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Jesus nasceu mesmo no dia de Natal?

Afresco do Presépio de Greccio - primeiro presépio de São Francisco de Assis jesus nasceu
Afresco do Presépio de Greccio – Primeiro presépio de São Francisco de Assis

No começo do cristianismo, não se celebrava o dia em que Jesus nasceu.

O Natal é uma data ansiosamente esperada por diferentes motivos. Para as crianças, é o dia da alegria de ganhar presentes. Para quem trabalha, é um feriado bem-vindo. E para os cristãos, traz a lembrança do nascimento de Jesus, bem como de suas mensagens e ensinamentos sobre a paz, a fraternidade, o amor. Mas será que Jesus nasceu mesmo no dia em que se celebra o Natal?

Historiadores e pesquisadores afirmam que nos Evangelhos não há referência a uma data de nascimento de Jesus. Além disso, apenas dois dos quatro evangelistas falam do seu nascimento e da sua infância.

Nos primeiros anos do cristianismo, a Páscoa era o feriado principal. O nascimento de Jesus não era celebrado, sendo que só a partir do século IV é que, de fato, o Papa Júlio I escolheu para essa data o dia 25 de dezembro.

Por que 25 de dezembro?

O dia 25 de dezembro era quando se comemorava a maior festividade pagã: o “Dies Natalis Solis Invicti” (Dia do Nascimento do Sol Invicto). Essa data foi instituída pelo imperador Aureliano, que fez do deus-sol a principal divindade de seu império e consagrou o templo do Sol Invictus no dia 25 de dezembro de 274.

Essa passou a ser, também, a data que encerrava as festividades da Saturnália – em homenagem a Saturno, o deus da agricultura – o festival romano mais antigo.

A Saturnália reunia as comemorações pelo fim do ano agrário e religioso, somados também ao fim de um ano e início de outro novo, trazendo esperanças e expectativas quanto às próximas colheitas para o ano que começava. Além disso, rememoravam os tempos da “Idade de Ouro”, em que havia abundância e igualdade.

Muitos dos costumes natalinos faziam parte das tradições da Saturnália, como as decorações, visitar os amigos e a troca de presentes, que costumavam ser pequenas figuras de terracota ou prata ou ainda velas de cera.

Quando a Saturnália se transformou em Natividade.

No ano 330, a celebração do Natal cristão foi introduzida pela primeira vez por um decreto imperial de Constantino I, no mesmo dia do feriado pagão do Dies Natalis Solis Invictis, ou seja, em 25 de dezembro.

Assim, a partir dessa data, a figura de Cristo foi de fato considerada pelo Império a nova religião. A igreja católica fez a sua identificação com a do Sol, num esforço para absorver as tradições do festival pagão e assim ser melhor aceita pelas massas, especialmente pelos legionários.

O aniversário de Cristo, o dia em que Jesus nasceu, começou então a ser celebrado em 25 de dezembro para coincidir com o aniversário do deus sol. E desta maneira, o “Dia do Nascimento do Sol” tornou-se o “Dia do Nascimento de Cristo”, chamado inicialmente de “Festa da Natividade”.

Assim, não existe nenhum documento, nenhuma bula papal ou concílio que estabeleceu a data histórica do nascimento de Jesus. As igrejas ortodoxas eslavas e orientais, por sua vez, celebram o Natal em 7 de janeiro, porque ainda seguem o calendário juliano em vez do calendário gregoriano.

O papa João Paulo II fala sobre a origem do Natal.

Na audiência do dia 22 de dezembro de 1993, o Papa João Paulo II, Karol Wojtyla, disse:

“Queridos irmãos e irmãs, aqui estamos nós de novo no Natal, solenidade litúrgica que comemora o nascimento do Divino Salvador, enchendo nossas almas de alegria e paz.

A data de 25 de dezembro, como se sabe, é convencional. Na antiguidade pagã, o nascimento do ‘Sol Invictus’ era celebrado naquele dia, coincidindo com o solstício de inverno.

Parecia lógico e natural para os cristãos substituir aquela festa pela celebração do único e verdadeiro Sol, Jesus Cristo, que nasceu na Terra para trazer aos homens a luz da verdade.”

O Papa Bento XVI também fala sobre a origem do Natal.

Também o Papa Bento XVI, Joseph Ratzinger, na audiência geral de 23 de dezembro de 2009, disse que:

“Na verdade, o ano litúrgico da Igreja não se desenvolveu inicialmente a partir do nascimento de Cristo, mas da fé em sua ressurreição. Portanto, a festa mais antiga do Cristianismo não é o Natal, mas a Páscoa; a ressurreição de Cristo funda a fé cristã, está na base do anúncio do Evangelho e dá origem à Igreja.

No Cristianismo, portanto, a festa do Natal assumiu uma forma definida no século IV, quando substituiu a festa romana do “Sol Invictus”, o sol invencível; ficou assim destacado que o nascimento de Cristo é a vitória da verdadeira luz sobre as trevas do mal e do pecado.

No entanto, o clima espiritual particular e intenso que envolve o Natal desenvolveu-se na Idade Média, graças a São Francisco de Assis, que se apaixonou profundamente pelo homem Jesus, pelo Deus conosco.”

Enfim, o mais importante é mantermos a lembrança do dia em que Jesus chegou até nós e, por amor e compaixão, desceu do elevados planos espirituais para trazer-nos os ensinamentos amor, compaixão, fé e esperança.

Noemi C. Carvalho

Referências

Italy Heritage – Origem do Natal
History – Origem do Natal
Vatican News – Papa Bento XVI
Vatican News – Papa João Paulo II
Wikipedia – Saturnália

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