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Cuidado: o apego pode ser prejudicial

Desenvolvemos o apego por uma questão de sobrevivência.

O apego tem uma identificação com o sentido de sobrevivência, encontrado na relação de recém-nascidos com quem poderá lhe prover as condições de subsistência. Quando adultos, mantemos esse tipo de relacionamento com pessoas às quais atribuímos um conceito de importância para a nossa subsistência emocional, pessoas que consideramos fundamentais para obtermos sensações de felicidade, segurança, aceitação.

Muitas vezes nos apegamos a pessoas, ou objetos, ou situações que pintaram com belas cores cenários de nossa vida; outras vezes nos apegamos a pedaços de sonhos que sabemos que são coloridas e lindas nuvens, e como tal não têm consistência, se desfazem ao menor sopro.

Naturalmente, esse tipo de vínculo leva a um perene estado de ansiedade pelo medo de perder o elemento responsável pelo bem-estar. Abrimos mão da autonomia sobre a nossa própria felicidade e criamos vínculos de dependência emocional.

O apego limita a vida.

O apego aprisiona, pois ele está ligado ao sentimento de perda, e ninguém quer perder. Muitas vezes as pessoas se anulam e sofrem para manter uma relação que não é benéfica, mas da qual não conseguem se desapegar. É como um vício que, mesmo sabendo que faz mal e nos prejudica, não conseguimos abandonar.

Podemos nos manter presos por lembranças do passado, quando o relacionamento era bom, esperando que ele possa voltar ao que era; ou ficamos reticentes em aceitar que podemos ter nos enganado e preferimos sofrer com a ilusão.


“Há uma grande diferença entre amar e estar apegado: o amor nos dá aquele sentimento de liberdade, enquanto o apego nos aprisiona, e pensamos que as pessoas devem agir da forma que queremos. 

Eu tenho certeza de que você precisa romper com os apegos, pois apegado ninguém vai a lugar nenhum; para ter liberdade você precisa se livrar dos apegos interiores. Entregue nas mãos do Senhor todas as situações e coisas que o aprisionam.”

Padre Fábio de Melo


O apego é o elo que nos liga ao sentimento de insegurança.

O apego não se limita a pessoas. Podemos nos apegar a objetos, a hábitos e a crenças.

Quando fazemos do apego um hábito, passamos a ter dificuldade em aceitar mudanças, em conhecer coisas novas, deixar para trás fases que já foram superadas, objetos que não têm mais utilidade, bens e situações que acreditávamos que nos davam estabilidade, mas que só nos prendiam em necessidades.

Ficar presos a necessidades que não são imprescindíveis na vida, como “preciso ter alguém ao meu lado, ter um cargo importante, ter o carro do ano”, transmitem um falsa sensação de segurança.

Quem projeta a segurança em fatores externos não se preocupa em desenvolver a segurança interna, a autoestima e a autoconfiança, não consegue se sentir inteiro e suficiente. Dessa forma, sente uma permanente insegurança para tomar decisões, tem medo de se sentir abandonado, vive aflito, ansioso e sobressaltado.

Desapego é liberdade.

Para se fortalecer e se sentir bem, pratique o desapego. Se você não se vincular com um noção de necessidade seja a quem ou ao que for, não haverá o sentimento de perda se a situação se modificar.

O reconhecimento da transitoriedade e da consequente liberação natural – filhos casam, amigos morrem, empregos são perdidos, objetos se deterioram – aceitando que nada é permanente, nem a nossa própria vida, evita um sofrimento prolongado quando o vínculo se acaba.

O desapego não significa ser indiferente, pois o amor é um nobre e belo sentimento a ser nutrido. Mas o amor entende os términos e está pronto para os recomeços.

“Amar é ter um pássaro pousado no dedo.
Quem tem um pássaro pousado no dedo sabe que,
a qualquer momento, ele pode voar.”

Rubem Alves

Frases para você praticar o desapego.

O desapego é amar sem nutrir o sentimento de posse.

Sei que não tenho apego quando aceito que nada me pertence.

O desapego é relacionar-se sem criar dependências.

Quem desapega não é indiferente nem insensível: é amoroso e compreensivo.

A renúncia é a libertação. Não querer é poder. (Fernando Pessoa)

Quem se apega a quem é em verdade, não precisa se apegar a mais nada.

Acordar para quem você é requer desapego de quem você imagina ser. (Alan Watts)

O desapego é uma porta aberta para a constante renovação.

O desapego é  um estado que vem da força e da paz interior.

Desapegue-se do mau, do pesado, de tudo que já não tem lugar na sua vida e em nada contribui para sua felicidade.

Quem não se apega a nada em particular sente mais amor à vida como um todo.

 

Noemi C. Carvalho

 


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Um comentário

  1. Laurinda Gonçalves

    Difícil! Mas reconheço a sua (do desapego)importância!

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