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Nossas relações são espelhos de nossas crenças

Melhor nos conhecemos quanto mais nos relacionamos.

Na área dos relacionamentos é onde vamos encontrar as melhores experiências para realizar o nosso trabalho de autoconhecimento, uma vez que nossas relações são espelhos de nossas crenças.

O “conheça-te a ti mesmo” é impossível sem o outro, ou os outros, pois é no intercâmbio com as pessoas que fazem parte de nossas vidas que experimentaremos as nossas virtudes, os nossos defeitos, e também conhecemos os limites que nos impedem de evoluir.

Muitos passam pelas nossas vidas: alguns permanecem, outros deixam saudades ao partir, outros tantos desaparecem em nossas lembranças e alguns poucos ficam marcados em nós como cicatrizes que servem de lembranças de momentos indesejáveis.

Independentemente de como essas pessoas nos tocaram, todas elas, de alguma maneira, trouxeram significativas lições que nos permitiram exercitar a tarefa de nos livrarmos das fantasias que representamos com o intuito de não nos ferirmos emocionalmente.

As crenças formam um sistema de proteção, mas às vezes geram bloqueios.

É comum sofrermos repetidamente situações semelhantes, que nos põem à prova.

Esse tipo de circunstância, por suas características, tem um importante papel para que tenhamos oportunidade de nos desvencilharmos de determinadas crenças que acolhemos ao longo de nossas vidas.

Imaginemos que em determinado ponto de nossa vida, para superar alguma dificuldade, desenvolvemos um conjunto de ações que nos permitiram escapar do perigo.

Em função dessa experiência, elaboramos uma série de pensamentos que se agruparam de forma a gerar uma crença. Essa crença vai se manifestar em nossas atitudes como forma de prevenir que tal perigo nos ameace novamente.

Esse mecanismo é muito eficiente para preservar nossa integridade e assim possibilitar que ganhemos experiência e possamos progredir.

Em função dos avanços que fizemos, muitos dos fatores que provocavam riscos e perigos para nossa existência foram sendo eliminados. Mas as crenças que foram se acumulando em nosso ser continuam existindo.

Só que agora, por não serem mais necessárias para nos livrar de algum risco ou perigo concreto, migram para o terreno da imaginação, gerando ansiedades que sobrecarregam nossas emoções e ativam mecanismos de defesa que mais nos imobilizam do que defendem.

Por exemplo, o conjunto de crenças que foi criado para desenvolver atitudes que nos protejam de algum animal selvagem, por não termos mais contato com tais animais, hoje assume a guarda de nossas preocupações com os afazeres cotidianos.

Quando isso acontece, superdimensionamos as exigências de nosso trabalho, os compromissos que assumimos com as pessoas, os prazos de execução para nossas tarefas, enfim, cada pequena atividade de nossa vida pode desenvolver um potencial imaginário de risco semelhante ao rugido de um leão ao nosso lado.

As relações são espelhos onde podemos observar nossas crenças.

Agora imaginemos que em um determinado momento de nossa existência tenhamos tido um relacionamento com uma pessoa. Ela nos traiu e isso nos causou extremo sofrimento e uma série de outros sentimentos, que nos causaram danos e dificuldades.

Esse fato pode gerar, além de um grande abalo emocional, a construção de pensamentos que objetivam prevenir para que tais sensações, sentimentos e emoções danosas não venham mais a ser sentidas.

Essa disposição gera crenças, que vão desencadear atitudes que, antes de mais nada, priorizam a necessidade de afastar qualquer tipo de risco que traga a possibilidade de os sofrimentos trazidos pela traição se manifestarem novamente.

Dentro dessa perspectiva, podem-se desenvolver situações onde essa pessoa não consegue “encontrar” ninguém com quem seja possível manter um relacionamento duradouro e saudável, uma vez que as relações são espelhos que mostram o antigo sofrimento.

Podemos ver, dentro dessa situação, a possibilidade de ter se desenvolvido uma programação, ou um conjunto de crenças, que cria atitudes e comportamentos para assegurar que o  envolvimento amoroso não se aprofunde. Dessa maneira, evita-se o risco de despertar sentimentos mais fortes e intensos, que lembrariam as emoções que se esvaíram anteriormente de forma dolorosa.

Reconhecer nossos pontos fracos é que nos torna mais fortes.

Como vemos, são intrincados os mecanismos que podemos desenvolver em nosso íntimo com o intuito de preservar nosso bem-estar emocional.

Com o objetivo de nos proteger, muitas vezes construímos imensos muros que, ao invés da proteção, nos trazem limitações na missão de nos desenvolvermos como seres em evolução.

Ao descobrirmos o que nos aprisiona, temos a permissão para nos libertarmos. E isso só é possível através dos relacionamentos, todos eles, desde os escassos momentos que dividimos com o caixa na padaria quando vamos comprar o pão, até os mais intensos e profundos laços dos relacionamentos românticos.

Muito de nossos comportamentos se dão através de impulsos vindos do inconsciente. Essas respostas reflexas se tornaram a grande marca de nossa atual sociedade. Hoje nos relacionamos com os outros de forma digital, binária instantânea sem envolvimento, ao passo que estabelecemos relações íntimas com os aparelhos que adotamos como companheiros de nosso dia-a-dia.

Devemos considerar a necessidade de rompermos com as telas luminosas dos aplicativos que virtualizam o mundo de nossos sentidos e tornarmos a ser almas que procuram por outras para uma integração maior, uma vez que relações são espelhos através dos quais podemos nos conhecer melhor.

Ao darmos mais atenção e importância na tecnologia que se colocou como extensão de nosso ser, procuramos suplantar a impressão de fraqueza e perenidade que nos faz autodesvalorizar.

Acreditamos que ao negar nossas fraquezas podemos ser melhores. Mas somente quando percebemos e aceitamos os nossos pontos fracos é que conseguimos nos fortalecer.

 

José Batista de Carvalho

 


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