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Como os pensamentos influenciam a sua vida

Escultura de rosto feminino rodeada por névoas, indicando que pensamentos influenciam a vida.

A vida pode ser boa ou não, depende de como pensamos.

Hoje em dia, os economistas dizem que “o mercado está nervoso”, “o mercado está agitado”. Parece que o mercado é algo que tem a capacidade de expressar sentimentos. Claro que são expressões para demonstrar uma tendência de empresas e ações governamentais que atuam e influenciam no setor econômico. Em nosso âmbito pessoal, são os pensamentos que influenciam todos os setores da nossa vida.

Assim como o “mercado” dos economistas, a realidade que vivemos no dia a dia também não tem uma personalidade própria, capaz de produzir as coisas boas ou ruins que acontecem, e nos sujeitar a seus caprichos.

Relendo uma antiga edição da Editora Record, de 1993, do livro “O Sermão da Montanha”, escrito em 1934 por Emmet Fox, vi o seguinte trecho:

“O mundo exterior, longe de ser a prisão de circunstâncias que geralmente se supõe, na verdade não tem nenhum caráter próprio, bom ou mau. Só tem o caráter que lhe damos através de nossa maneira de pensar. É naturalmente plástico ao nosso pensamento, queiramos nós ou não, tenhamos ou não consciência disso.”

A interpretação dos fatos determina os pensamentos e como eles influenciam a vida.

Com isso, Fox explica que a nossa realidade existe a partir do modo que pensamos. E como isso acontece?

Digamos, por exemplo, que vejo no noticiário que houve uma perseguição policial em determinada região da cidade, e bem naquela hora eu estava passando por perto daquele lugar. Eu posso pensar: “Nossa, quase morri hoje!”. Ou então, ao contrário: “Acho que estava lá perto, mais ou menos nesse horário. Obrigado, Senhor por proteger meus caminhos.”

Posso ver o mal, a desconfiança, a insegurança, o medo em todas as pessoas, em todos os lugares, em qualquer situação. Desse jeito, vou viver num estado de constante preocupação, a vida é sempre um sobressalto, e tenho maiores possibilidade de acabar me envolvendo numa situação desagradável ou perigosa.

Ou então posso procurar o bem que existe em cada situação, claro que sempre com critério, sem ver unicórnios coloridos e alegres fadinhas bondosas em tudo e em todos. Agradeço pelo bem que tenho, pelo que de bom me acontece, pelo mal que passa longe, pela minha capacidade de resolver bem os problemas que – inevitavelmente –  sempre aparecem.

A realidade exterior se amolda ao nosso pensamento interior.

Esse exemplo dá uma ideia da forma como os pensamentos influenciam nosso modo de ver a vida, e o que significa quando Fox diz que “o mundo exterior é naturalmente plástico“.

O mundo exterior, ou seja, a realidade que vivemos todos os dias, é maleável, se amolda ao nosso modo de ver e perceber as coisas, o que significa, ao nosso modo de pensar.

Você pode então pensar: “Eu sei, quando a gente faz um trabalho com afirmações, pensamos numa determinada coisa com insistência até se tornar verdade.”

Sim e não. Isto acontece, é verdade, com os pensamentos conscientes que temos e que direcionamos para um objetivo. Mas não, não acontece só com este tipo de pensamento. Qualquer pensamento ocasional, qualquer palavra que passa pela mente e qualquer sentimento que passa pelo coração é uma energia que atua na realidade.

Mesmo quando não percebemos, quando não temos a consciência deles, quando são hábitos que funcionam automaticamente, isto é o que acontece. Independente de querermos ou não que seja assim, de acreditarmos que é assim que funciona, ou de nunca termos pensado nisso.

Como o modo os pensamentos influenciam e interferem no dia a dia.

Vamos tentar deixar isso mais claro. Digamos que eu quero começar um novo trabalho, fora da área de atividade onde sempre atuei. Pesquisei, fiz cursos, me preparei da melhor forma que eu podia. Mas minha insegurança começa a pipocar frases como “Não sei se vai dar certo”, “Acho que vou pensar melhor”, “Será que eu faço isso mesmo?”. Eu posso ir em frente e me sair bem, mas provavelmente vai ser um caminho tortuoso e angustiante, com várias paradas para resolver problemas.

Voltando a Fox, ele esclarece que “durante todo o dia, os pensamentos que nos ocupam a mente, o nosso Lugar Secreto, como Jesus lhe chama, moldam nosso destino para o bem ou para o mal: a verdade é que toda a experiência de nossa vida não é senão a expressão exterior do pensamento interior.”

Às vezes nos deparamos com situações ocasionais de maior importância em nossa vida, que exigem uma reflexão maior. Mas esse pode ser um tipo de pensamento que temos sobre qualquer área da vida. Pode estar ligado a sentimentos de baixa autoestima e desvalorização pessoal que levam a insegurança, dúvida, medo, vergonha e até culpa. Pode configurar um hábito de pensamentos negativos e pejorativos sobre nós mesmo e nossas capacidades.

Para perceber um hábito de pensamento precisa de muita atenção.

O hábito é inconsciente. Os pensamentos simplesmente surgem na cabeça, influenciam nossas decisões, e nem percebemos. Isso precisa ser corrigido. Geralmente, não é uma tarefa fácil, e sabe qual é uma das coisas mais difíceis? Perceber esses pensamentos, “ver” eles passando na nossa tela mental.

Quando eu comecei a prestar atenção nesse aspecto, achei que seria fácil perceber o pensamento e dizer: “Não quero pensar isso. Vou pensar que…”, outra coisa qualquer que eu preferia para substituir o intruso.

Mas então eu comecei a ver que eu só percebia o pensamento, às vezes, algum tempo depois. Com a prática, fui ficando mais rápida. Quando sentia algum se aproximar já pensava em alguma coisa positiva. Coisas simples como “tudo vai dar certo”, “as coisas se resolvem facilmente”, “Deus me fortalece”, frases de músicas, de orações, o que viesse à cabeça e estivesse alinhado com o momento e a situação.

Experimente e veja como é que isso acontece com você.

A escolha é sempre sua: fique com pesamentos que lhe fazem bem.

Fox também faz referência aos hábitos de pensamento: “Ora, podemos escolher nossos pensamentos. Pode ser um pouco difícil romper com um mau hábito de pensamento, mas não é impossível. Podemos escolher como havemos de pensar – na verdade, sempre escolhemos – e, portanto, nossas vidas são apenas o resultado do tipo de pensamentos que escolhemos abrigar.”

O livre-arbítrio nos dá a liberdade de escolher. E no final das contas, a vida se resume às escolhas que nós fazemos. E também às que deixamos de fazer, porque, no fundo, isso também é uma escolha.

Agora que você já entendeu melhor como os pensamentos exercem influência no seu mundo exterior, comece a dedicar mais atenção ao seu modo de pensar. Seja conscientemente o influenciador da sua vida.

Noemi C. Carvalho

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