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O sofrimento é a dor da alma

Moça escondendo um dos olhos com a mão pois sofrimento é a dor da alma.

O sofrimento é um sentimento angustiado que pode ou não ter uma causa percebida.

O sofrimento é a dor da alma, e pode ser decorrente de uma tensão emocional provocada por um acontecimento importante, como uma separação amorosa, a perda do emprego ou a morte de alguém próximo. Casos assim precisam de um tempo para a cura, mas na maioria das vezes são superados sem a necessidade de maiores cuidados.

Por outro lado, quando passamos por acontecimentos que causam um abalo emocional muito forte, ou quando começa a acontecer uma sucessão de vários eventos que nos causam tristeza e mágoa, talvez só aguardar o tempo pode não trazer o resultado necessário para voltarmos ao nosso bem-estar.

Nesse caso, logo que percebemos que nosso estado emocional não está melhorando, é conveniente procurar meios de estancar o sangramento de nossas emoções e cicatrizar as nossas feridas, tratando das dores da alma.

A dor da alma precisa de cuidados.

A dor sentida emocionalmente pode provocar um sentimento de prostração, uma apatia perante a vida, que afeta diretamente nossa autoestima. Quando vai sendo alimentada por novas situações ou pela ruminação de nossos pensamentos, pode então levar a uma angústia mais profunda, pode terminar na temida depressão.

A depressão é um estado emocional difícil de ser percebido e identificado. Profissionais da área de saúde emocional são unânimes no que diz respeito à dificuldade que existe para a pessoa que está deprimida, bem como para as pessoas de seu convívio, perceberem e identificarem o quadro que pode sugerir um estado depressivo. Talvez essa seja uma das causas pela qual poucas pessoas buscam tratamento.

Somado a isso, outro fator de grande importância é o preconceito em relação ao assunto, fato também ressaltado pelos profissionais da área. Ainda existe uma forte conotação relacionada à vergonha em se admitir uma instabilidade emocional profunda. Isto acontece, principalmente, por parte dos homens, uma vez que a manifestação de sentimentos é socialmente vista como sinal de fraqueza.

Em muitos casos, por desconhecimento, falta de observação ou vergonha, a escolha feita é conviver com um sofrimento que pode acabar com a vida, ao invés de procurar um tratamento que pode acabar com o sofrimento.

O papel do sofrimento na nossa vida.

Trigueirinho deixou diversas obras cujo fundamento é estimular a ampliação da consciência humana. Seus textos abordam temas como o autoconhecimento, a oração, a instrução e a transformação espiritual.

Numa de suas exposições sobre a questão do sofrimento, ele cita que “o sofrimento, embora não faça parte do Propósito de Deus, é inerente à personalidade do homem por causa de suas ligações com o passado e do exercício da força do desejo ainda não elevado por objetivos superiores.

Em suma, muitas vezes nosso sofrimento acontece por não conseguirmos nos desvincular dos eventos negativos pelos quais passamos. Assim, fazemos com que sejam revividos, mesmo não o desejando de forma consciente. Ou quando nos retemos em aspirações mesquinhas, priorizando o benefício pessoal sem se importar com danos que podem ser causados a outras pessoas.

Para esclarecer melhor, Trigueirinho continua: “Quando a humanidade conseguir elevar o próprio desejo para objetivos superiores, evolutivos, que transcendem as necessidades normais e comuns criadas pela imaginação ou pelos condicionamentos do passado e, principalmente, quando dispensar o que é supérfluo, luxuoso e paliativo, o sofrimento humano diminuirá o quanto for permitido pela lei cíclica.

É bom, naturalmente, prestarmos atenção a essa última frase, pois ela traz um significado muito importante, que é explicado da seguinte maneira:

O sofrimento e a dor têm funções espirituais, morais e físicas para o homem. O valor espiritual e evolutivo do sofrimento e da dor encontra-se no fato de o homem ser por eles levado a concentrar suas forças mentais em descobrir o motivo que o levou a tê-los e ser, com isso, ajudado a se desidentificar de seu próprio ego humano, núcleo cheio de vícios e de hábitos a serem superados.

Existem muitos meios para curar a tristeza e a dor da alma.

A conotação espiritual do sofrimento como fator de evolução é incontestável. Mas existem momentos que não conseguimos a tranquilidade mental necessária para processar o sofrimento e conseguir essa compreensão.

Se procuramos médicos para tratar de uma dor estômago ou de um braço quebrado, por que não dar o mesmo tratamento às emoções doídas e esfaceladas, à nossa dor da alma?

Afinal, cada pessoa tem uma forma diferente de assimilar e reagir a eventos negativos, um jeito particular de processar desilusões, frustrações e fracassos. É claro que o fortalecimento da personalidade acontece com a superação de problemas e dificuldades. Mas às vezes, se o tombo é grande, precisamos de uma mão que nos ajude para levantar do chão.

Hoje em dia, os constantes avanços tecnológicos trazem cada vez mais novas descobertas na área da medicina, o que possibilita tratamentos mais adequados para manutenção da saúde.

Atualmente sabe-se, por exemplo, que desequilíbrios bioquímicos das substâncias químicas naturais presentes no organismo afetam a produção dos elementos necessários a uma perfeita harmonia existencial.

Assim, novos tratamentos envolvendo uso de medicamentos são capazes de regular o equilíbrio desse complexo e delicado sistema que é o corpo humano. Isto permite que a serenidade possibilite as necessárias reflexões de ordem interior e espiritual.

Aproveitar cada vez mais e melhor a vida depende da sua iniciativa.

Por isso, se você não consegue entender porque é que você às vezes fica tão para baixo, se tenta se sentir bem e não consegue, é porque pode não ser tão simples assim. Avalie, seja sincero com você, veja se é o momento de procurar uma orientação profissional.

Se tiver dificuldade, peça a alguém que tenha contato com você no dia a dia para ajudar a fazer um apanhado das suas atitudes, das suas reações. É difícil, muitas vezes, perceber sozinhos, mas o olhar do outro pode identificar atitudes e comportamentos que a própria pessoa não consegue perceber.

Se as pessoas que convivem ao seu lado não lhe oferecem ajuda ou não mostram preocupação, é porque pode ser difícil ter essa noção. Os sinais, se não são muito intensos e específicos, são confundidos com irritação, “um dia ruim” ou um aborrecimento do qual não se quer falar.

Claro que uma dor de cabeça, um resfriado, uma torção no pé são bem mais fáceis de perceber. Por isso redobre a atenção, pois quanto antes você cuidar da sua saúde emocional, quanto antes cuidar da dor da alma, mais tempo você vai ter para aproveitar a vida.

Procure em sua cidade uma instituição privada ou governamental que possa lhe dar orientações e, se for o caso, os cuidados necessários.

A perfeição da vida consiste em aceitarmos nossas imperfeições.

Se você está passando por um período de sofrimento emocional, saiba que reconhecer o desequilíbrio das emoções não é vergonha, não é fraqueza. É cuidar do bem-estar, é cuidar da vida.

Quando éramos crianças queríamos crescer para sermos independentes. Crescemos e ganhamos autonomia. Mas a “in”dependência precisa dessa atitude “in”, isto é, olhar para dentro, descobrir-se, aceitar grandezas e fraquezas, entender que fraqueza não é erro, que erro não é fracasso, são apenas aprendizados e qualidades em graus diferentes de desenvolvimento.

E ninguém está aqui para ser perfeito em tudo. Estamos aqui para buscar o caminho do aprimoramento e para desenvolver nossas qualidades ou, talvez, para desenvolver justamente nossas “não-qualidades”.

A vida está aí para ser vivida, com todas as suas alegrias e todas as suas dores, que terminando seu ciclo, vão trazer novas alegrias.

Noemi C. Carvalho

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