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O que acontece quando escondemos nossas emoções?

imagem de rapaz com as mãos semi transparentes cobrindo o rosto em meio à face escura da lua escondemos nossas emoções

Evitamos nos relacionar com nossas emoções.

Temos que lidar com muitas coisas durante o nosso dia, mas uma das tarefas mais difíceis é, sem dúvida lidar com as nossas emoções, por isso muitas vezes as escondemos, até de nós mesmos.

Conseguimos dar conta de problemas, de imprevistos, de prazos, de estudo, trabalho, casa e família, arrumamos ainda tempo para nós, para os amigos, para acompanhar as redes sociais e as notícias, temos até um ombro amigo para um amigo que não está bem.

Mas temos dificuldade de nos relacionarmos com as nossas emoções. Tentamos a todo custo escondê-las de nós mesmos, evitar um confronto, evitar senti-las. E por que será que agimos dessa maneira?

Não sinta isso, é feio” – essa é uma das muitas velhas mensagens que ecoam em nossa mente desde a mais tenra infância; com o passar do tempo, julgamos não mais senti-las, porque as escondemos da recriminação dos adultos.”, explica Hammed, no livro “Renovando atitudes”, psicografado por Francisco do Espírito Santo Neto.

Acreditamos, assim, que enterramos definitivamente qualquer emoção que seria capaz de expor nossos sentimentos e, assim, nos fazer sentir humilhados ou envergonhados.

Contudo, o mecanismo emocional não funciona dessa forma.

As emoções não desaparecem só porque as escondemos.

Hammed¹ esclarece que, “ao ignorarmos nossas reações emocionais, não investigando sua origem em nós mesmos, teremos sempre a tendência de projetá-las nos outros.

A tendência que certos indivíduos têm de atribuir falhas e erros a outras pessoas ou coisas, não enxergando e não admitindo como sendo suas, denomina-se ‘projeção’.

É desconfortável admitir nossas emoções, porque isso pode nos trazer lembranças dolorosas, ou talvez nos confronte com situações atuais com as quais temos dificuldade em lidar.

Por isso, continua Hammed “às vezes, tentamos fazer nossas emoções desaparecer, porque as tememos. Reconhecer o que realmente sentimos exigiria ação, mudança e decisão de nossa parte, e muitas vezes seríamos colocados face a face com verdades inadmissíveis e inconcebíveis por nós mesmos; e assim, tentamos projetá-las como sendo emoções não nossas, mas dos outros.

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Em razão disso, certos indivíduos condenam com veemência os ‘ciscos’ nos outros, pois veem em tudo luxúria e perversão, desonestidade ou ambição. É possível que esses mesmos indivíduos estejam reprimindo o reconhecimento de que eles próprios trazem consigo emoções sexuais e perversidades mal resolvidas, ou, em outros casos, emoções desmedidas de fama e de dinheiro projetadas sobre todos os que são por eles denominados ambiciosos e desonestos.”

O cisco e a trave.

Manter uma atitude sempre crítica, sem dúvida, torna a vida menos produtiva, uma vez que empregamos muito de nosso pensamento, de nosso tempo e energia com algo que não é construtivo. Desviamos, assim, recursos importantes que poderíamos usar para realizações que nos fariam felizes, e desperdiçamos oportunidades que a vida poderia nos oferecer.

Em sua análise, Hammed prossegue lembrando que,”na indagação ‘ou como dizeis ao vosso irmão: deixai-me tirar um argueiro do vosso olho, vós que tendes uma trave no vosso?’, Jesus reconhecia a universalidade desse processo psicológico, a projeção, e, como sempre, asseverava a necessidade da busca de si mesmo, para não transferirmos nossos traços de personalidade desconhecidos às coisas, às situações e aos outros.

O Mestre nos inspirava ao mergulho em nossa própria intimidade, a fim de que pudéssemos enxergar o ‘lado obscuro’ de nossa personalidade. Ao tomarmos esse contato imprescindível com nossas ‘sombras’, a consciência se torna mais lúcida, crítica e responsável, descortinando amplos e novos horizontes para o seu desenvolvimento e plenitude espiritual.

Finalizando, atentemos para a análise: ‘as condutas alheias que mais nos irritam são aquelas que não admitimos estar em nós mesmos’, ‘os outros nos servem de espelho, para que realmente possamos nos reconhecer’.”, conclui Hammed.

A vida se abre quando não escondemos nossas emoções.

Escondemos nossas emoções de nós, dos outros, da vida e do mundo porque acreditamos que, ignorando o que nos incomoda ou não gostamos em nós, vamos nos sentir melhor.

Mas para não nos tornarmos reféns de nossas próprias emoções, é preciso coragem para desvendá-las e aceitá-las, através de um processo de autoconhecimento. Entretanto, existem momentos em que é preciso contar com o auxílio de profissionais para nos ajudar nessa tarefa, pelas dificuldades que podem surgir. Não hesite em buscar apoio, porque o autodescobrimento é etapa fundamental em nossa vida, que agrega muito valor tanto nesta passagem terrena como no retorno ao plano espiritual.

Quando compreendemos, enfim, nossas emoções, não nos escondemos mais da vida e conseguimos transformá-las em ferramentas úteis para construir nossos sonhos. Com empenho, perseverança e coragem, vamos dissolvendo as sombras que encobrem nosso ser e nossa vida, tornando-a, assim mais significativa

Noemi C. Carvalho

1 – Hammed viveu por várias vezes no Oriente, e especificamente, na milenar Índia. Também viveu na França do século XVII, nas cercanias de Paris, como religioso e médico. Destaca-se dentre os autores espíritas pela abordagem com elementos da psicologia e da filosofia oriental.

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