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O significado da morte, segundo a visão espírita

Espírito de uma mulher caminhando em uma praia morte na visão espírita

A morte, na visão espírita, não é o fim, mas a continuação da história da vida.

A morte é um assunto do qual não gostamos de falar, porque traz uma sensação de medo do que se desconhece, de adentrar numa escuridão, de apego a tudo e todos que não queremos deixar. Principalmente na cultura ocidental, assim é que a morte é considerada, mas o significado adquire outros contornos de acordo com a visão espírita.

Diversas explicações e relatos, de fato, já foram transmitidos por entidades espirituais com o objetivo de esclarecer essa conceituação onde a morte é vista como algo terrível: o fim da vida.

Marta Antunes de Moura¹ explica que “a morte do corpo físico, ou desencarnação segundo a terminologia espírita, pode apresentar alguns temores, em decorrência da interpretação transmitida por tradições religiosas ou por educação familiar, a despeito de ser a desencarnação um fenômeno natural e inevitável.

Pois na verdade, a verdadeira vida não é a que transcorre no plano físico: ‘A vida espiritual é, realmente, a verdadeira vida, é a vida normal do Espírito. Sua existência terrestre é transitória e passageira, espécie de morte, se comparada ao esplendor e atividade da vida espiritual. O corpo não passa de vestimenta grosseira que reveste temporariamente o Espírito. Verdadeiro grilhão que o prende à gleba terrena, do qual ele se sente feliz em libertar-se.’

A prática do bem é um bem para a vida corpórea e para a vida espiritual.

Por outro lado, o fato de acreditar que não existe uma vida que continua espiritualmente, leva muitos a acreditarem, também, que suas ações atuais não terão nenhuma consequência no futuro.

Da mesma forma, a absolvição divina significa, naturalmente, que Deus não nos condena pois Ele bem sabe das nossas imperfeições e do longo caminho que temos como aprendizado. Mas devemos nos lembrar que nossos atos e suas repercussões nos acompanham na vida espiritual, tanto para o bem como para o mal.

Sobre esse aspecto, Marta fala que o que afasta os temores da morte, uma vez que conferem harmonia e paz interior, é manter as ações voltadas para o bem. “Qualquer auxílio que possa beneficiar os que nos cercam, conhecidos ou desconhecidos, o desprendimento das coisas e bens materiais, traduzem-se como poderosos recursos que produzem calma e paz ao Espírito no momento da sua desencarnação, facilitando igualmente a sua adaptação na realidade extrafísica.

‘De fato, é racional conceber-se que, quanto mais o Espírito se tenha identificado com a matéria, tanto mais penoso lhe seja separar-se dela. Ao passo que a atividade intelectual e moral e a elevação dos pensamentos operam um começo de desprendimento, mesmo durante a vida do corpo; assim, quando chega a morte, o desprendimento é quase instantâneo. Tal o resultado dos estudos feitos em todos os indivíduos observados no momento da morte.’

Existe diferença entre morte e desencarnação?

Mas antes de continuarmos com as explicações sobre o processo da morte, vamos acompanhar a explicação de Geraldo Campetti Sobrinho². Ele fala sobre a diferença que existe, segundo a visão espírita, entre ‘morte’ e ‘desencarnação’:
morte significa extinção da vida física, cessação completa e definitiva da vida orgânica.
desencarnação, por outro lado, refere-se à libertação espiritual, ao desprendimento do Espírito das coisas terrenas, sejam físicas, emocionais ou psicológicas.

Em função dessa distinção, Geraldo Sobrinho faz, assim, duas perguntas:
1ª. É possível morrer e não desencarnar?
2ª. É possível desencarnar e não morrer?

E ele esclarece que, muitas vezes, embora se extinga o fluido vital, o espírito não consegue se desprender em definitivo das questões materiais. “Tais são os casos dos que permanecem apegados a questões materiais, presos a preocupações cotidianas, atados a gravames sentimentais. E, mesmo após o decesso, não conseguem alçar voo em direção a outros páramos. Todavia, não há como desencarnar sem morrer. É a morte do corpo físico que provoca o afastamento do Espírito e não o contrário.’

Portanto, ele conclui, “é possível morrer sem desencarnar, mas não é possível desencarnar sem morrer.”

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O que acontece na hora da morte?

O momento da morte não é igual para todo mundo, porque o desenlace final depende, principalmente, do apego que a pessoa tem à vida carnal e aos bens materiais.

Para esclarecer, portanto, o que acontece nos momentos que antecedem a morte do corpo físico segundo a visão espírita, Marta explica que “no momento final do desligamento do Espírito do corpo físico, não há sofrimento, independentemente das condições que o conduziram à morte. A pessoa entra em estado momentâneo de inconsciência, como se fosse uma espécie de desmaio.

Mas nos instantes que antecedem o momento do desligamento final, denominado estado agônico ou estado de agonia, pode ocorrer algum grau de perturbação ─ palavra utilizada pelo Codificador, estado esse variável, mais leve ou mais pesado, segundo as condições espirituais do desencarnante”, conclui Marta.

Kardec esclarece como se dá a passagem da vida corpórea.

Como esclarece, portanto, Allan Kardec, ‘na passagem da vida corpórea para a espiritual produz-se ainda um outro fenômeno de importância capital — a perturbação. Nesse instante a alma experimenta um torpor que paralisa momentaneamente as suas faculdades, neutralizando, ao menos em parte, as sensações. (…) A perturbação pode, pois, ser considerada o estado normal no instante da morte, e sua duração é indeterminada, variando de algumas horas a alguns anos.’

Kardec complementa assim o seu pensamento: ‘O último suspiro quase nunca é doloroso, porque, ordinariamente, ocorre em momento de inconsciência. Mas a alma sofre antes dele a desagregação da matéria, durante as convulsões da agonia e, depois, as angústias da perturbação. É bom destacar logo que esse estado não é geral, porquanto, como já dissemos, a intensidade e duração do sofrimento estão na razão direta da afinidade existente entre corpo e perispírito.

Assim, quanto maior for essa afinidade, tanto mais penosos e prolongados serão os esforços da alma para desprender-se. Há pessoas nas quais a coesão é tão fraca que o desprendimento se opera por si mesmo, com a maior naturalidade. O Espírito se separa do corpo como um fruto maduro que se desprende do seu caule. É o caso das mortes calmas e de despertar pacífico.’

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A morte é uma lição de vida.

Podemos, portanto, concluir que a vida é uma lição a ser praticada no valores do bem: a bondade, a compaixão, o altruísmo, a paciência, a compreensão, a humildade. Por outro lado, a morte, como explica o espiritismo, é a lição do desapego do materialismo e dos vícios morais retratados nos pecados capitais.

André Luiz³ faz os relatos de alguns casos de desencarnação e os diferentes modos como cada um deles ocorreu. O autor espiritual conta que, em visita a um dos centros de assistência espiritual, um dos instrutores se refere aos problemas, dores e aflições que atormentam a mente humana.

O instrutor Metelo, então, diz: “Outrora, quando nos envolvíamos ainda nos fluidos da carne terrestre, supúnhamos com desacerto que a vaidade e o egoísmo somente poderiam vitimar os homens encarnados. (…)

Hoje, porém, sabemos que, depois do túmulo, há simplesmente continuação da vida. Céu e inferno residem dentro de nós mesmos. A virtude e o defeito, a manifestação sublime e o impulso animal, o equilíbrio e a desarmonia, o esforço de elevação e a probabilidade de queda perseveram aqui, após o trânsito do sepulcro, compelindo-nos à serenidade e à prudência.

Não nos encontramos senão em outro campo de matéria variada, noutros domínios vibratórios do próprio Planeta em cuja Crosta tivemos experiências quase inumeráveis. Como não equilibrar, portanto, o coração no exercício efetivo da solidariedade?”

A vida é, acima de tudo, a oportunidade para o nosso crescimento interior, para nossa evolução espiritual. Sendo assim, cada dia de vida é uma dádiva pela qual devemos expressar gratidão, tendo sempre em mente que Deus nos aguarda ao final do trajeto, mas somos nós que escolhemos o caminho.

Noemi C. Carvalho

Referências

1 – Federação Espírita Brasileira, Marta A. de Moura
2 – Federação Espírita Brasileira, Geraldo C. Sobrinho
3 – Obreiros da Vida Eterna, de André Luiz, psicografado por Chico Xavier

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