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Como ser feliz: a resposta comprovada por especialistas

Montagem fotográfica com imagens de ressonâncias magnéticas casal de idosos, uma médica olhando um microscópio como ser feliz

Cientistas acompanhando a sua vida por 80 anos? Harvard fez isso.

Você já imaginou um cientista acompanhando toda a sua vida durante 80 anos? Harvard fez isso, para descobrir como ser feliz na vida.

Em 1938, durante a Grande Depressão, pesquisadores da Universidade Harvard começaram um estudo com 268 alunos, todos homens, porque na época não havia mulheres no curso.

O grupo inicial, além dos estudantes de Harvard, contava com 456 rapazes de um bairro pobre de Boston, vindos de famílias problemáticas e desfavorecidas. Os cientistas expandiram sua pesquisa ao longo dos anos, somando 1.300 participantes.

Eles queriam encontrar respostas para saber o que é preciso para ter uma vida saudável e feliz. Além disso, queriam entender como as experiências na infância afetam a saúde ao longo do tempo.

Esse é considerado um dos estudos mais longos do mundo sobre a vida adulta. Ele teve quatro diretores e, em 2017, alguns dos primeiros participantes ainda estavam sendo acompanhados, então na faixa dos 90 anos.

Um fato interessante é observar que, hoje em dia, os pesquisadores avaliam as pessoas fazendo exames de sangue para testes de DNA, fazem ressonância magnética para examinar órgãos e tecidos em seus corpos, mas esses procedimentos teriam soado como ficção científica em 1938.

A descoberta surpreendente.

Robert Waldinger, o quarto diretor do estudo, psiquiatra do Massachusetts General Hospital e professor de psiquiatria na Harvard Medical School, em Ted Talk de 2015, lembra que “durante 75 anos acompanhamos 724 homens, perguntando sobre sua saúde, seu trabalho, vida doméstica, sem saber, é claro como isso iria acabar.”

“É difícil saber quais os resultados das escolhas que as pessoas fazem na vida, porque quando recordamos o passado, a retrospectiva é tudo, menos rigorosa. Esquecemos muitas coisas que aconteceram e outras vezes a memória é muito criativa.”, ele esclarece.

Por isso os pesquisadores de Harvard decidiram acompanhar de perto a vida dessas pessoas, com questionários, entrevistas, relatórios médicos, para descobrir o que podemos fazer para atingir o objetivo de ser feliz.

Alguns participantes tornaram-se empresários de sucesso, médicos, advogados e outros acabaram como esquizofrênicos ou alcoólatras. Alguns subiram na escala social, enquanto outros desceram. Waldinger disse que um deles se tornou presidente dos Estados Unidos.

E o resultado foi uma surpresa para a equipe. “A descoberta surpreendente é que nossos relacionamentos, e o quanto nos sentimos felizes com eles, têm uma influência poderosa em nossa saúde”, disse Waldinger. “Cuidar do corpo é importante, mas cuidar dos relacionamentos também é uma forma de cuidar de si. Eu acredito que essa é a revelação.”

A mensagem principal do estudo é esta: “As boas relações nos mantêm mais felizes e saudáveis. Ponto.”, afirma, categórico.

As lições sobre os relacionamentos.

De acordo com Waldinger, algumas importantes lições sobre a questão dos relacionamentos foram tiradas do estudo.

“A primeira lição é que as relações sociais são boas para nós, e que a solidão mata.” Quem tem mais ligações seja com a família, com amigos ou com a comunidade, é mais feliz, mais saudável e vive mais tempo, porque a “experiência da solidão acaba por ser tóxica”, afirma ele.

Outro fato é que o que importa não é a quantidade, mas a qualidade das relações, uma vez que podemos nos sentir sós mesmo numa multidão. “Viver sempre em conflito é muito prejudicial à saúde. Viver em meio a relações boas, calorosas, é protetor.”

Mas Waldinger reconhece que ter bons relacionamentos não é fácil. “Muitos dos entrevistados octogenários relataram discussões, brigavam uma vez ou outra, mas sentiam que podiam contar um com o outro quando fosse preciso. As relações são conturbadas e complicadas, é trabalhoso e difícil lidar com família e amigos. E dura a vida toda, nunca acaba.”, disse ele.

Uma mudança no foco do estudo.

O psiquiatra e psicanalista George Vaillant se juntou à equipe como pesquisador em 1966 e conduziu o estudo de 1972 a 2004. Foi ele que reconheceu o papel fundamental dos relacionamentos para uma vida mais longa e feliz.

“Quando o estudo começou, ninguém se importava com empatia ou apego”, disse Vaillant. “Mas a chave para um envelhecimento saudável são os relacionamentos, relacionamentos, relacionamentos.”

De fato, quando o estudo começou em 1938, os pesquisadores acreditavam que fatores ligados à genética, biologia poderiam dar as respostas para as suas perguntas. Eles se preocupavam mais com a constituição física, a capacidade intelectual e os traços de personalidade como determinantes para o desenvolvimento adulto.

E foi só em 1972, quando Vaillant assumiu a liderança do estudo, que os pesquisadores começaram a prestar mais atenção à influência dos relacionamentos.

Os principais fatores para ter uma vida saudável e feliz.

Os dados para o estudo foram obtidos por meio de históricos médicos, centenas de questionários e entrevistas feitas com os participantes. Analisando os dados, foi possível perceber que existe uma correlação entre a prosperidade na vida das pessoas e a qualidade dos seus relacionamentos com a família, amigos e comunidades.

Em seu livro “Aging Well”, (“Envelhecendo Bem”, em tradução literal) Vaillant listou os seis fatores que contribuíram para o envelhecimento saudável dos participantes do estudo:

  • praticar atividades físicas
  • não abusar de álcool e tabagismo
  • saber lidar com os altos e baixos da vida
  • desfrutar de um peso saudável
  • ter um casamento estável.

Outro importante ponto, e que surpreendeu os estudiosos, foi derrubar o mito que “pessoas não mudam”. “Aqueles que foram claramente um desastre de trem quando tinham seus 20 ou 25 anos tornaram-se octogenários maravilhosos”, disse Vaillant.

“Por outro lado, o alcoolismo e a depressão grave podem mudar o rumo de pessoas que começaram a vida de forma maravilhosa e deixá-las no final de suas vidas como desastres de trem.”

Estudando a infância e suas consequências para o futuro.

Waldinger foi o quarto diretor do estudo e expandiu a pesquisa para as esposas e filhos dos participantes iniciais. “Queremos descobrir como é que uma infância difícil, mesmo depois de décadas, prejudica o corpo na meia-idade ou até depois.”, disse ele.

“Ao longo do estudo, muitos acreditavam que a fama, a riqueza e realizações de vulto era tudo o que precisavam para ter uma vida boa. Mas o estudo provou, vezes sem conta, que as pessoas que se saíram melhor foram as que se apoiaram nas relações com a família, com os amigos, com a comunidade.”, conclui Waldinger.

Falando sobre o que aprendeu com o estudo, Waldinger, que é sacerdote Zen, disse que pratica meditação diariamente e dedica agora mais tempo aos seus relacionamentos. “É fácil ficar isolado, se envolver no trabalho e não se lembrar de amigos que não vê há muito tempo”, comentou.

Enfim, a conclusão a que os pesquisadores chegaram é que, mais do que dinheiro ou fama, o que mantém as pessoas felizes são os relacionamentos próximos.

Esses laços são responsáveis por proteger a pessoas quando enfrentam problemas e descontentamentos durante a vida, ajudando a retardar o declínio físico e mental.

Os relacionamentos constroem a felicidade para esta vida e além dela.

Os relacionamentos, portanto, são fundamentais para quem quer ser feliz. Como os pesquisadores de Harvard concluíram, as relações que perduram e nos fazem sentir segurança, simplesmente por saber que temos alguém a quem recorrer num momento de necessidade, protegem a nossa saúde.

É claro que bons relacionamentos são também importantes para compartilhar bons momentos, poder conversar, dar boas risadas, fazer programas juntos, coisas que compensam um ou outro desentendimento que sempre surge.

Além disso, é só através do convívio com os outros que podemos superar, por exemplo, o egoísmo, a inveja, a raiva, a impaciência e praticar o perdão, a compreensão, a paciência, a bondade, o amor, entre outros tantos atributos.

Este últimos são aqueles que trazem, de fato, qualidade à nossa vida, marcando o desenvolvimento interior que alcançamos e a consequente evolução espiritual.

E quanto mais conseguimos manter a paz e a alegria em todos os nossos relacionamentos, mais próximos ficamos de realizar o desejo de ser feliz, não como uma situação temporária, mas como um estado permanente de nosso Espírito eterno.

Noemi C. Carvalho

Com informações obtidas de :
1 –Harvard University, por Liz Mineo
2 – Ted Talk de Robert Waldinger

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