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É bom compartilhar os sonhos da pandemia

uma moça de perfil em um pir com uma enorme lua logo atrás como um sonho compartilhar sonhos da pandemia

O fantástico e intrigante mundo dos nossos sonhos.

Os sonhos que povoam nossas noites têm sido motivo para muitos pesquisadores perderem o sono, tentando desvendar os segredos que surgem de nosso inconsciente quando baixamos a guarda e nos desligamos da atitude vigilante sobre as nossas emoções. Alguns pesquisadores queriam saber se é bom compartilhar sonhos da pandemia.

Assim, o interesse continua, para saber como a pandemia do novo coronavírus está influenciando esse bom pedaço de nossa vida essas várias horas quando, teoricamente, estaríamos “desligados” de tudo o que acontece à nossa volta.

Durante a pandemia, muitas pessoas dizem que estão sonhando mais, ou estão tendo sonhos mais longos. Mark Blagrove, professor de psicologia da Swansea University, no País de Gales, Reino Unido, diz que isso é explicado porque as pessoas estão dormindo por mais tempo e acordando sem o despertador interromper seu sono. Além disso, o aumento dos níveis de estresse também pode alterar os sonhos.

Como estudar e analisar os sonhos da pandemia.

Blagrove explica que é difícil estudar os sonhos que ocorrem durante a pandemia porque, por ser um acontecimento inesperado, é um desafio encontrar dados para comparação.

Os pesquisadores, assim, desenvolvem diferentes métodos para usar em suas pesquisas. Um deles é perguntar diretamente aos participantes se os seus sonhos mudaram durante a pandemia, quando comparados com o que costumavam sonhar antes.

Um segundo método consiste em coletar descrições dos sonhos para, em seguida, compará-las com outros relatos de estudos realizados em anos anteriores.

Este foi o método usado por Deirdre Barrett, da Universidade Harvard, que criou uma pesquisa online para que as pessoas relatassem todos os seus sonhos relacionados à pandemia do coronavírus e à covid-19.

Você pode ler mais sobre esse trabalho de Barrett, bem como as suas sugestões e as do Dr. Meir Kryger, da Universidade Yale, para ter um sono melhor em Quando a pandemia invade nossos sonhos.

O estudo brasileiro sobre os sonhos da pandemia.

O Brasil é citado no artigo do professor de psicologia da Swansea University. Blagrove explica sobre um terceiro método, usado num novo estudo feito por Natália Mota, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Ela e seus colegas fizeram uma pesquisa nos meses de março e abril de 2020, usando o mesmo procedimento de um estudo anterior à pandemia do coronavírus, realizado entre setembro e novembro de 2019.

Os pesquisadores pediram aos participantes que relatassem todos os seus sonhos durante o período, isto é, os participantes não escolheram apenas alguns de seus sonhos.

“Isso é importante”, diz Blagrove, “porque essa seleção pode influenciar os resultados”. Além disso, o estudo também usou um programa (o LIWC) para identificar automaticamente palavras emocionais nos relatos que foram feios sobre os sonhos.

A raiva e a tristeza dos sonhos da pandemia.

Assim, os pesquisadores conseguiram descobrir que, durante a pandemia, os sonhos eram mais longos e tinham um conteúdo significativamente maior de raiva e de tristeza.

“Fascinantemente”, se admira Blagrove, “o nível de raiva e tristeza nos sonhos também estava relacionado a quanto sofrimento mental a pessoa tinha como resultado do isolamento social durante o confinamento.”

Segundo ele, “isso é consistente com a teoria de regulação emocional do sonho, que sugere que processamos e regulamos nossas emoções quando dormimos.”

Os pesquisadores brasileiros também perceberam que os sonhos do período da pandemia tinham mais referências a contaminação e a limpeza. Eles associam esse fato a outra teoria, da simulação de ameaças, segundo a qual “nós praticamos a superação de ameaças na realidade virtual dos nossos sonhos.”

Estes dois fatores mostram que os sonhos têm uma importante função em nossos processos emocionais, porque nos ajudam a equilibrar as emoções e superar nossos medos.

Esse fato encontra respaldo nos esclarecimentos dados pelo espiritismo, segundo o qual as horas de sono podem ser de grande valia para nós. Nesses momentos, quando o corpo repousa mas o espírito está desperto, recebemos orientações dos benfeitores espirituais, que nos ajudam no enfrentamento dos problemas da nossa vida.

Você pode ler mais a esse respeito em Sonho: um passeio pelo plano espiritual

Você se sente bem quando fala do seu sonho.

Além disso, os participantes responderam se eles prestaram atenção aos seus sonhos durante a pandemia e se isso os levou a compartilhar com outras pessoas durante o estudo. As pessoas mais felizes, enérgicas, pacíficas, altruístas e criativas foram as que mais apresentaram esse comportamento.

Entretanto, diz Blagrove, existem duas respostas possíveis para explicar esse comportamento. “Isso pode ocorrer porque sentir-se positivo aumenta a probabilidade de você observar e compartilhar seus sonhos. Mas também pode ser que considerar seus sonhos e falar sobre eles tenha esses benefícios positivos.”

De todo jeito, o resultado final é sempre o mesmo: você se sente bem quando conversa com alguém sobre os seus sonhos.

Compartilhar sonhos da pandemia é bom para o sonhador e para o ouvinte também.

Falar sobre um sonho com um amigo ou alguém da família e relacioná-lo com circunstâncias recentes da vida pode criar empatia e ajudar, assim, a nos sentirmos menos solitários, afirmam os pesquisadores.

“Talvez as pessoas que compartilham sonhos pandêmicos tenham mais probabilidade de levar a sério o medo, a raiva e a tristeza que sentem – emoções que muitas vezes podemos afastar durante as horas de vigília. Conversar sobre os sonhos com outras pessoas pode, portanto, ser útil para controlar as emoções, em vez de sofrer em silêncio.”, comenta Blagrove.

Os autores do estudo brasileiro dizem que prestar atenção aos sonhos e contá-los a outras pessoas é “uma maneira relativamente segura de auto-observação e gerenciamento de saúde mental que pode ser recomendada durante este período de incerteza.”

“Isso evidencia a visão de que compartilhar sonhos com familiares e amigos traz benefícios para o sonhador e para a sociedade em geral.”, finaliza Blagrove.

Noemi C. Carvalho

fonte: The Conversation

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