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Khalil Gibran ouve o lamento da natureza

imagem de uma floresta em chama e no canto esquerdo uma macaca abraça seu filhote Khalil Gibran natureza

O assunto do momento já é bem antigo.

Khalil Gibran ouve o lamento da natureza e nos deixa um alerta sobre a fragilidade do seu equilíbrio, quando subjugada pela ação inconsequente e destruidora do ser humano.

Hoje em dia, cada vez mais se fala sobre o meio ambiente. Ou, mais especificamente, sobre todos os problemas causados pelo homem ao meio ambiente. Assim as notícias giram em torno de aquecimento global, eventos climáticos drásticos, extinção de espécies, poluição do ar e das águas…

Estes são, sem dúvida, assuntos que fazem parte do noticiário diário. Inclusive, além dos ativistas, pesquisadores e cientistas, é certamente importante que líderes religiosos como o Papa Francisco e Dalai Lama abordem constantemente o tema. E todos, em suma, são unânimes em afirmar a necessidade urgente de medidas para a preservação do meio ambiente.

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Uma pausa para a pandemia.

A pandemia do coronavírus obrigou o mundo a parar. E nessa pausa que vem durando há alguns meses – um período bem curto, se considerarmos há quantos anos o meio ambiente vem sofrendo uma constante ação de degradação – a natureza mostrou que, de fato, pode se recuperar.

“Degradação ambiental é a deterioração do meio ambiente através do esgotamento de recursos como ar, água e solo; a destruição de ecossistemas; destruição de habitat; a extinção da vida selvagem; e poluição. É definido como qualquer alteração ou perturbação do ambiente considerada prejudicial ou indesejável.”
Wikipédia

Ao longo dos meses da pandemia, todos os dias vimos notícias de lugares onde a qualidade do ar melhorou, as águas de rios ficaram límpidas, acompanhamos uma maior reprodução de espécies animais, muitos foram vistos em locais de onde haviam sumido.

Mas a vida aos poucos vai retomando o seu ritmo. Claro que isso é imprescindível. Trabalhadores voltam a seus postos, viagens recomeçam, comércio, serviços, fábricas, todo retomam suas atividades.

Será que alguém vai se lembrar que a natureza, que também tinha retomado suas atividades, ainda precisa da colaboração do ser humano para sustentar-se e assim sustentar a vida do planeta?

Khalil Gibran já se preocupava com o meio ambiente, atento à natureza.

Khalil Gibran, deixou sua filosofia impregnada de lirismo para nos levar a reflexões sobre tantos temas – ao mesmo tempo cotidianos mas também tão complexos – de nossa vida, e um deles é a natureza.

E já em seu tempo, ele alertava, de forma poética e profunda, sobre os males da ação do homem sobre o equilíbrio da natureza e de toda criação divina, que o homem não soube usar sem abusar, usufruir sem desrespeitar.

Leia, em seguida, o apelo da natureza, nas palavras de Gibran.

Noemi C. Carvalho

O homem e a natureza

Ao romper do dia, sentei-me na campina, travando conversa com a Natureza, enquanto o Homem ainda descansava sossegadamente nas dobras da sonolência. Deitei-me na relva verde e comecei a meditar sobre estas perguntas:

Será a Beleza Verdade? Será Verdade a Beleza?

E em meus pensamentos vi-me levado para longe da humanidade. Minha imaginação descerrou o véu de matéria que escondia meu íntimo. Minha alma expandiu-se e senti-me ligado à Natureza e a seus segredos. Meus ouvidos puseram-se atentos à linguagem de suas maravilhas.

Assim que me sentei e me entreguei profundamente à meditação, senti uma brisa perpassando através dos galhos das árvores e percebi um suspiro como o de um órfão perdido.

“Por que te lamentas, brisa amorosa?” perguntei.

E a brisa respondeu: “Porque vim da cidade que se escalda sob o calor do sol, e os germes das pragas e contaminações agregaram-se às minhas vestes puras. Podes culpar-me por lamentar-me?”

Mirei depois as faces de lágrimas coloridas das flores e ouvi seu terno lamento… E indaguei: “Por que chorais, minhas flores maravilhosas?”

Uma delas ergueu a cabeça graciosa e murmurou: “Choramos porque o Homem virá e nos arrancará, e nos porá à venda nos mercados da cidade.”

E outra flor acrescentou: “À noite, quando estivermos murchas, ele nos atirará no monte de lixo. Choramos porque a mão cruel do Homem nos arranca de nossas moradas nativas.”

Ouvi também um riacho lamentando-se como uma viúva que chorasse o filho morto, e o interroguei: “Por que choras meu límpido riacho?”

E o riacho retrucou: “Porque sou compelido a ir à cidade, onde o Homem me despreza e me rejeita pelas bebidas fortes, e faz de mim carregador de seu lixo, polui minha pureza e transforma minha serventia em imundície.”

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>>> Uma oração pelo amor – de Don Miguel Ruiz

Escutei, ainda, os pássaros soluçando e os interpelei: “Por que chorais meus belos pássaros?”

E um deles voou para perto, pousou na ponta de um ramo e justificou: “Daqui a pouco, os filhos de Adão virão a este campo com suas armas destruidoras e desencadearão uma guerra contra nós, como se fôssemos seus inimigos mortais. Agora estamos nos despedindo uns dos outros, pois não sabemos quais de nós escaparão à fúria do Homem. A morte nos segue, aonde quer que vamos.”

Então o sol já se levantava por trás dos picos da montanha e coloria os topos das árvores com auréolas douradas. Contemplei tão grande beleza e me perguntei:

“Por que o homem deve destruir o que a Natureza construiu?”

Khalil Gibran

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