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Nem todas as luzes brilham no Natal

Nem todos conseguem sentir esperança no Natal.

Segundo especialistas, o Natal é a data do ano que cria maior alteração emocional nas pessoas. Por isso, nem todas as luzes brilham nessa época festiva.

O Natal costuma ser um momento de festividades, reencontros e solidariedade. De acordo com o calendário cristão, é celebrado o nascimento de Cristo. Uma época marcada por todo um conjunto simbólico que caracteriza o tão conhecido “espírito natalino”.

De todos os lugares chega a mensagem de que este é um momento mágico, que deve ser encarado como uma oportunidade de renascimento, de dias melhores. A pressão para ser feliz e otimista é enorme.

Para uns, é tempo de festa, de reunir a família, de comprar e ganhar presentes, de muitas luzes e alegria. Para outros, a data traz vazio, tristeza, ausência, um estranhamento da intensa movimentação que ocorre à volta. É tempo de solidão.

Em um momento teoricamente marcado por alegria, felicidade, fraternidade, muitos vivenciam sentimentos de perda, solidão ou até vazios existenciais, que não necessariamente estão ligados à data, mas estão lá, coexistindo em meio às luzes e cores natalinas.

Existem dores que não se apagam com a luz das festividades.

Se o momento é de luto, de perdas, de ausências não superadas, é comum a melancolia, o sentimento de inadequação. Há também uma certa pressão pelo consumo, que dependendo da situação de cada um, pode causar ainda mais angústia. Sentimentos de não conseguir realizar sonhos e atender expectativas. Um passo enorme para a frustração.

Quando comunicam sua tristeza, é comum que as pessoas sejam repreendidas e julgadas por não conseguirem ver o lado positivo da vida. Por outro lado, para quem convive com alguém que não deseja participar das reuniões familiares e de amigos também pode ser um período difícil, pois pode surgir um sentimento de rejeição, de ser pouco amado pela pessoa que decide se isolar.

Percebe-se, portanto, que a chamada “Noite Feliz”, para além de toda a sua beleza de significado, ao mesmo tempo em que desperta a gratidão e a esperança para alguns, para outros parece ressaltar o que faz falta.

Natal é compartilhamento: compartilhe sua tristeza.

Os especialistas apontam como caminho a busca por solidariedade, o encontro com pessoas com as quais se sinta bem, uma espécie de união entre solitários. Fato é que, nesta gangorra de sentimentos, costumam surgir momentos de autorreflexão.

O vazio existencial  pode emergir  pela explosão dos fogos de artifícios de lá de fora, fazendo eco aqui do lado de dentro do ser, trazendo à tona os nossos artifícios estilhaçados para sobreviver, aqueles que abrem o peito de quem luta para encontrar sentido na vida.

O choque do que se sente com aquilo que o mundo pede que se sinta desenha o abismo da profunda dor existir. Esta cratera que se rompe no ser, pode trazer à tona sentimentos infeccionados, mal tratados, medos profundos, mágoas, arrependimentos.

Compartilhamos os vazios porque somos humanos e, por isso, sempre há a possibilidade de se pedir ajuda a outro humano. Os sentimentos infeccionados podem necessitar serem reconhecidos e serem falados, para então, poderem ser renascidos, transformados e, aí sim, poderá existir o Natal em cada um de nós.

compilação baseada em textos do Blog da CVV, autoria de Luiza e Sol, Leila e Karla Gaspar

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