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Ficar em casa na pandemia é um ato de amor?

pai e filha lavando louças para dizer ficar em casa pandemia

Opiniões se dividem enquanto o vírus se multiplica.

Existe uma polêmica insistente em torno de uma das medidas adotadas para conter a devastadora propagação do novo coronavírus: é a que se refere ao distanciamento social. E no meio desta discussão, será que podemos afirmar que ficar em casa durante o período da pandemia é um ato de amor?

Grupos com opiniões opostas levantam suas bandeiras e aqueles que acreditam que o distanciamento não é necessário fazem manifestações alegando a liberdade de locomoção expressa nas constituições democráticas ou a urgência de voltar ao trabalho por necessidade financeira.

Também pertencem a esse grupo aqueles que estão em negação, que acreditam que todos os dados de contágio e óbitos são manipulados. Será mesmo que esse vírus é tão seletivo que teria infectado a mente de médicos, sanitaristas e estudiosos de quase todo um planeta para que eles inventassem uma história macabra, digna dos melhores filmes de ficção, visando a destruição econômica da humanidade?

A criatividade e a capacidade de adaptação vão ser fundamentais na economia.

Sabemos que manter a economia parada por muito tempo é prejudicial, podendo ser fatal, para muitos negócios. Mas a espécie humana é dotada de inteligência, de criatividade e de um forte sendo de adaptabilidade. Esses atributos impulsionam novos negócios, transformam a sociedade e a vida – mas para isso é preciso estar vivo.

Nesta crise que se desencadeia, alguns negócios estão sendo duramente atingidos. A vida, para voltar ao que era, certamente vai demorar. Além dos efeitos prolongados causados diretamente pelas medidas de distanciamento, quarentenas e lockdwns, o poder de compra está sendo seriamente afetado pelo desemprego e pelos serviços fechados.

Vai ser preciso muita criatividade para se adaptar aos novos tempos e os governos precisam dar condições para que essas mudanças se processem. E acredito que todas as fortunas que estão centralizadas em um punhado de pessoas e empresas (se considerarmos os bilhões que habitam o planeta, milhares deles ainda constituem um punhado) vão fazer a diferença se utilizadas para gerar oportunidades, emprego e renda para a movimentação da economia e a subsistência de bilhões de pessoas.

O lado bom e o lado ruim de ficar em casa na pandemia.

Está ficando em evidência um fato positivo com relação ao distanciamento social. Ficar em casa no período da pandemia está mostrando uma diminuição do número de suicídios em países como, por exemplo, o Japão. Os depoimentos de mensagens na internet mostram muitas pessoas que se sentem melhor trabalhando de casa e, naturalmente, melhoram também a produtividade.

Sem precisar enfrentar trânsito, congestionamento, conduções lotadas, horas de sono e lazer perdidas nesses deslocamentos para o trabalho diminui o nível de ansiedade. Poder trabalhar a partir de casa é uma ótima opção para aqueles que têm filhos pequenos, pais idosos ou animais de estimação.

Existem aqueles, também, que têm maior dificuldade com os relacionamentos sociais. E assim se sentem melhor trabalhando de casa, sem a necessidade de uma interação profissional direta e constante, ou a “obrigação” de interagir com os colegas de trabalho socialmente.

Por outro lado, existem as pessoas que se ressentem da solidão. Medos e ansiedades são dilatados, principalmente para aqueles que moram sozinhos. Mas existem serviços de suporte emocional gratuito que estão sendo fornecidos por faculdades e instituições.

E que melhor momento para deixar a timidez, a vergonha ou o preconceito e aceitar a oportunidade para receber ajuda de quem está se disponibilizando a isso? É uma boa hora para aproveitar a ocasião e lidar com antigos sentimentos, para compreender e fortalecer o emocional. Aproveitar esse tempo de reclusão para organizar seus sentimentos interiores vai permitir retornar mais confiante para a vida exterior.

A fé pode orientar a decisão de ficar em casa durante a pandemia?

Dentro de tudo o que anda acontecendo, vejo pessoas falarem sobre fé. Dizem que é preciso ter fé pois Deus nos protege contra tudo. Concordo. Mas Ele também nos deu o bom senso para avaliar as situações pelo que elas são, pela realidade dos fatos e dos números aos quais todos têm acesso facilmente, e não pelo que gostaríamos que fosse.

Acredito, sim, que é possível a pessoas com uma fé forte, inquebrantável, conseguirem manter o equilíbrio da saúde em qualquer situação, pois Deus é a própria perfeição e nós somos a Sua manifestação. Mas quantas pessoas conseguem, efetivamente, ter essa fé? Para usufruir desse estado divino de perfeição, não basta a fé do “eu acredito”. É muito mais do que isso, é uma comunhão completa e permanente com a essência espiritual que nos compõe.

Quantos são capazes disso? Quantos são capazes de expressar a fé não só em alguns minutos de oração mas nas atitudes minuto a minuto? Em atitudes simples, como, por exemplo, compreender integralmente os outros, não ficar ofendido nem sentir raiva entendo os diferentes graus de evolução de cada um. Ou confiar plenamente que qualquer coisa que esteja acontecendo na nossa vida está certa, porque é a experiência que estamos sendo chamados a viver.

Quantos estarão realmente prontos a se desprender de suas posses materiais, de suas economias, confiando que nunca faltará o pão de cada dia e abrir mão de seu “estilo de vida”, da vida supérflua, do esbanjamento infrutífero e ajudar a providenciar o mínimo para aqueles que não têm sequer uma refeição ao dia? Quem é capaz de dedicar o seu dom e a sua habilidade de conseguir riquezas para, em vez de acumulá-las, distribuí-las fomentando possibilidades de trabalho e vida para aqueles que não têm esse capacidade?

O contágio por assintomáticos é uma característica desse novo coronavírus.

Não devemos, também, nos esquecer que uma grande parte das pessoas contaminadas são assintomáticas, ou seja, mesmo se sentindo com plena saúde existe a possibilidade de ser um transmissor do vírus. Segundo estudos, há seis vezes mais assintomáticos do que pessoas com sintomas aparentes.

A fé que nos protege, portanto, não pode nos dar a absoluta certeza se somos imunes ou assintomáticos. E expor outras pessoas a um perigo de contágio muitas vezes fatal, acredito que não faz parte das leis divinas de amor.

As pessoas que saem apenas para diversão, para se aglomerar em festas, jogos e que tais, estão chamando para si uma responsabilidade ainda maior. Afinal, não se trata nem mesmo da manutenção do trabalho.

E sabemos que a cadeia de contágio se ramifica. Portanto, além de colocarem em risco a si próprias, colocam em risco as pessoas com as quais se encontraram e os familiares ou pessoas com quem convivem na mesma casa.

Preservar a vida dos outros é um ato de respeito e amor.

Jesus nos deixou como regra fundamental para a vida: “Amar ao próximo como a si mesmo”. Qual é a maneira mais correta de colocarmos essa orientação em prática nos dias de hoje?

Talvez pensando em todas as pessoas que são ainda principiantes em sua caminhada espiritual e, mesmo que quisessem estar na proteção de seus lares, estão atendendo doentes em hospitais, cuidando da segurança, da higiene, da alimentação de todos que foram acometidos não só pelos vírus, mas por outras das incontáveis doenças; que estão repondo produtos em mercados, em farmácias, estão produzindo os produtos que vão abastecer as prateleiras, cultivando e transportando os alimentos que nos sustentam a vida ou preparando e transportando refeições; aqueles que estão limpando as ruas do lixo que poderia trazer outros problemas de contaminação, cuidando do abastecimento de água, de energia, da segurança.

São milhões de pessoas que gostariam de estar em casa mas não podem. Então, não é um ato de amor preservarmos a vida de nossos semelhantes? Basta pensar que, na eventualidade de sermos assintomáticos, podemos estar levando pessoas a um sofrido e trágico fim das suas vidas.

Portanto, nas atuais condições da pandemia, sobretudo nos países que ainda enfrentam altos números de contágio e perda de vidas como é o caso do Brasil e dos Estados Unidos, ficar em casa não é apenas um ato de autopreservação. E o mesmo valerá para os países que agora estão reabrindo e observando seus números, avaliando a necessidade de estabelecer novos períodos de distanciamento social.

Ficar em casa, durante a pandemia, é um ato de amor.

A fé que protege nossa vida, além do mais, não vai proteger somente nossa saúde. Aqueles que conseguem sentir profunda e intimamente a ligação com seu Deus interior sabem que a manutenção de seus negócios, de seus empregos, do trabalho de seus funcionários também será protegido e preservado.

A fé não é seletiva, Deus não é seletivo. Mas pouquíssimos dentre nós, neste estágio de experiência terrena, consegue fazer a religação com a centelha divina, com o Deus interior que, em essência, somos nós mesmos e que tem todos os atributos do Criador.

Enquanto isso, enquanto não estabelecemos essa conexão virtuosa, continuamos criando, mas criamos de acordo com nossas capacidades limitadas, sujeitas a falhas e imperfeições. E assim surgem as pandemias, alimentadas pelas baixas vibrações de nossas emanações energéticas, de nossos pensamentos e atitudes materialistas, maldosos, egoístas.

O vírus mostra a fragilidade da defesa humana. Mesmo com toda a evolução da tecnologia e do conhecimento, mesmo nos países com os mais avançados e abastados recursos, ainda não se encontrou o meio de enfrentar e deter a ação devastadora desse inimigo quase que invisível. E para proteger a vida durante o período mais grave da pandemia, ainda recorremos ao método medieval de ficar em casa para ficar em segurança.

A época e as condições que a revestem são um chamamento a olhar para a outra dimensão do ser humano. É preciso olhar para o sofrimento da degradação da Terra, da devastação da fauna e da flora, da miséria exposta.

Então, aproveitemos a oportunidade para fazer cada pequeno gesto ao nosso alcance para sermos os modificadores e melhoradores da vida no mundo. E ficar em casa, no momento presente, é, sim um ato de amor.

Noemi C. Carvalho

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