então, tornar- se mero administrador do que fora a sua fortuna, retirando apenas o estritamente necessário para a manutenção da sua família, que assim passou da abastança às privações.

O patriarca, desencarnou em Maranguape, no dia 29 de setembro de 1851, de febre amarela. Nesse mesmo ano, aos 19 anos, Bezerra de Menezes tomou a iniciativa de ir para o Rio de Janeiro, a então capital do Império, a fim de cursar medicina, levando consigo a importância de 400 mil réis, que os parentes lhe deram para ajudar na viagem.

Ele ingressou, em 1852, como praticante interno no Hospital da Santa Casa de Misericórdia. Para poder estudar e se manter, Bezerra de Menezes dava aulas de filosofia e de matemática, conquistando o doutorado em 1856, pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.

Foi nessa época que abandonou o último patronímico, passando a assinar apenas Adolfo Bezerra de Menezes.

Em 1858, por intercessão do mestre Manoel Feliciano Pereira de Carvalho, então Cirurgião-Mor do Exército, Bezerra de Menezes foi nomeado seu assistente, no posto de Cirurgião-Tenente.

Foi membro titular da Academia Imperial de Medicina, colaborador na Revista da Sociedade Físico-química, redator dos Anais Brasilienses de Medicina, da Academia Imperial de Medicina, atividade que exerceu até 1861.

As áreas de atuação do Dr. Bezerra não se restringiram à medicina.

Já em franca atividade médica, Bezerra de Menezes demonstrava o grande coração que iria semear, até o fim do século, sobretudo entre os menos favorecidos da fortuna, o carinho, a dedicação e o alto valor profissional.

Foi justamente o respeito e o reconhecimento de numerosos amigos que o levaram à política, que ele, em mensagem ao deputado Freitas Nobre, seu conterrâneo e admirador, definiu como “a ciência de criar o bem de todos”.

Bezerra de Menezes elegeu-se vereador para Câmara Municipal do Rio de Janeiro em 1860, pelo Partido Liberal, onde desenvolveu grande trabalho em favor do “Município Neutro” e na defesa dos humildes e necessitados. Quando o chefe conservador, Haddock Lobo, tentou impugnar sua candidatura, sob a alegação de ser médico militar, demitiu-se do Corpo de Saúde do Exército.

Em 1867 foi eleito Deputado Geral, correspondente hoje a deputado federal, tendo ainda figurado em lista tríplice para uma cadeira no Senado. Durante a campanha abolicionista publicou o ensaio “A escravidão no Brasil e as medidas que convém tomar para extingui-la sem dano para a Nação” (1869), onde não só defende a liberdade aos escravos, mas também a inserção e adaptação dos mesmos na sociedade por meio da educação.

Em 1885, atingiu o fim de suas atividades políticas, depois de atuar por 30 anos na vida parlamentar. Afastado da política, dedicou-se a empreendimentos empresariais. Criou a Companhia Estrada de Ferro Macaé/Campos, na então província do Rio de Janeiro. Posteriormente, empenhou-se na construção da Via Férrea de Santo Antônio de Pádua, pretendendo levá-la até o Rio Doce, desejo que não conseguiu realizar.

O primeiro contato de Bezerra de Menezes, futuro Médico dos Pobres, com a Doutrina Espírita.

Outra missão aguardava Bezerra de Menezes, esta mais nobre ainda. Aquela de que o incumbira Ismael, não para o coroar de glórias que perecem, mas para trazer a sua mensagem à imortalidade.

Já em franca atividade médica, Bezerra de Menezes demonstrava o grande coração que iria semear, até o fim do século, sobretudo, entre os menos favorecidos da fortuna, o carinho, a dedicação e o alto valor profissional.

O Espiritismo, qual novo maná celeste, já vinha atraindo multidões de crentes, a todos saciando na sua missão de consolador. Logo que apareceu a primeira tradução brasileira de “O Livro dos Espíritos”, em 1875, foi oferecido a Bezerra de Menezes um exemplar da obra pelo tradutor, Dr. Joaquim Carlos Travassos, que se ocultou sob o pseudônimo de Fortúnio.

O episódio foi descrito do seguinte modo por Bezerra de Menezes, o futuro Médico dos Pobres: “Deu-mo na cidade e eu morava na Tijuca, uma hora de viagem de bonde. Embarquei com o livro e, como não tinha distração para a longa viagem, disse comigo: ora, adeus! Não hei de ir para o inferno por ler isto…

Depois, é ridículo confessar-me ignorante desta filosofia, quando tenho estudado todas as escolas filosóficas. Pensando assim, abri o livro e prendi-me a ele, como acontecera com a Bíblia.

Lia. Mas não encontrava nada que fosse novo para o meu Espírito. Entretanto, tudo aquilo era novo para mim!… Eu já tinha lido ou ouvido tudo o que se achava em “O Livro dos Espíritos”. Preocupei-me seriamente com este fato maravilhoso e a mim mesmo dizia: parece que eu era espírita inconsciente, ou, mesmo como se diz vulgarmente, de nascença.”

Contribuíram, também, para torná-lo um adepto consciente, as extraordinárias curas que ele conseguiu, em 1882, do famoso médium receitista João Gonçalves do Nascimento.

Um grande divulgador e orientador do Espiritismo.

Mais que um adepto, Bezerra de Menezes foi um defensor e um divulgador da Doutrina Espírita. Em 1883, recrudescia, de súbito, um movimento contrário ao Espiritismo. Consultado sobre as melhores diretrizes a seguir em defesa dos ideais espíritas, o venerável médico aconselhava sempre a contrapor-se ao ódio, com amor, e a agir com discrição, paciência e harmonia.

Fundada a Federação Espírita Brasileira em 1884, Bezerra de Menezes não quis inscrever-se entre os fundadores, embora fosse amigo de todos os diretores e sobremaneira, admirado por eles.

Com sua cultura privilegiada, aliada ao descortino de homem público e ao inexcedível amor ao próximo, conduziu o barco da doutrina espírita por sobre as águas atribuladas pelo iluminismo fátuo, pelo cientificismo presunçoso, que pretendia deslustrar o grande significado da Codificação Kardequiana.

Em 16 de agosto de 1886, aos 55 anos de idade, após estudar por alguns anos as obras de Allan Kardec, Bezerra de Menezes, perante em público de cerca de 2.000 pessoas, no salão de Conferência da Guarda Velha, no Rio de Janeiro, em longo discurso, justificou a sua opção definitiva de abraçar os princípios da consoladora Doutrina.

O público presente ouvia em silêncio, emocionado e atônito, a palavra sábia do eminente político, do eminente médico, do eminente cidadão, do eminente católico, Dr. Bezerra de Menezes, que proclamava a sua decidida conversão ao Espiritismo.

Daí por diante, Bezerra de Menezes foi o catalisador de todo o movimento espírita na Pátria do Cruzeiro, exatamente como preconizara Ismael.

A cisão era profunda entre os chamados “místicos” e “científicos”, ou seja, espíritas que aceitavam o Espiritismo em seu aspecto religioso, e os que o aceitavam simplesmente pelo lado científico e filosófico. Em 1889, Bezerra foi percebido como o único capaz de superar as divisões, vindo a ser eleito presidente da FEB, sendo reconduzido ao cargo em 1895 nele permanecendo até 1900, quando desencarnou.

Nesse período, iniciou o estudo sistemático de “O Livro dos Espíritos” nas reuniões públicas das sextas-feiras. Exerceu ainda a tarefa de doutrinador de espíritos obsessores. Organizou e presidiu um Congresso Espírita Nacional, com a presença de 34 delegações de instituições de diversos estados.

As colaborações literárias do Dr. Bezerra de Menezes.

Bezerra era um religioso no mais elevado sentido. Sua pena, por isso, desde o primeiro artigo assinado, em janeiro de 1887, foi posta a serviço do aspecto religioso do Espiritismo.

Demonstrada a sua capacidade literária no terreno filosófico e religioso, quer pelas réplicas, quer pelos estudos doutrinários, Bezerra de Menezes escrevia em vários periódicos, como o “Reformador”, a “Reforma”, “Sentinela da Liberdade”,

Em “O Paiz” tradicional órgão da imprensa brasileira, colaborava com a série “Estudos Filosóficos”, sob o título “O Espiritismo”, assinados sob o pseudônimo “Max”. O Senador Quintino Bocaiúva, diretor daquele jornal de grande penetração e circulação, “o mais lido do Brasil”, tornou-se simpatizante da Doutrina Espírita.

Da bibliografia de Bezerra de Menezes, antes e após a sua conversão ao Espiritismo, constam mais de quarenta obras escritas e publicadas. São teses, romances, biografias, artigos, estudos, relatórios, etc., entre os quais “A Casa Assombrada“, “A Loucura sob Novo Prisma“, “A Doutrina Espírita como Filosofia Teogônica“, “Casamento e Mortalha“, “Pérola Negra“, “Lázaro, o Leproso“.

Após o desencarne, suas obras e mensagens mediúnicas começaram a ser psicografadas por médiuns como Divaldo Pereira Franco, Francisco Cândido Xavier, Yvonne do Amaral Pereira, Waldo Vieira, entre outros, trazendo mensagens e ensinamentos valorosos para nortear a vida.

Bezerra de Menezes foi considerado um modelo de cidadão e espírita, pela sua índole caridosa, pela perseverança e pela disposição amorosa para superar os desafios. Essas características, somadas à sua militância na divulgação e na reestruturação do movimento espírita no país, fizeram com que fosse considerado o “Kardec Brasileiro”. Ele é considerado patrono de centenas de instituições espíritas em todo o mundo.

A vida de Bezerra de Menezes foi transposta para o cinema, na película Bezerra de Menezes – O Diário de Um Espírito, com direção de Glauber Santos Paiva Filho e Joel Pimentel. O elenco é integrado por Carlos Vereza no papel título. O lançamento do filme deu-se em 29 de agosto de 2008.

O desencarne do Dr. Bezerra de Menezes, o Médico dos Pobres, o Kardec Brasileiro.

Bezerra de Menezes tinha a função de médico no mais elevado conceito, como verdadeiro sacerdócio. Por isso, dizia ele: “Um médico não tem o direito de terminar uma refeição, nem de perguntar se é longe ou perto, quando um aflito qualquer lhe bate à porta.

O que não acode por estar com visitas, por ter trabalhado muito e achar-se fatigado, ou por ser alta hora da noite, mau o caminho ou o tempo, ficar longe ou no morro, o que sobretudo pede um carro a quem não tem com que pagar a receita, ou diz a quem lhe chora à porta que procure outro – esse não é médico, é negociante de medicina, que trabalha para recolher capital e juros dos gastos de formatura.

Esse é um infeliz, que manda para outro o anjo da caridade que lhe veio fazer uma visita e lhe trazia a única espórtula que podia saciar a sede de riqueza do seu Espírito, a única que jamais se perderá nos vaivéns da vida.”

Por sua postura de médico caridoso, atendendo pessoas que necessitavam mas não podiam pagar, ficou conhecido como O Médico dos Pobres. É relatado em suas biografias o episódio em que Bezerra doou o seu anel de grau em medicina a uma mãe, para que comprasse os remédios de que seu filho precisava.

Foi assim que, em meio a grandes dificuldades financeiras, um acidente vascular cerebral o acometeu. Depois de meses acamado, Bezerra de Menezes desencarnou em 11 de abril de 1900, tendo ao lado a dedicada companheira de tantos anos, Cândida Augusta.

Terminou a vida sem posses, mas com a riqueza de inúmeros corações agradecidos.

Verdadeira romaria de visitantes acorria à casa de Bezerra de Menezes, o Médico dos Pobres. Todos queria saudar o grande benfeitor, e iam vê-lo ricos e pobres, pessoas estudadas e gente humilde.

Ninguém desconhecia a luta tremenda em que se debatia a família do grande apóstolo do Espiritismo. Todos conheciam as suas dificuldades financeiras, mas ninguém tinha a coragem de oferecer fosse o que fosse, de forma direta.

Por isso, os visitantes depositavam suas doações delicadamente, debaixo do seu travesseiro. No dia seguinte, a pessoa que lhe foi mudar as fronhas, surpreendeu- se por ver ali desde o tostão do pobre até a nota de duzentos mil réis do abastado.

Morreu pobre, embora seu consultório estivesse cheio de uma clientela que nenhum médico queria: pessoas pobres, sem dinheiro para pagar consultas. Uma comissão, presidida por Quintino Bocaiúva, então senador da República, decidiu promover espetáculos e concertos, em benefício da família de Bezerra de Menezes, que mereceu, além do cognome de “Médico dos Pobres”, o de “Kardec Brasileiro”.

Com relação ao aspecto missionário da vida de Bezerra de Menezes, a obra “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho“, de Chico Xavier, atribuída ao espírito de Humberto de Campos, afirma:

“Descerás às lutas terrestres com o objetivo de concentrar as nossas energias no país do Cruzeiro, dirigindo-as para o alvo sagrado dos nossos esforços. Arregimentarás todos os elementos dispersos, com as dedicações do teu espírito, a fim de que possamos criar o nosso núcleo de atividades espirituais, dentro dos elevados propósitos de reforma e regeneração.”

Por ocasião de sua morte, assim se pronunciou Léon Denis, um dos maiores discípulos de Kardec: “Quando tais homens deixam de existir, enluta-se não somente o Brasil, mas os espíritas de todo o mundo”.

Referências

Governo do Estado do Ceará
Federação Espírita Brasileira
Federação Espírita do Paraná
União Espírita Mineira
Wikipedia

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