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Síndrome do pânico: o mal silencioso que grita dentro do corpo

O que é a síndrome do pânico.

Dores no peito, taquicardia, náusea, vertigem, dificuldade para respirar e muito medo de morrer. Todos esses sintomas, que podem parecer de um infarto, são algumas das características dos ataques de pânico.

Ao contrário de uma reação de medo normal diante de uma situação de perigo, um episódio de pânico começa sem motivo ou avisoVisualizar(abrir em uma nova aba) prévio.

Embora os sintomas variem de uma pessoa para outra, em geral começam com um estado de ansiedade agudo e extremo, uma onda de medo e desespero intensos que dificulta a respiração, acelera o coração e seca a boca.

A síndrome do pânico ou transtorno do pânico é caracterizada como transtorno de ansiedade, ou seja, a pessoa que tem ataques de pânico apresenta crises importantes de ansiedade, um estado emocional de apreensão, uma expectativa de que algo ruim aconteça, um medo sem objeto definido, sem motivos reais.

 A crise de pânico é uma experiência de pico máximo de ansiedade levada ao extremo.

O histórico da síndrome do pânico.

Na década de 1960, várias pesquisas científicas começaram a diferenciar inesperados ataques de ansiedade de outras manifestações de ansiedade, e a classificação diagnóstica oficial da síndrome do pânico ocorreu em 1980.

A síndrome do pânico pertence à classe dos transtornos de ansiedade, junto com as fobias, o estresse pós-traumático, o transtorno obsessivo-compulsivo e o distúrbio de ansiedade generalizada.

Desconhecem-se as causas exatas dos ataques de pânico. O problema, em geral, aparece na faixa etária entre os 15 e os 19 anos e atinge mais as mulheres, e raramente se inicia depois dos 40 anos, mas pode afetar qualquer faixa etária.

Estima-se que entre 4 e 6 milhões de brasileiros sofram com esse distúrbio. Nos Estados Unidos, onde foi realizado um número maior de pesquisas sobre o problema, os especialistas afirmam que 3,5% da população sofrem da síndrome e que 71% dos casos ocorrem em mulheres.

O Brasil tem a maior taxa de pessoas com transtornos de ansiedade do mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 9,3% dos brasileiros sofrem de algum transtorno de ansiedade. Apesar desse número alarmante, os brasileiros sabem pouco sobre a diferença entre ansiedade e síndrome do pânico.

Ansiedade, fobias e síndrome do pânico.

A ansiedade é um sentimento comum ao ser humano. Desde a infância nos sentimos ansiosos com acontecimentos que estão por vir: uma festa de aniversário muito aguardada, uma prova difícil e até mesmo uma viagem podem causar grande expectativa, um sentimento normal e até necessário para nossa evolução.

O problema é que, em alguns casos, essa ansiedade se torna muito acentuada, com episódios de medo intenso e que apresenta sintomas físicos desagradáveis como falta de ar, palpitações, enjoos, tonturas, suores, tremores,  entorpecimento ou a sensação de que algo terrível está para acontecer. Todos esses sintomas caracterizam uma crise de ansiedade e, quando potencializados, desencadeiam a síndrome do pânico.

Uma grande diferença entre ansiedade e síndrome do pânico é que a síndrome do pânico é um tipo de transtorno em que a pessoa sofre com períodos de intensa ansiedade, os chamados ataques de pânico.

Nas fobias, a pessoa teme uma situação ou um objeto específico. No pânico, ela teme o que ocorre no próprio corpo. Podemos considerar os casos de pânico como fobias nas quais o que assusta são as reações do próprio corpo; é para essas reações que se volta a atenção, como deflagradoras das crises de pânico.

Como identificar a diferença entre ansiedade e um ataque de pânico?

A diferença entre ansiedade e ataque de pânico está na intensidade dos sintomas e na imprevisibilidade de sua ocorrência.

Enquanto a ansiedade tem causas mais lógicas e concretas, como um desafio a ser enfrentado ou uma situação delicada que está para ocorrer, a crise de pânico não tem hora nem motivo para começar.

Os ataques de pânico manifestam-se, via  de regra, através de ataques repentinos de intensa apreensão e medo, freqüentemente associados com sentimentos de perigo de destruição iminente.

Em geral, essas crises não têm um fator que as deflagram. A pessoa pode estar em um ambiente calmo, tranquilo e mesmo assim apresentar uma grave crise de pânico. Durante uma crise um indivíduo pode ter sintomas como taquicardia, dificuldade para respirar e tremores, que são os sintomas físicos. Mas também existem sintomas psíquicos, como sensação de morte eminente, uma angústia muito grande e muito medo.

O que identifica a síndrome são as crises recorrentes.

Como se desenvolve a crise de pânico.

O sistema de “alerta” normal do organismo – o conjunto de mecanismos físicos e mentais que permite que uma pessoa reaja a uma ameaça – desencadeia-se desnecessariamente na crise de pânico, sem perigo iminente real. Pessoas ansiosas são mais suscetíveis ao problema do que outras, o que envolve tanto fatores genéticos quanto aprendidos na convivência familiar, escolar e social.

O cérebro produz substâncias chamadas neurotransmissores que são responsáveis pela comunicação que ocorre entre os neurônios – as células do sistema nervoso. Estas comunicações formam mensagens que irão determinar a execução de todas as atividades físicas e mentais de nosso organismo, como fome, sono, prazer, tristeza, etc.

Um desequilíbrio na produção dos neurotransmissores serotonina e noradrenalina pode levar algumas partes do cérebro a transmitir informações e comandos incorretos.

Isto é exatamente o que ocorre em uma crise de pânico: existe uma informação incorreta alertando e preparando o organismo para uma ameaça ou perigo que na realidade não existe.

É como se tivéssemos um despertador que passa a tocar o alarme em horas inapropriadas.

Nesse caso, o sofrimento fica intenso também nos intervalos entre uma crise e outra, devido à ansiedade causada pela possibilidade de sofrer outra crise, que pode ocorrer num intervalo de minutos, dias ou meses.

Na maior parte das vezes, uma crise de pânico chega ao seu auge depois de 10 ou 15 minutos do início e desaparece, em geral, 30 minutos depois de começar. Segundo os especialistas, 10% das pessoas, em especial as vítimas de acidentes ou de violência, podem sofrer uma ou mais crises de pânico ocasionais sem serem consideradas doentes.

Mas, se os episódios de pânico aparecem com frequência, tem-se a síndrome do pânico instalada.

Principais sintomas observados numa crise de pânico.

O transtorno de pânico é caracterizado por crises súbitas frequentemente incapacitantes e recorrentes. Os sintomas físicos de uma crise de pânico aparecem subitamente, sem causas aparentes ou por meio de ansiedade excessiva motivada por estresse, perdas, aborrecimentos ou expectativas.

Os sintomas são como uma preparação do corpo para fuga de uma ameaça real. A adrenalina provoca alterações fisiológicas que preparam o indivíduo para o enfrentamento desse perigo, podendo apresentar diferenças de uma pessoa para outra.

Os principais sintomas observados durante uma crise de pânico são:

  • Aumento da frequência cardíaca (taquicardia)
  • Palpitações
  • Dores no peito
  • Aumento da frequência respiratória (hiperventilação)
  • Dificuldade para respirar
  • Ressecamento da boca
  • Suor frio
  • Ondas de calor ou calafrios
  • Tremores
  • Entorpecimento
  • Sensação de formigamento dos membros ou interno
  • Náusea
  • Vertigem
  • Perda do foco visual
  • Pensamentos catastróficos
  • Medo de enlouquecer
  • Muito medo de morrer

O mecanismo que desencadeia o ataque de pânico.

Nem todos esses sintomas listados podem estar presentes nas crises, mas alguns sempre estarão. Há crises mais completas e outras menores, com poucas manifestações.

Os sintomas começam de súbito e se acentuam rapidamente, muitas vezes acompanhados por uma sensação de catástrofe ou de morte iminente e por uma ânsia de escapar da situação. A freqüência dos ataques varia de pessoa para pessoa.

A pessoa geralmente tem o ataque de pânico desencadeado por uma sensação do corpo que a assusta: uma alteração no batimento cardíaco, uma sensação de perda de equilíbrio, tontura, falta de ar, alguma palpitação ou tremor, por exemplo, percebida como um sinal de início de uma nova crise, um sinal de que “aquilo está vindo de novo”. Isso leva a um patrulhamento constante de que algo possa sair do controle, gerando ansiedade.

A ansiedade se acentua ainda mais, decorrente da hiperventilação, que tende a ser interpretada pelas pessoas como indício de uma crise iminente. A ansiedade dessa sensação de iminência leva a mais ansiedade e, conseqüentemente, a mais hiperventilação, com mais sensações, num labirinto crescente em direção ao pânico.

A hiperventilação cria um desequilíbrio entre os níveis de oxigênio e gás carbônico no sangue, levando a várias manifestações perceptíveis, como formigamentos, aceleração dos batimentos cardíacos, tontura, sensação de falta de ar, etc.

Por isso o controle da hiperventilação, por meio de exercícios respiratórios específicos, é um recurso importante no controle das crises de pânico.

Algumas ações simples podem ajudar na hora da crise.

  • Durante as crises pode-se utilizar uma técnica simples para diminuir o mal estar, sobretudo o localizado no peito: inspirar o ar pelo nariz até inflar totalmente a caixa torácica, prendê-lo por dois a quatro segundos, e soltar o ar bem devagar pela boca.

Pode-se repetir o exercício algumas vezes até a respiração voltar ao normal e ser percebida uma melhora da sensação de dor ou desconforto no peito.

O aprendizado do controle dos sintomas pelo controle da respiração é extremamente útil no tratamento a longo prazo da síndrome de pânico.

  • É importante desviar a concentração da mente para situações amenas e agradáveis, e se possível conversar com alguém para ajudar nesse processo
  • Quem estiver próximo deve evitar mostrar tensão ou cobrança, pois durante a crise a própria pessoa fica em desespero para conseguir voltar ao normal
  • É preciso aceitar naturalmente e não sentir vergonha dessa fragilidade, pois muitas pessoas sentem as mesmas aflições

A síndrome do pânico tem tratamento.

A síndrome do pânico tem tratamento. Ele inclui uma combinação de terapia com medicamentos e tem demonstrado bons resultados.

Como nem sempre é fácil identificar a diferença entre ansiedade e síndrome do pânico ou qualquer outro transtorno de ansiedade, é importante procurar a ajuda de um médico caso apresente alguns dos sintomas listados. Ele poderá avaliar o seu caso e indicar o melhor tratamento.

É importante que pessoas com transtorno do pânico procurem tratamento para que os sintomas não piorem, já que é comum apresentar outros transtornos mentais simultâneos, como depressão e algumas fobias.

A expectativa constante de ter uma nova crise é uma das características da síndrome do pânico. Com essa ansiedade antecipatória, as pessoas passam a evitar certas situações e acabam restringindo suas vidas.

Por exemplo, pessoas que têm transtorno do pânico sem tratamento podem apresentar agorafobia. As situações mais freqüentes de agorafobia são aquelas que geralmente estão relacionadas a certas situações, cujas características principais são:

  • dificuldade de se expor a situações onde a pessoa acha que pode ter um ataque de pânico e não ter ajuda disponível, não ter um cuidado especifico
  • ficar em lugares ou situações nas quais seja difícil sair, como quando está em meio a uma multidão, numa ponte, numa viagem de ônibus, trem ou automóvel, etc.
  • evitar lugares e situações nas quais a pessoa teve as primeiras crises (no elevador, dirigindo, passando por um determinado lugar, etc.). A partir daí, a pessoa passa a associar essas situações às crises.

Isso leva a pessoa a ficar mais isolada, com dificuldade de sair porque acredita que pode ter um ataque a qualquer momento e não ter os recursos necessários para superá-lo.

O tratamento pode incluir prescrição de medicamentos e terapia.

Medicamentos

A longo prazo, 60% dos pacientes com pânico apresentam depressão e 12% tentam suicídio. Os portadores do transtorno podem desenvolver alcoolismo, ao qual recorrem como forma de combater a ansiedade, o que apenas origina mais um problema de saúde. Por isso é fundamental a procura por tratamento especializado.

Como muitas vezes os remédios desencadeiam efeitos colaterais e podem piorar as crises nas primeiras 48 horas, começando a fazer efeito apenas depois de duas ou até de quatro semanas, muitos doentes abandonam a medicação, sendo que 80% têm uma recaída entre quatro e seis semanas depois da suspensão do tratamento.

O transtorno de pânico pode durar meses ou mesmo anos, dependendo de como e quando o tratamento é realizado. Mas se não tratado, pode piorar a ponto de afetar seriamente a vida pessoal, familiar e social.

Terapia

Na terapia, busca-se ampliar a compreensão dos processos afetivos, revendo os acontecimentos e os modos de lidar, para esclarecer os “nós” que levaram ao pânico, as transições, as crises e as pressões presentes nos momentos em que o pânico começou.

A superação da síndrome do pânico é possível pela aquisição de maior capacidade de elaboração das emoções e pela formação de outros modos de sentir, perceber e agir, criando caminhos pessoais mais satisfatórios, abrindo os territórios existenciais a novos sentidos e afetos, à criação contínua de novas formas no processo de construção da existência.

Superar a experiência do pânico pode ser uma grande oportunidade de crescimento pessoal, de uma retomada vital do processo formativo.

A pessoa se descobre ativada em suas respostas-padrão de luta ou de fuga frente a algo desconhecido, ao estranho dentro de si. Por isso a reação parece tão sem sentido; o visível é apenas a taquicardia, a falta de ar, etc.

O pânico é uma resposta a uma situação limite em que não dá para lutar e não dá para fugir daquilo que está dentro da pessoa e que ela não reconhece.

Todos os momentos de transição na vida podem ser pontos críticos que podem produzir abalos intensos no modo de vida de cada um. São momentos favoráveis para a eclosão dos muitos tipos de sofrimento emocional, como a passagem pela puberdade, a passagem para a vida adulta, a perda de satisfação no trabalho, o fim de um relacionamento afetivo, o nascimento de um filho, entre vários outros.

A origem da síndrome do pânico precisa ser buscada na história de vida da pessoa, geralmente na época em que começaram as crises, quando aspectos importantes de sua vivência foram deixados de lado e retornam como elementos estranhos à própria pessoa, levando à resposta de pânico.

O importante é dar o primeiro passo e buscar ajuda para superar momentos difíceis. Agir vale a pena.

Procure ajuda. Peça ajuda.


Procure em sua cidade serviços públicos ou particulares, entidades e organizações assistenciais onde você possa encontrar tratamento adequado.

O CVV – Centro de Valorização da Vida, realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, 24 horas todos os dias.

Ligue 188 ou acesse o chat on-line no site.


compilação de informações de:

Agência Senado  

Espiritismo.Net (ANSP – Associação Nacional da Síndrome do Pânico)

Espiritismo.Net 2 (Artur Thiago Scarpato)

Ministério da Saúde (Quirino Cordeiro, Coordenador-Geral de Saúde Mental do Ministério da Saúde)

Pfizer

Wikipedia


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