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Chico Xavier: foi uma lição que eu não posso esquecer

Chico chavier de perfil em sua casa lição que não posso esquecer

Um momento marcante na vida de Chico Xavier.

No ano de 1939, o irmão de Chico Xavier, José Cândido, sofreu um grave AVC que o impossibilitou totalmente. Este acontecimento foi responsável por uma história que Chico, quando a contava, sempre arrematava o relato dizendo: “foi uma lição que eu não posso esquecer.”

Chico, triste com o sofrimento do irmão, recorreu ao Dr. Bezerra de Menezes por ajuda, mas o médico dos pobres informou que José, pela ação da Lei de Causa e Efeito, deveria ficar cativo da paralisia e demência em sua cama por 11 anos.

Mesmo assim, Bezerra de Menezes, Emmanuel, André Luiz, irmã Scheila e Chico, formaram uma corrente em volta de José e permaneceram em prece por longas horas.

Enquanto isso, no Plano Espiritual, os mentores encarregados pela atual encarnação do irmão de Chico recebiam inúmeras orações e pedidos pelo enfermo. Em função disso, as Elevadas Entidades analisavam se poderiam conceder a José um desencarne imediato.

A determinação da Espiritualidade Superior para José, irmão de Chico.

As horas passavam, o padecimento de José era grande, todos aguardavam a resposta da Espiritualidade Superior. Depois de muita espera, o Plano Espiritual informa a decisão dos Espíritos de Luz:

– “Todos têm ciência que, de acordo com a Divina Justiça, conforme explicação do Mestre Jesus, “a cada um será dado segundo suas obras”. E José auxiliou e serviu de forma dedicada junto ao seu irmão Francisco por 11 anos no Centro Espírita Luiz Gonzaga. Dessa forma, os 11 anos de padecimento que José deveria cumprir por suas ações em anteriores encarnações poderão ser comutados pelos anos de ação desprendida e caridosa ao lado do irmão.”

Assim aprendemos que cada um de nós é totalmente responsável pelo sofrimento que passa, e por isso nada podemos reclamar. E ao nos convertermos à ação do bem, da atenção e do auxílio aos mais necessitados poderemos abreviar nossos sofrimentos.

Na mesma abençoada noite, por obra e graça da Espiritualidade Elevada que concedeu a liberdade ao abnegado José, este se viu livre da sofrida matéria para que pudesse ir trabalhar no plano espiritual.

Mesmo com as dificuldades, o amparo espiritual não falta a quem o procura.

Ao desencarnar, José deixava sob a responsabilidade de Chico a esposa, Geni Pena, com dois filhos: Emmanuel Luiz e Flávio Renaud.

A viúva de José era uma moça excepcionalmente humilde, muito bondosa, que acompanhou seu marido junto a Chico, trabalhando no Centro Espírita Luiz Gonzaga, em Pedro Leopoldo.

Após a partida de José Xavier, Chico e Geni se desdobram no ativo trabalho no Centro e na trabalhosa tarefa de cuidar dos filhos de Geni.

Uma dessas crianças, Emmanuel Luiz, nasceu sob os imperativos da Lei de Causa e Efeito para resgatar erros do passado, e assim, apresentava deformidades corporais além de não enxergar, ouvir e falar.

Pedro Leopoldo atraia muitas pessoas que para lá se dirigiam procurando consolo para os sofrimentos espirituais e materiais, além de ajuda médica e das preciosas orientações espirituais.

E, é claro, as cartas que, num verdadeiro correio espiritual, traziam a palavra daqueles que partiram e tanta saudade deixaram. Ninguém que chegava naquela casa abençoada saía sem auxílio e consolo.

Mais um motivo de sofrimento para Chico.

Chega o ano de 1941, dois anos após o desencarne de José Xavier, e inicia-se então o segundo ato de nossa história.

Geni sofreu um grave ataque obsessivo. Foram realizadas diversas sessões de Evangelização, muitas correntes de vibrações, além de passes, mas nada surtiu efeito.

Desolado, Chico não vê outra saída: era preciso interná-la em uma casa de saúde mental. Com a orientação e ajuda de médico amigo, Geni foi internada no Instituto Raul Soares de Belo Horizonte.

Em uma entrevista à televisão, Chico comentou o fato,

“Depois de alguns meses em que a viúva de meu irmão, que sempre consideramos nossa irmã muito do coração, depois de alguns meses em que ela estava conosco em casa, doente, o caso agravou-se e foi preciso a internação em uma casa de saúde mental. Acompanhei minha cunhada, a quem eu sempre dispensei muita consideração e muito carinho (até a clínica).”

Após os procedimentos para a entrada de Geni na instituição, Chico comenta, na entrevista, que caminhou pela casa de saúde mental, “observando o estado de muitos internos que estavam ali, naturalmente abrigados com muita segurança, com muita proteção e muita assistência.”

Emoção e lágrimas tomam conta de Chico Xavier.

Chico voltou para sua casa com o coração muito abatido. Quando chegou em casa ainda era noite, e logo percebeu que Emmanuel Luiz estava agitado.

“A criança chorava, então eu me enterneci muito ao ver que o pequenino estava sem a presença materna. Sentei-me e comecei a orar e as lágrimas me vieram aos olhos pensando em meu irmão desencarnado muito moço ainda, na viúva tão cedo assim numa prova tão difícil e sentindo a minha incapacidade de dar a ela a assistência . Senti que a minha emoção era muito grande.”

Neste momento Chico conta que o seu Mentor, Emmanuel, se aproximou e Chico descreve o encontro:

– “Achegou-se a mim o espírito de nosso Emmanuel e me perguntou por que é que eu chorava. Disse a ele que naquela hora eu me enternecia muito por ver minha cunhada viúva numa casa de saúde mental em condições assim precárias.”

Emmanuel responde a Chico:

“ Não, você está chorando por seu orgulho ferido. Vocês aqui têm sido instrumentos para cura de alguns casos de obsessão, para melhora de muitos desequilibrados. E quando aprouve ao Senhor que a provação viesse debaixo do teto de vocês, você está com o coração amargurado, ferido porque foi obrigado a recorrer à assistência médica, o que é muito natural. E uma casa de saúde mental, um sanatório, um hospício, é uma casa de Deus, você não deve ficar assim.”

O pedido e a resposta do benfeitor espiritual.

Chico continua com o seu relato:

“Então eu disse a ele que concordava com ele, mas eu  pedi a ele que, como Espírito Benfeitor, trouxesse a minha cunhada de volta ao lar porque a criança, o segundo filho dela era paralítico e aquele choro da criança atestava a falta que o pequenino estava sentindo dela.

Emmanuel informou que ela voltaria, mas Chico sentiu que as palavras de seu Mentor diziam algo mais:

– “Ele disse que voltaria, mas aquele “ela voltaria” que ele disse podia ser depois de muito tempo, e de fato só aconteceu depois de dois anos”.

Com um pouco de desalento, Chico explica:

“Mas eu queria que ela voltasse depressa.”

Emmanuel acerca-se mais a Chico e fala com firmeza:

“Imaginemos a Terra como sendo o palácio da justiça, nós estamos aqui para rasgar o processo ou é para cumprir o processo?    

Percebendo que o assunto era mais grave do que tinha pensado, Chico ainda chorando responde:

Estamos aqui para cumprir.

A dor Xavier não é maior que as outras dores.

Emmanuel então pergunta:

Por que você continua chorando? 

Chico descreve como se sentia:

– “Eu então, não querendo me agastar muito indevidamente porque a minha atitude era desrespeitosa diante de um amigo espiritual tão grande e tão generoso, disse:

– Eu estou chorando porque, afinal de contas, o senhor precisa saber que ela é minha irmã. 

O iluminado Mentor responde:

– “Pois eu me admiro muito porque antes dela, você tinha lá dentro daquela casa trezentas irmãs, e eu nunca vi você ir lá chorar por nenhuma. A dor Xavier não é maior do que a dor Almeida, do que a dor Pires, do que a dor Soares, a dor de toda família que tem um doente.

Se você então quer seguir a doutrina que você professa, ao invés de chorar por ela, você tome o lugar dela ao lado da criança que está doente precisando de calor humano, substitua a nossa irmã porque assim você vai exercer a fraternidade.”

Uma lição para ser sempre lembrada.

Sempre que comentava tal fato, Chico arrematava a narrativa dizendo:

“Foi uma lição que eu não posso esquecer.”

Chico cuidou de seu sobrinho com muita atenção e carinho por cerca de dez anos. Aos doze anos, Emmanuel Luiz desencarna. O sofrido menino, no colo de Chico, abre os olhos e chorando muito, por sinais agradece ao seu tio.

Chico tinha muita afeição por Emmanuel Luiz e a separação feriu muito o médium.

Ao conhecer esta história de Chico Xavier meditei muito sobre o importante fundamento da Doutrina Espírita que diz que somente colheremos aquilo que plantarmos, e que no processo da reencarnação trazemos de nossas vivências pretéritas as marcas que nós mesmos causamos. Cada um é responsável pelo seu próprio céu ou inferno.

Esta é uma lição que eu não posso esquecer.

José Batista de Carvalho

Texto baseado em entrevista de Chico Xavier ao repórter Saulo Gomes, em 6 de maio de 1968, na Comunhão Espírita Cristã, em Uberaba (MG), quando psicografou linda página de Emmanuel, intitulada “Auxiliarás por amor”. Transcrita do “Anuário Espírita”, 1969.

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