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Como as notícias influenciam o pensamento e a saúde

homem visto de costas vendo uma televisão para ilustrar como notícias afetam o pensamento

O impacto subestimado das notícias sobre o pensamento e a saúde.

Um artigo da BBC Future, de Zaria Gorvett, mostra dados de pesquisas realizadas que comprovam o efeito negativo que a exposição prolongada a notícias pode ocasionar no pensamento e, assim, na saúde física e mental.

A matéria começa citando um estudo sobre saúde mental realizado por Alison Holman e pesquisadores da Universidade da Califórnia, em relação a um atentado ocorrido em 2013. Conforme os resultados obtidos, os pesquisadores verificaram que pessoas que assistiram por seis horas ou mais horas a cobertura de notícias nos dias seguintes chegaram a ser mais afetadas do que aquelas que tiveram uma proximidade maior com o evento.

“Foi um grande momento para nós”, diz Holman. “Acho que as pessoas realmente subestimam profundamente o impacto que as notícias podem ter”.

O conteúdo noticioso pode se infiltrar em nosso subconsciente e, assim, interferir em nossas vidas de maneira surpreendente. E pode, então, aumentar o risco de desenvolver estresse pós-traumático, ansiedade e depressão. A exposição prolongada pode influenciar nossas atitudes e, inclusive, predispor a problemas de saúde a longo prazo.

Damos maior atenção aos aspectos negativos.

Uma provável explicação para essa influência exercida em nossas vidas por uma constante exposição a notícias é considerada na reportagem: “Uma possível razão pela qual as notícias nos afetam tanto é o chamado “viés da negatividade”. É uma manobra psicológica peculiar, que significa que prestamos mais atenção às piores coisas que acontecem à nossa volta.

Acredita-se que ele tenha evoluído para nos proteger do perigo e ajuda a explicar por que as falhas de uma pessoa geralmente são mais visíveis do que suas qualidades, por que as perdas pesam mais sobre nós do que ganhos e por que o medo é mais motivador do que a oportunidade.

O viés também pode ser responsável pelo fato de que as notícias raramente tratam de assuntos amenos. Quando um site – o City Reporter, com sede na Rússia – decidiu publicar exclusivamente boas notícias por um dia, em 2014, eles perderam dois terços de seus leitores.

Vários estudos realizados indicaram que as pessoas costumam ter uma visão mais sombria e pessimista da realidade, sobretudo no que diz respeito a perspectivas econômicas.

A repetição e o enfoque dados às notícias influenciam nosso pensamento.

Outra constatação surgiu ao longo dos anos de pesquisas realizadas acerca da influência das notícias no pensamento e no comportamento das pessoas. As palavras utilizadas e o enfoque predominante dado a um assunto afetam a maneira como vemos aquele fato. E muitas vezes nos levam a não pensar de uma forma racional.

As notícias podem, desse modo, distorcer nossa percepção de realidade, levando-nos a subestimar possíveis riscos e podem nos influenciar através de preconceitos existentes.

É o que ocorre, por exemplo, no caso da pandemia do coronavírus, com as discriminações que têm ocorrido em relação a pessoas de origem asiática ou a trabalhadores na linha de frente do combate à covid-19. Ou afirmar que um produto é eficaz para proteção à saúde, podendo simplesmente fazer com que as pessoas relaxem os cuidados necessários para evitar o contágio e, até mesmo, levando à morte.

O panorama noticioso durante a pandemia.

Em seguida, nessa matéria, a BBC Future traça o panorama da saúde mental neste momento em que o planeta é invadido por um vírus desconhecido, altamente contagioso e letal.

De fato, acontece que afundar no sofrimento de sete bilhões de estranhos não é particularmente bom para nossa saúde mental.

Após meses de manchetes ininterruptas sobre a covid-19, há indícios de uma crise iminente de ansiedade por coronavírus. Instituições assistenciais de saúde mental em todo o mundo estão relatando níveis sem precedentes de demanda. Por outro lado, muitos estão tirando “férias” das redes sociais, reduzindo sua exposição às notícias.

Embora parte desse estresse possa estar relacionado à nova realidade em que nos encontramos, os psicólogos sabem há anos que as notícias em si podem adicionar uma dose extra de toxicidade. Isto é particularmente evidente após uma crise.

Mas o impacto psicológico das notícias, como ele ocorre e como varia sua intensidade, ainda não são totalmente conhecidos. Contudo, a constante exposição a uma cobertura noticiosa pode ser pior para a nossa saúde mental do que a própria realidade. Sobretudo quando a notícia enfatiza os piores aspectos do fato.

Uma explicação possível envolve a “previsão afetiva”, que é a tentativa de prever como nos sentiremos sobre algo no futuro. Segundo Rebecca Thompson, psicóloga da Universidade de Irvine, a maioria das pessoas se sente bastante confiante em sua capacidade de fazer isso. “Como se você imaginasse ganhar na loteria amanhã, então você pensaria que se sentiria ótimo”, diz ela.

Entretanto, quando um fato ansiosamente esperado e que “vai mudar sua vida” acontece, geralmente tem um impacto menor nas emoções do que seria esperado. Ou seja, a alegria não é tão intensa quando comparada a como imaginamos que nos sentiríamos.

Corremos o risco de catastrofizar todos os eventos de nossa vida.

No caso de uma crise como a que vivemos atualmente, com as indefinições e a insegurança percebida com relação à sua rápida solução, muitas pessoas são levadas por seus pensamentos a se fixarem no futuro incerto, antecipando um cenário sombrio.

“Se você tem uma ameaça realmente grande em sua vida, é normal reunir o máximo de informações possíveis para entender o que está acontecendo”, diz Thompson. Isso nos leva à armadilha de ficarmos sobrecarregados com as notícias, e esse erro está nos levando a comportamentos não saudáveis.

A exposição a coberturas de mídia sensacionalistas que enfatizam os piores cenários levam a catastrofizar não somente fatos relacionados ao evento, mas também toda a nossa vida, de finanças a relacionamentos românticos.

A leitura de notícias negativas pode acarretar um aumento nos níveis do hormônio do estresse, o cortisol. Do mesmo modo pode elevar a freqüência cardíaca – e há sinais preocupantes de que isso pode ter implicações mais sérias para a saúde a longo prazo.

A repetição constante de imagens causa impactos em nosso sistema mental.

Um questionamento que existe e que intriga os pesquisadores da área de saúde mental diz respeito a entender porque somos afetados tão fortemente por eventos que acontecem tão longe de nós.

Seguindo com a teorias levantadas pela análise dos estudos já realizados, há uma hipótese possível: “Holman tem algumas idéias, uma das quais é a de que as representações vívidas encontradas na mídia televisiva são as responsáveis.

Ela explica que, às vezes, enquanto o repórter está contando uma história, as mesmas imagens vão se repetindo várias vezes. “Você tem esse loop de imagens sendo introduzido em seu cérebro, repetidas, repetidas, repetidas, repetidas. O que estamos vendo não é um filme de terror falso. Estamos analisando as coisas da vida real – e suspeito que, de alguma forma, a repetitividade seja o motivo pelo qual elas causam tanto impacto.”

Holman ressalta que as notícias não são – e nunca foram – apenas sobre relatar fielmente um evento. É uma forma de entretenimento que a mídia usa para competir por nosso precioso tempo. E para isso adicionam um senso de drama para atrair os espectadores e mantê-los assistindo.

Parte do problema, sugere Holman, é que os dramas globais nunca foram tão acessíveis para nós como hoje. Agora é possível participar de um trauma coletivo de qualquer lugar do mundo, como se estivesse acontecendo ao lado. E este é um desafio para a nossa saúde mental.

Portanto, na próxima vez em que você estiver checando as manchetes pela centésima vez naquele dia ou percorrendo ansiosamente seu feed de mídia social, lembre-se: as notícias podem estar influenciando você mais do que você esperava.

o artigo na íntegra está disponível na BBC Future

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