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Saiba um pouco sobre a infância de Chico Xavier

uma ilustração da mãe de Chico Xavier o abraçando em criança para consolá-lo infância de Chico Xavier

A infância de Chico Xavier foi marcada por tristeza e sofrimento.

Alguns episódios da infância de Chico Xavier são narrados por Ramiro Gama¹. Chico se tornou conhecido no Brasil e no mundo pela sua dedicação à missão de servir aos bondosos e elevados Espíritos empenhados em trazer os esclarecimentos sobre a vida espiritual, para assim trazer luz às dúvidas que lançam sombras sobre a nossa vida.

Contudo, apesar do nobre propósito a que estava destinado, a infância de Chico Xavier foi marcada por muita tristeza e sofrimento. Mas também não lhe faltou o amor, para lhe dar conforto e forças.

E foi assim que esse servidor abnegado da espiritualidade superior teve a sua alma preparada para o caminho mediúnico que se descortinaria à sua frente.

Leia, a seguir, um pouco sobre a infância de Chico Xavier, contada pelas palavras de Ramiro Gama.

Noemi C. Carvalho

Quando a bondosa mãe de Chico morreu.

“A progenitora de Chico era um coração grandioso de mulher, um exemplar edificante de verdadeira mãe. Foi seu amparo, seu anjo tutelar até os 5 anos de idade, quando desencarnou, deixando-o órfão.

Aí começaram os primeiros sofrimentos que lhe burilaram a alma, preparando-a para o cumprimento de sua grandiosa Missão.

Quando Dona Maria João de Deus desencarnou, em 29 de setembro de 1915, Chico Xavier, um de seus nove filhos, foi entregue aos cuidados de Dona Rita de Cássia, velha amiga e madrinha da criança.

Dona Rita, porém, era obsidiada e, por qualquer bagatela, se destemperava, irritadiça. Assim é que o Chico passou a suportar, por dia, várias surras de varas de marmeleiro, recebendo, ainda, a penetração de pontas de garfos no ventre, porque a neurastênica e perversa senhora inventara esse estranho processo de torturar.

O garoto chorava muito, permanecendo horas e horas, com os garfos dependurados na carne sanguinolenta e corria para o quintal, a fim de desabafar e, porque a madrinha repetia, nervosa:

— Este menino tem o diabo no corpo.

Lembrando o ensinamento da mãezinha querida.

Um dia, lembrou-se a criança de que a Mãezinha orava sempre, todos os dias, ensinando-o a elevar o pensamento a Jesus e sentiu falta da prece que não encontrava em seu novo lar.

Ajoelhou-se sob velhas bananeiras e pronunciou as palavras do Pai Nosso que aprendera dos lábios maternais. Quando terminou, oh! maravilha! Sua progenitora, Dona Maria João de Deus, estava perfeitamente viva ao seu lado.

Chico, que ainda não lidara com as negações e dúvidas dos homens, nem por um instante pensou que a Mãezinha tivesse partido para as sombras da morte.

Abraçou-a, feliz, e gritou:

— Mamãe, não me deixe aqui… Carregue-me com a senhora…

— Não posso, — disse a entidade, triste.

— Estou apanhando muito, mamãe! Dona Maria acariciou-o e explicou:

— Tenha paciência, meu filho. Você precisa crescer mais forte para o trabalho. E quem não sofre não aprende a lutar.

— Mas, — tornou a criança — minha madrinha diz que eu estou com o diabo no corpo.

— Que tem isso? Não se incomode. Tudo passa e se você não mais reclamar, se você tiver paciência, Jesus ajudará para que estejamos sempre juntos.

Em seguida, desapareceu. O pequeno, aflito, chamou-a em vão.

Chico aceitou o conselho e se resignou.

Desde esse dia, no entanto, passou a receber o contato de varas e garfos sem revolta e sem lágrimas.

— Chico é tão cínico — dizia Dona Rita, exasperada, — que não chora, nem mesmo a pescoção.

Porque a criança explicava ter a alegria de ver sua mãe, sempre que recebia as surras, sem chorar, o pessoal doméstico passou a dizer que ele era um “menino aluado”.

E, diariamente, à tarde, com os vergões na pele e com o sangue a correr-lhe em pequeninos filetes do ventre o pequeno seguia, de olhos enxutos e brilhantes, para o quintal, a fim de reencontrar a mãezinha querida, sob as velhas árvores, vendo-a e ouvindo-a, depois da oração.

Assim começou a luta espiritual do médium extraordinário que conhecemos.

Encontrando de novo um amor maternal.

Numa tarde, foi chamado à casa do pai, que se casara pela segunda vez com uma mulher muito meiga e por isto, bela, afirma o Chico. Inspirada, talvez pela falecida genitora do humilde médium, essa senhora impõe uma condição ao casamento: que o pai do Chico reunisse de novo os filhos, a fim de que ela os acabasse de criar.

E Chico, quando se viu à frente dessa criatura, quando soube do seu nobilitante gesto, quando sentiu no pescoço a carícia de seus braços carinhosos, não se conteve, beijou-lhe sentida e gratamente a barra da saia e votou-lhe, daí por diante, intensa e sincera amizade de verdadeiro filho.

Em correspondência a esse afeto, essa segunda mãe o ensinou a orar, a sentir Deus, a achar bela a vida, a trabalhar e a procurar ser útil aos outros.

Contava 17 anos e era feliz, quando a segunda mãe, de repente, adoece e desencarna, tendo-lhe antes feito prometer, à beira do leito, tomar a si o encargo de continuar com a casa e não permitir que fossem os irmãos, novamente, entregues a estranhos.

E assim fez. Empregou-se. Ganhava 60 cruzeiros por mês. Era pouco, mas com Deus era muito; dava para as despesas e ninguém passava fome. Todos viviam satisfeitos. Aprendera a cozinhar e, auxiliado por uma irmãzinha, conservava em dia o expediente do lar.

Ganhava corpo, neste ínterim, a sua preciosa mediunidade. Recebe o “Parnaso de Além Túmulo”; torna-se conhecido no Brasil e mundo afora.”

Ramiro Gama, em “Lindos Casos de Chico Xavier”

Referência

1 – Ramiro Gama (nascido em dezembro de 1898 e desencarnado em maio de 1981) foi jornalista, escritor, poeta, conferencista e espírita dos mais atuantes, com dezenas de obras publicadas.
Das oportunidades que teve para se encontrar com Chico Xavier e das conversas descontraídas, compilou várias das histórias que ouviu do abnegado médium.

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