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Em tempos de crise, as orientações de dois mestres espirituais

retratos de jesus e yogananda como inspiração para superar crises

Yogananda comenta Jesus e explica como superar as crises

Jesus e Yogananda foram dois dos grande mestres espirituais que se preocuparam em apontar caminhos e formas de viver para a nossa existência na Terra, ensinando como é possível superar as crises que se apresentam constantemente em nossa vida.

Yogananda foi um dos maiores líderes espirituais da Índia e um dos principais difusores dos ensinamentos da antiga sabedoria do Oriente no mundo Ocidental.

Apesar de ter falecido em Março de 1952, o texto abaixo conserva uma grande afinidade com o momento atual, quando um novo vírus surgiu e instaurou uma crise. Provavelmente, isso se deve ao fato das experiências cíclicas pelas quais a humanidade passa, que voltam reforçando a necessidade de observamos a vida e como ela se desenrola em vista de nossas atitudes.

O texto é parte do livro “A segunda vinda de Cristo  – A ressurreição do Cristo interior“, editado em 2004, com uma compilação de artigos e palestras onde Yogananda mostra a unidade essencial dos diferentes caminhos religiosos para alcançar a paz e a cura do mundo.

Nas palavras de Jesus, a verdade e o caminho.

Yogananda, nesse texto, faz comentários sobre as palavras de Jesus quando dirigiu-se ao discípulos, dizendo: “Por isso, eu vos advirto: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer, nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Porque a vida é mais do que o alimento e o corpo mais do que as vestes.

Observai os corvos, os quais não semeiam, nem ceifam, não têm despensa nem celeiros; todavia, Deus os sustenta. Quanto mais valeis do que as aves! Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida? Se, portanto, nada podeis fazer quanto às coisas mínimas, por que andais ansiosos pelas outras?

“Observai os lírios; eles não fiam, nem tecem. Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão em toda a sua glória se vestiu como qualquer deles. Ora, se Deus veste assim a erva que hoje está no campo e amanhã é lançada no forno, quanto mais tratando-se de vós, homens de pequena fé?

“Não andeis, pois, a indagar o que haveis de comer ou beber e não vos entregueis a inquietações. Porque os gentios de todo o mundo é que procuram estas coisas; mas vosso Pai sabe que necessitais delas. Buscai, antes de tudo, o seu reino e estas coisas vos serão acrescentadas”  – (Lucas 12:22–31).

Yogananda faz uma reflexão sobre as palavras de Jesus.

A partir das palavras de Jesus a seus discípulos, Yogananda traça um paralelo com a sociedade moderna: “A Terra seria um verdadeiro paraíso se nações e pessoas prestassem atenção aos conselhos de Jesus e fizessem de Deus a meta principal da vida.

Jesus insiste na suprema sabedoria que é colocar “Deus em primeiro lugar” e considera isso a melhor fórmula não só para alcançar a felicidade individual, mas também o bem-estar nacional e internacional.

A loucura desenfreada pelo dinheiro que impera na civilização atual mostra claramente que o egoísmo destrói a felicidade individual e nacional. A exagerada competitividade no mundo empresarial é perniciosa, porque cada um procura se apoderar das posses alheias. Assim, numa comunidade de mil homens de negócios, cada um possui 999 inimigos e concorrentes. Jesus advertia que as pessoas deviam compartilhar suas posses com todos; quando se obedece a essa lei, cada pessoa em uma comunidade de mil membros tem 999 colaboradores.

A tarefa de sobreviver no feroz ambiente econômico de nossa época é tão cansativa que os que se dedicam aos negócios devem se esforçar até o esgotamento e não podem se concentrar em desenvolver uma vida verdadeiramente feliz e espiritual. Os negócios foram criados para a felicidade do ser humano, e não o ser humano para os negócios. As iniciativas empresariais só são necessárias na medida em que não interfiram no desenvolvimento espiritual do homem.

Devemos aplaudir o desenvolvimento científico e tecnológico quando utilizado para o aprimoramento da raça humana; mas do ponto de vista prático as nações da Terra poderiam aumentar a felicidade de seus cidadãos se promovessem um estado de consciência baseado na vida simples e nos pensamentos elevados, concentrando mais a mente no desenvolvimento espiritual, na literatura inspiradora, na filosofia e no conhecimento das maravilhas e do funcionamento da criação e dando menos importância ao desenvolvimento vertiginoso de tecnologias que alimentam a loucura pelo dinheiro.

O equilíbrio para a perfeita convivência.

Se as nações da Terra não complicassem a civilização com o egoísmo industrial que leva à superprodução e ao consumo excessivo nos países ricos, fazendo com que os países mais fracos sejam vítimas de exploração e mesquinharias, todos os povos teriam recursos suficientes para se alimentar e viver bem. Mas como o objetivo da maioria das civilizações desenvolvidas é o egoísmo patriótico e a superioridade material, sem nenhuma consideração pelas necessidades dos vizinhos, o mundo passa por situações de caos e pela confusão dos “ismos” que dão lugar a períodos de fome, à pobreza e ao sofrimento desnecessário causado pelas guerras.

Os acontecimentos que marcaram a primeira metade do século 20 demonstram claramente que a segurança e a prosperidade de uma nação nunca podem ser garantidas com egoísmo patriótico e industrial, que já provocaram catástrofes econômicas, duas guerras mundiais, desemprego, medo, insegurança, fome e desastres naturais como terremotos, furacões e secas (que devido às leis do karma de massa são consequência indireta do acúmulo de atos negativos cometidos por indivíduos e nações).

As caóticas condições atuais no mundo inteiro resultam de uma vida afastada dos princípios divinos. Pessoas e nações podem se proteger da destruição total que elas mesmas geraram se viverem de acordo com os ideais divinos de fraternidade, cooperação industrial e intercâmbio internacional de bens materiais e experiências espirituais. O atual sistema econômico de especulação e exploração fracassou; o único que pode gerar prosperidade duradoura no mundo é a fraternidade entre nações, industrialistas e indústrias necessárias.

A verdadeira prosperidade é aquela que é compartilhada.

Os países devem se cuidar mutuamente ou estarão condenados ao fracasso. Por isso Jesus diz às nações da Terra: “Ó nações! Não sejam egoístas pensando unicamente no alimento, no trabalho e no vestuário, esquecendo por completo a fraternidade entre os homens e Deus, o Doador de tudo; do contrário, atrairão sobre si o infortúnio que por vossa ignorância criaram e seu séquito de guerras, epidemias e outros sofrimentos.”

É comum a prosperidade anestesiar a consciência social. “Que importam os outros países? Nós nos esforçamos para criar prosperidade a fim de poder nadar na abundância. Por que eles não podem fazer o mesmo?” A cruel arrogância é míope, já que uma prosperidade nacional duradoura não depende só dos recursos naturais e da iniciativa dos cidadãos de um país. Mas fundamentalmente da conduta moral, da harmonia e da vida espiritual de seus habitantes.

Independentemente do sucesso de uma nação, se seus cidadãos se tornam libertinos, egoístas e desarmoniosos, este povo sofrerá guerras civis, traições e agressão por parte de potências estrangeiras, que acabarão com sua complacência e boa sorte.

Por isso Jesus advertiu os indivíduos e as nações de que não devem ser egoístas nem centrar todos os pensamentos no alimento, no vestuário ou na aquisição de tesouros terrenos. Mas que devem ser humildes, compartilhar sua prosperidade com os irmãos que sofrem privações. E reconhecer Deus como o único Dono e Doador de todas as dádivas no mundo.

Tanto Jesus como Yogananda trazem as mesmas orientações para superar os problemas originados pelas diversas crises.

A situação em que estamos vivendo – a pandemia em função do novo coronavírus – traz à tona a possibilidade de uma reflexão mais profunda sobre conduta.

Naturalmente, as ações maiores dependem dos dirigentes governamentais e dos grandes empresários. Estes deveriam ter em mente que o poder ou a riqueza que lhes foi permitido obter é uma prova ainda maior do que suportar a pobreza. Os processos de reencarnação trazem a oportunidade de aprendizado e de melhorarmos nossas qualidades ou transformarmos nossas imperfeições. Muitas vezes, são incumbências que aceitamos, mas que esquecemos de cumprir quando nos deparamos com a facilidades e regalias que a vida abastada oferece.

E mesmo nós outros, cidadãos comuns, que não temos influência nem poder econômico ou político, temos também a nossa missão a cumprir. Ainda que não tenhamos ação sobre o destino de comunidades inteiras, temos ação sobre a nossa própria vida.

Sabemos que as influenciações energéticas ganham força à medida em que se encontram e entrelaçam. Por isso é importante, sim, o pensamento e a conduta dos bilhões de “pessoas comuns”, que unindo-se, aumentam as energias benéficas e protetoras.

Estas energias do bem promovem halos de proteção que se estendem e podem também obter a transformação – através da influenciação sutil – de energias mais densas e voltadas ao materialismo, ao egoísmo, à vaidade e outras que se destacam pelo individualismo em detrimento da solidariedade.

Façamos, portanto, a nossa parte, seguindo os ensinamentos dos mestres. Possuidores de um desenvolvimento espiritual elevado, nos deixaram caminhos, pensamentos e palavras com o objetivo de produzir uma transformação benéfica e amorosa em nossas vidas.

Noemi C. Carvalho

texto de Yogananda na íntegra no site da Self-Realization Fellowship

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