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Porque nascem crianças com deficiências, segundo o espiritismo

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Por que nem todos nascem saudáveis?

É comovente ver crianças que nascem com deformidades físicas ou com desequilíbrios mentais. Entretanto, segundo o espiritismo, existem explicações que decorrem de ações passadas praticadas por esses mesmos seres e que resultam, no presente, no nascimento como crianças portadoras de variadas deficiências.

Fica difícil entender porque é que alguns nascem saudáveis, perfeitos, são agraciados pela normalidade enquanto outros precisam de cuidados especiais e muitos não terão a oportunidade de ter uma vida que consideramos normal.

Mas tudo faz sentido quando temos a possibilidade de compreender, pelas explicações dadas pelo espiritismo, como a lei de causa e efeito age, com consequências que muitas vezes decorrem de atos praticados há centenas de anos.

Uma descrição de um desses casos de reencarnação segundo a visão do espiritismo é detalhada por André Luiz¹, sendo necessário observar que cada espírito tem uma trajetória individual, portanto as deficiências no nascimento que podem acometer as crianças não se aplicam a uma regra geral. Ou seja, o relato de um caso mostra as características particulares do mesmo e não se aplica, portanto, a outros, ainda que possuam características semelhantes.

O autor também relata o acompanhamento prestado pelos benfeitores espirituais, os entrelaçamentos que existem nos núcleos familiares, o benefício e a necessidade de perdoar, o excelso poder da oração e a sublime ação do amor e da fé.

Um caso onde o espiritismo explica a questão de crianças que nascem com deficiências.

Nessa situação em particular, André Luiz conta que estava em missão de auxílio com o instrutor Calderaro. Chegaram, então, a uma casa onde o instrutor disse que encontrariam um companheiro de outras épocas, que havia reencarnado em dolorosas condições.

Num dos cômodos estava um menino doentinho, muito magro e que choramingava, inspirando piedade. Ao seu redor, estavam duas entidades tão infelizes quanto ele mesmo, de triste e estranho aspecto.

O mentor explicou que a criança, com a idade de oito anos, era o primeiro filho de um casal. Paralítico de nascença, não falava, não andava, enxergava muito mal e quase nada ouvia.

Assim nascera, expõe Calderaro, como forma de “cumprir severa pena, lavrada, em verdade, por ele próprio. Há quase dois séculos, decretou a morte de muitos compatriotas numa insurreição civil. Valeu-se da desordem político-administrativa para vingar-se de desafetos pessoais, semeando ódio e ruínas.”

O instrutor informou que muitas das vítimas já lhe haviam perdoado os crimes. Mas muitas outras seguiram-no, obstinadas, anos afora, o que lhe ocasionou enormes sofrimentos nos sombrios vales do umbral. Haviam restado, afinal, esses dois últimos inimigos.

O espírito endividado perante a justiça divina conseguiu, finalmente, a presente reencarnação, para a fase conclusiva de resgate e a possibilidade de completar a cura efetiva, em cujo processo se encontrava há muitos anos.

As lembranças dos erros praticados acompanham o espírito.

O assistente Calderaro explicou a André Luiz que os espíritos não retrocedem em hipótese alguma. Mas nas reencarnações “podem sofrer degenerescência, de modo a facilitar os processos regenerativos. Todo mal e todo bem praticados na vida impõem modificações em nosso quadro representativo.

Nosso desventurado amigo”, continua o benfeitor, “envenenou por muito tempo os centros ativos da organização perispiritual. Cercado de inimigos e desafetos, frutos da atividade criminosa a que se consagrou voluntariamente, permanece quase embotado pelas sombras resultantes dos seus tremendos erros.

No campo consciencial”, explica o mentor, “chora e debate-se, sob o aguilhão de reminiscências torturantes que lhe parecem intérminas; mas os sentidos, mesmo os de natureza física, mantêm-se obnubilados, à maneira de potências desequilibradas, sem rumo.

Os pensamentos de revolta e de vingança, emitidos por todos aqueles aos quais deliberadamente ofendeu, vergastaram-lhe o corpo perispiritual por mais de cem anos consecutivos, como choques de desintegração da personalidade.”

Quem semeia o mal, um dia haverá de colhê-lo também.

A ação dos adversários implacáveis, que se mantiveram apegados ao seu antigo algoz, exercendo sobre ele forte influência, levaram a sua mente a se fixar nos impulsos automáticos, isto é, no império dos instintos, privado do uso da inteligência e da razão.

E conforme ressaltou o instrutor, “permitiu a Lei que assim acontecesse, naturalmente, porque a conduta de nosso infortunado irmão fora igual à do jaguar que se aproveita da força para dominar e ferir. Os abusos da razão e da autoridade constituem faltas graves ante o Eterno Governo dos nossos destinos.

Espiritualmente,” explica Calderaro, “este pobre doente não regrediu. Mas o processo de evolução, que constitui o serviço do espírito divino, através dos milênios, efetuado para glorioso destino, foi por ele mesmo (o enfermo) espezinhado, escarnecido e retardado.

Semeou o mal, e colhe-o agora. Traçou audacioso plano de extermínio, valendo-se da autoridade que o Pai lhe conferira, concretizou o deplorável projeto e sofre-lhe as consequências naturais de modo a corrigir-se.”

O benfeitor lembra que já se haviam se afastado a maior parte dos inimigos, reunidos pelo desejo de vingança, e, portanto, agora o espírito endividado tivera a oportunidade de se aproximar de amoroso coração materno que o ajudaria ao final do longo processo de regeneração.

As ligações espirituais que se encontram nos laços familiares.

Com relação ao dois infelizes desencarnados que o perseguiam, Calderaro relatou que “são duendes do ódio e da vingança, como o nosso enfermo é um remanescente do crime. São náufragos na derradeira fase de salvação, após enorme hecatombe no mar da vida, onde se perderam por muitos anos, por incapazes de usar a bússola do perdão e do bem.”

Mas esses dois espíritos em breve também reencarnariam, “por intermédio de um coração de mulher que compreendeu com Jesus o valor do sacrifício (…) e consoante o programa redentor já delineado, ingressarão neste mesmo lar na qualidade de irmãos do antigo adversário.”

Nessa relação fraterna, e assistidos pela ternura da mãe amorosa, eles ajudarão o irmão enfermo que lhes despertará compaixão. E quando beijarem carinhosamente o velho inimigo, as negras algemas do ódio se transformarão em elos luminosos.

“Chegado esse tempo”, antecipa o instrutor, “a força do perdão restituirá nosso doente à liberdade; largará ele, qual pássaro feliz, este mirrado corpo físico, sufocante cárcere do crime e suas consequências, onde se debateu por quase dois séculos.”

Desta forma, pelas elucidações fornecidas pelo espiritismo, pode-se encontrar a razão para alguns casos de deficiências entre crianças bem como das mortes em tenra idade. São muitas vezes casos que atendem aos reajuste cármicos decorrentes da lei de causa e efeito.

O ódio emite energias destrutivas.

Enquanto isso, explica Calderaro, é preciso cuidar da valorosa mãe, “em quem as Forças Divinas respeitam a vocação para o martírio, por iluminar a vida e enriquecer a obra de Deus.”

Entretanto, um dos verdugos desencarnados colocou a mão na cabeça do doentinho. Nesse momento, como relata André Luiz, “extrema palidez e enorme angústia transpareceram no semblante do paralítico. Notei que a infeliz entidade emitia, através das mãos, estrias negras de substância semelhante ao piche, as quais atingiam o encéfalo do pequenino, acentuando-lhe as impressões de pavor.”

O mentor não se impressionou com a cena, pois, como disse, “se o amor emite raios de luz, o ódio arremessa estiletes de treva.” E relatou que o enfermo estava sendo bombardeado por energias destrutivas do ódio. Tal situação, que derivava do sentimento de culpa, levava-o mentalmente para a zona das sofridas lembranças do passado.

Além disso, Calderaro explica que “os raios destrutivos alcançam-lhe a zona motora, provocando a paralisação dos centros da fala, dos movimentos, da audição, da visão e do governo de todos os departamentos glandulares. Na verdade, essa dolorosa situação cronicificou-se, pela repetição desta ocorrência milhares de vezes, em quase duas centenas de anos.”

A carinhosa mãe pede forças para continuar a difícil jornada.

Foi então que a jovem mãe se aproximou, pegou cuidadosamente o filho sofredor e abraçou-o com o mais terno dos carinhos. Em seguida, ela começou a orar, banhada em lágrimas, enquanto Calderaro lhe transmitia fluidos sadios para reparar-lhe as forças nervosas.

André Luiz descreve a comovente oração da mãezinha que sofria também. E, entre as palavras que solicitavam amparo ao pequeno enfermo, vinham-lhe também os questionamentos: “Por que não a ouvia o Senhor, nos Altos Céus, permitindo um milagre que restituísse o filhinho ao equilíbrio tão necessário?”

“Por que”, interrogava súplice, “nasciam crianças na Terra com a destinação de tamanha angústia? Por que o martirológio dos seres pequeninos?”

“Em vão percorrera gabinetes médicos e ouvira especialistas”, explica André Luiz. Sempre as mesmas decepções, os mesmos desenganos. O filhinho parecia inacessível a qualquer tratamento.

Sentia-se frágil e extenuada. E chorava, implorando a bênção divina, para que as energias lhe não faltassem na luta.”

A paz e a fé restabelecem o ânimo da jovem mãe.

Logo em seguida, o abnegado mentor pousou as suas mãos sobre a cabeça da mãezinha para lhe transmitir, como um pai amoroso, palavras de ânimo e de consolação, que ela recebia como ideias e sugestões superiores.

Foi então que André Luiz notou uma mudança na disposição da jovem e o surgimento de um suave foco de claridade irradiante que, fluindo do cérebro, desceu para o tórax, de onde tênues fios de luz a ligaram ao filhinho infeliz.

Deus não a abandonaria, pensava agora a mãe dedicada. Ele lhe daria as forças necessárias para que pudesse cumprir a tarefa que lhe outorgara.

Via, é verdade, os filhos de antigas companheiras, crianças bonitas, saudáveis e inteligentes. Mas também o seu pequenino paralítico era belo, embora precisasse de mais ternura e amparo. Certamente Deus sabia porque ele viera ao mundo, daquela forma, sem o dom da palavra ou da inteligência.

Os milagres do amor alcançam todos ao seu redor.

Passavam-lhe, agora, pensamentos diferentes da aflição inicial: “Não lhe bastaria confiar no Supremo Pai? Serviria ao Senhor sem indagar; amaria seu filho pela eternidade; morreria, se preciso fora, para que ele vivesse.”

Em seguida, num gesto de intraduzível carinho, a mãezinha beijou seu filhinho doente nos lábios. Surpreso, André Luiz relata que viu “que numerosas centelhas de luz se desprendiam do contato afetivo entre ambos e se derramavam sobre as duas entidades inferiores. Estas, de sua parte, se inclinaram também, como que menos infelizes, perante aquela nobre mulher que mais tarde lhes serviria de mãe.”

Assim, entre as paredes do lar modesto, “o Médico Divino, utilizando um corpo incurável e o amor, até o sacrifício, de um coração materno, restitui o equilíbrio a espíritos eternos, a fim de que sobre as ruínas do passado possam irmanar-se para gloriosos destinos”, finaliza André Luiz.

O espiritismo traz o entendimento para comoventes casos de crianças que nascem portando deficiências.

Por esse relato, tão dramático quanto comovente, encontramos sentido no inexplicável e compreendemos, assim, os mecanismos de ajustes das reencarnações.

É possível compreender, pela visão global dada pelo espiritismo a cada existência, porque muitas crianças nascem com deficiências.

O sofrimento e a dor ganham outra dimensão quando sabemos que o passado se encadeia ao presente, e as experiências do momento preparam um futuro melhor.

Nada é por acaso e, portanto, tudo serve ao equilíbrio das almas devedoras, bem como à evolução dos espíritos abnegados e confiantes.

Noemi C. Carvalho

1 – André Luiz em “No Mundo Maior”, psicografado por Chico Xavier

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