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Como é seu relacionamento com o passado?

O que fazer para o passado não manipular o presente

O passado é indissolúvel de nossa vida. Afinal, tudo o que fizemos, aquilo que vimos e ouvimos, tudo o que pensamos e sentimos, todos os nossos sonhos e frustrações, tudo aquilo que não é este exato momento já faz parte do nosso relacionamento com o passado.

O passado é um imenso depósito de todas as nossas experiências e vivências, onde tudo fica armazenado. Será, então, que podemos dizer que somos acumuladores mentais? Talvez.

Mas é certo que quando as lembranças ocupam na mente um espaço maior – ou um tempo maior – do que a atenção ao momento presente, nossas ações atuais ficam prejudicadas.

De acordo com as palavras de Krishnamurti:

“Se o presente está sobrecarregado com a experiência de ontem, não pode haver renovação. A mente só pode compreender o presente se ela não comparar, julgar; o desejo de alterar ou condenar o presente sem compreendê-lo dá continuidade ao passado.”

Viver as quatro estações em um dia

As situações passadas que por algum motivo ficam retornando desagradável e continuamente em nosso espaço mental podem, de modo geral, ser divididas em dois tipos distintos:

  1. aquelas em que fomos “espectadores”
  2. aquelas em que fomos “protagonistas”

Nas primeiras, sobressaem os sentimentos como o rancor e a mágoa. Na segunda categoria experimentamos sentimentos como a culpa e o arrependimento.

Em qualquer das situações, existem três coisas fundamentais a lembrar:

  1. aquilo aconteceu com você, mas não é você
  2. você não é mais a exata pessoa daquele momento, você mudou, você é outra pessoa
  3. de todos os acontecimentos, principalmente dos que mais machucam, você pode tirar um aprendizado que vai lhe dar experiência e vai tornar você mais forte no caso de ter que enfrentar outras situações desafiadoras

Em relação aos fatos vivenciados, Krishnamurti assim orienta: Quando cada experiência surgir, viva-a tão completa e profundamente quanto possível. Reflita sobre ela, sinta-a extensiva e intensamente. Esteja cônscio de sua dor e prazer, de seus julgamentos e identificações. Só quando a experiência é completada há renovação. Devemos ser capazes de viver as quatro estações em um dia: estar agudamente conscientes, experimentar, compreender e ficar livres das acumulações de cada dia.”

E para não carregar indefinidamente um peso do passado como um relacionamento que se arrasta até o presente, diga a você mesmo que você se perdoa por trazer de tão longe e por tanto tempo essas memórias que se arrastaram pelos seus dias e arrastaram você num caminho de infelicidade.

Você não tinha conhecimento disso. Agora você pode deixá-las para trás. E ficar mais leve para sobrevoar a vida erguendo-se em seus sonhos.

Noemi C. Carvalho

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